PR8 - Trilho da Chão
Caracterização do Percurso
Informações Técnicas
Nome: PR 8 - Trilho da Chão
Local: Serra de Santa Luzia - Carreço - Viana do Castelo
Tipo de percurso: Cultural, paisagístico / panorâmico
Distância: 18,9 Km
Duração: 6 horas
Grau de dificuldade: Moderado
Cartas militar: Folha 27
Escala: 1/25.000
Pontos Assinaláveis
- Vértice geodésico 1ª categoria (550 m)
- Alto do Mior (Miradouro das Bandeiras)
- Planalto da Chão
- Calçadas antigas
Marcação no terreno: Segundo as normas da FPC, cores amarela e vermelha
Nota importante: O PP desenrola-se inteiramente em caminhos da natureza do domínio público
Descrição do Percurso
Este PR tem o seu inicio junto do edifício da SIRC - Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço.
Início do Percurso - Subida para a Serra
Vamos fazer a descrição caminhando em direcção ao Norte, transpondo o viaduto "ponte seca" sobre o caminho de ferro, continuando entre o casario do lugar de Paçô, passando junto da capela de S. Sebastião, junto das gravuras rupestres da "Lage da Churra", atingindo a ultima moradia da freguesia. Inicia-se então a subida para o alto da serra, em direcção E / NE através da velha calçada do "Caminho da Costa de Paçô", em cujos lajedos se encontram gravados os rodados dos carros de bois.
Quando chegar ao estradão florestal em terra batida que vem de Afife, vire à direita e por ele continue subindo até alcançar um belo miradouro onde pode observar uma panorâmica sobre o mar e Vila Praia de Âncora, com o monte de Santa Tecla na Galiza lá no fundo á nossa frente.
Planalto da Chão
De imediato se atinge um cruzamento com outro estradão em terra batida, que liga Viana do Castelo á Senhora da Cabeça. Aqui vire e siga para a direita ao longo do mesmo e em direcção ao Sul, para em breve chegar a novo cruzamento da "Pereirada". Bem lá na frente sobre a imensidão do planalto da Chão, já se vislumbra o marco geodésico que nos vai servir de referência.
A partir daqui o percurso de ida e volta até á ao Talefe será comum, seguindo ao longo do estradão florestal.
Estamos em plena Chão, planalto imenso da serra de Santa Luzia, com zonas húmidas, pequenas nascentes de regatos e algumas lagoas naturais ou acondicionadas pelo homem, onde vêm beber os "garranos", cavalos selvagens, e as típicas vacas barrosãs que aqui vivem em liberdade.
Ponto Mais Alto - Talefe
Chegados á base do Talefe inicie a breve subida para o ponto mais alto da Serra de Santa Luzia (550m.), assinalado pelo marco geodésico de 1ª categoria, conhecido como "Talefe" ou "Gurita de Couço".
Após deixar o marco geodésico, regresse novamente ao estradão, e siga o percurso no sentido inverso até ao cruzamento da "Pereirada", mas no trajecto poderá fazer um pequeno desvio para atingir as ruínas da casa florestal da "Fonte Louçã". Neste local bem perto existe um tanque em pedra, abastecido pela água límpida da Fonte Louçã. Junto ainda também são visíveis valas escavadas no século passado para extracção de minério.
Descida e Regresso
Regressando ao cruzamento da "Pereirada", local em que poderá iniciar a descida em direcção Oeste (pela esquerda). Ao longo da descida vai contornar pelo Norte uma pequena elevação onde estão as "Pedras da Cruz do Calvo" atingindo em seguida o desvio para o "Alto do Mior" mais conhecido por "Miradoiro das Bandeiras", com uma vista deslumbrante sobre o oceano, farol de Montedor e as veigas de cultivo de Areosa, Carreço e Afife, numa sinfonia de cores verde e azul.
Retome a descida, agora em direcção Norte, e logo deixará o estradão para tomar pela esquerda a antiga calçada do "Caminho da Costa de Carreço", que desce serpenteando em direcção a Oeste, calçada centenária utilizada por carros de bois, dos quais nos ficaram como testemunho os sulcos no granito, e algumas datas nas pedras "eras", assinalando intervenções periódicas e comunitárias para manutenção dos caminhos.
Esta calçada será cortada a dada altura por um estradão pelo qual terá de seguir em direcção Noroeste, até ao sítio da "Coroa", onde existem vestígios de um antigo castro.
A partir daqui siga para Sudoeste descendo, passando pelas "Fontelinhas" e atingir as primeiras casas do lugar de Carreço, e a capela de S. Paio, segundo a tradição a primeira igreja de Carreço.
É então altura para, voltando para Noroeste, passar pelo "Largo do Aral", "Campo da Cal", Igreja Paroquial, e chegar á SIRC, final deste percurso.
Pontos de Interesse
1. SIRC - Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço
SIRC - Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço, encontra-se situada no lugar de Carreço, tendo sido fundada em 1903 ou 1909 segundo outros.
Este edifício não é o primitivo, tendo outros existido, primeiro numa casa dos Perdigueiras em Montedor, outra em casa da Soutela em Paçô, e outra na casa do Vale em Carreço.
A ideia de o construir surgiu em 1912, tendo as obras começado em 1913, estando concluídas em Janeiro de 1914.
2. Capela de S. Sebastião
A origem desta capela parece ter a ver com o cumprimento de uma promessa, feita em pleno mar, num momento de aflição, por pescadores de Paçô e Carreço.
Encontrando-se em 1918, no sítio da Posta, frente a Paçô, sobreveio um enorme vendaval de leste que os atirou para o alto mar, ficando sem rumo.
Após muito esforço, a embarcação arribou ao porto de Caminha, onde entrou, não sem grande dificuldade. Foi então que ao verem a valentia do mestre, os pescadores de Caminha o baptizaram com o nome de Raia Seca.
A actual capela de S. Sebastião foi concluida m 1821. Tem festa anual no domingo a seguir ao dia 20 de Janeiro, dia litúrgico do Santo.
Existiu uma capela anterior dedicada a S. Sebastião, que estava situada no alto de Montedor, no local designado Santo da Légua, junto à estrada velha. Dela só restam vestígios porque segundo alguns as suas pedras foram aproveitadas na construção da actual.
3. Laje da Churra
Este conjunto foi descoberto por Lourenço Alves na Páscoa de 1973. Visíveis com o sol rasante, tem um conjunto notável de insculturas rupestres.
Esta laje ostenta uma forma circular, de superfície mais ou menos plana, com alguns ressaltos, que em nada alteram a sua configuração.
Os petróglifos distribuem-se por quatro conjuntos e estão bastante delidos devido à erosão pelo que só são visíveis com atenção redobrada.
4. Caminho da Costa de Pacô
Estes caminhos de acesso à Chão tiveram um papel fundamental para a actividade económica das povoações.
Após as sementeiras de milho, pelo mês de Maio, iam ao monte cortar o mato com foicinhos e enxadões para astrar as cortes de animais.
Depois, eram os carros de vacas que, alta madrugada, partiam rumo ao monte, buscar mato, regressando a casa pelas dez horas, a chiar pela encosta abaixo. Os trabalhos do campo decorriam até às colheitas: as sachadas e as regadas de milho a seguir às sementeiras; depois eram as ceifas e as malhas de trigo e centeio; finalmente as colheitas e as desfolhadas de milho.
Entretanto, fazia-se a apanha do sargaço para venda e, sobretudo, para adubação das terras.
5. Miradouro de Vila Praia de Âncora
Localizado no estradão florestal que liga Afife (junto ao restaurante Mariana) a Santa Luzia, já muito perto do cruzamento com a florestal Santa Luzia - Srª da Cabeça, tem uma vista deslumbrante para o mar, abarcando desde Afife até Santa Tecla, já na vizinha Galiza.
6. Cruzamento da Pereirada
Conhecido como cruzamento das antenas é o local onde está situada a bifurcação principal deste percurso pedestre.
Caso tenha subido pelo Caminho da Costa de Paçô (sentido recomendado), se pretender ir até ao Talefe, vire à esquerda.
Caso pretenda descer pelo Caminho Costa de Carreço, então siga em frente, começando a descida para Carreço.
7. Talefe ou Guarita do Couço
O ponto mais alto da Chão está situado no marco geodésico de 1ª categoria, conhecido por "Talefe", ou "Guarita do Couço", a 550 m sobre o nível do mar.
Esta torre reconstruída no final dos anos 30, com areia e cimento transportados por carros de bois, a partir de Carreço, pelo Sr. Joaquim da Casa da Boroa.
8. Casa Florestal da Fonte Louçã
Local do almoço, já fora do percurso, situa-se junto da nascente de um pequeno regato designado de Ribeiro Louça e de casa florestal (já abandonada) com o mesmo nome.
É um local abrigado dos ventos dominantes fortes, muito comuns na Chão, bastante usado para pausas nas deslocações pela serra.
9. Alto do Mior ou das Bandeiras
Localizado na encosta de Carreço, o Alto do Mior, ou das "Bandeiras" é um local onde se pode apreciar a vista para a orla litoral, desde Viana a Afife, com Carreço a nossos pés.
É já tradição a colocação de panos, amarados a varas, quais bandeiras aos quatro ventos esvoaçando.
10. Caminho da Costa de Carreço
Estes caminhos de acesso à Chão tiveram um papel fundamental para a actividade económica das povoações.
Tal como o referido quanto ao Caminho de Paçô, estes caminhos foram muito utilizados, mas hoje em dia estão bastante degradados, face ao cada vez maior abandono da agricultura.
11. Capela de S. Paio
Capela de S. Paio - A primeira referência que se conhece encontra-se no livro de visitas de 1751. Aqui se fazia a festa em honra de S. Paio no 2° domingo de Janeiro.
Diz-se que foi a Igreja paroquial primitiva (junto existem vestígios de sepulturas antropomórficas cavadas na rocha).
Cruzeiro de S. Paio - Era parte da Via Sacra que partia da Igreja. Encontra-se agora junto à Capela de S. Paio, mas inicialmente ficava situado no largo da Casa Branca, no lugar de Carreço.
É um cruzeiro muito simples, formado por um fuste de secção quadrada, que descansa numa base cúbica. suportada por alguns degraus. Os braços da cruz apoiam directamente no fuste. Mais acima, encontram-Se alguns restos de cruzes que devem ser vestígio do antigo calvário de S. Paio, onde no séc. XVIII, ainda se fazia a Via Sacra.
12. Campo da Cal e Igreja Paroquial
Campo da Cal - Era em frente do cruzeiro da Igreja. Faz-se referência especial a este logradouro, por ter sido outrora, um sitio de grande movimento, quer por ter estado alia Eira da Comenda, quer por ter sido ali o largo da Igreja com um cruzeiro ao centro, onde as procissões iam dar a volta, ou ainda por ter constituído, até há poucos anos, o local de diversão do povo de Carreço, onde faziam as festas populares.
Igreja Paroquial - A sua construção iniciou-se nos finais do séc. XVI, estando pronto o seu corpo principal em 1605 e a capela-mor terminada em 1645. As paredes desta capela foram revestidas a azulejo ainda no séc. XVII e a pintura do frontal data de 1758.
Exceptuando o altar de Nossa Senhora de Fátima, executado em 1952 pelo canteiro carrecense Manuel Barbosa, os restantes datam do séc. XVII e são de talha barroca, muito fina e perfeita.
Na sacristia, estão expostas a antiga imagem da Senhora do Rosário, bastante tosca, do séc. XVI, e de Santo Antão e a de S. Brás também da mesma época, e a de S. João Evangelista, datada do séc. XVIII e proveniente do convento de S Filipe de Néri, da vila de Monção.
Uma cruz de prata cinzelada, do ano de 1621, que escondida numa sepultura da igreja escapou ao saque das invasões francesas, uma custódia de prata antiga, de fabrico e inspiração renascentista, igualmente do séc. XVII, além de cálices, turíbulo e naveta. são também tesouros desta igreja paroquial.
Cruzeiro da Igreja - Antes de estar no lugar que ocupa, esteve no Campo da Cal, chamado também Largo da Igreja, onde iam as procissões dar a volta. No séc. XIX, foi mudado para o sitio de Eira Velha, que era a parte do adro mais a poente.
Quando se fez o muro do adro, foi colocado no sitio actual, para estabelecer uma certa simetria. A base cúbica, apoiada num tríplice degrau, suporta um fuste redondo, coroado por um capitel jónico. A cruz é simples. Na base exibe a data de 1877.
É neste cruzeiro que as procissões menores dão a volta e se benzem os ramos no segundo domingo da Paixão.