Dados do percurso
| Data | 10-10-2026 |
|---|---|
| Localização | Soajo |
| Ponto de encontro | Café Vitral |
| Hora do fim | 15:30 |
| Tempo total | 5h 30m +/- |
| Distância | 12,0 km |
| Participantes | 26 |
Soajo Moderado
| Data | 10-10-2026 |
|---|---|
| Localização | Soajo |
| Ponto de encontro | Café Vitral |
| Hora do fim | 15:30 |
| Tempo total | 5h 30m +/- |
| Distância | 12,0 km |
| Participantes | 26 |
POR TRILHOS DE BRANDAS DO SOAJO Pelos caminhos que hoje percorremos passaram, ao longo dos séculos, diferentes ritmos de vida e festividades religiosas, marcados pelo sincretismo religioso e pela luta pela sobrevivência — o pão. O ciclo do pão acompanha, de geração em geração, o ciclo da vida. A importância do pão nesta comunidade reflete-se nas calçadas, na paisagem e na diversidade de ecossistemas que se complementam, nomeadamente através da cultura do milho e da criação de gado. Testemunho disso é a extensa levada que iremos procurar, sem, contudo, chegar à sua origem, no Teixo. Noutros tempos, esta levada regava os imensos campos de milho de Soajo. Ao longo dela, os moinhos, como cogumelos, aproveitavam a força da água para transformar o grão em farinha. As calçadas que vamos percorrer são caminhos de fé que, desde sempre, conduzem os romeiros ao Senhor da Paz, à Senhora da Peneda, a São Bento do Cando e até a Santiago de Compostela. Era também por estas calçadas — a do Portinho, a de Pena Curveira, a de Lages e a dos Estrevelhadeiros — que as manadas de gado bovino se deslocavam, em maio, durante a transumância ascendente, em direção a Cova, Chã da Cabeça e Pedrada. Mais tarde, a 10 de julho, seguiam para os montes da Peneda, de onde regressavam a 8 de setembro, depois da Romaria da Senhora da Peneda. Enfim, por estes caminhos centenários passaram romeiros de fé infinita, com promessas para cumprir; passaram namorados que, feitos romeiros, trocavam juras de amor eterno; passaram milhares de carros carregados de tojo, destinado às camas dos animais e, em abril e maio, à fertilização dos campos que iriam receber as sementes. Mais tarde, em setembro, os caniços (espigueiros) enchiam-se de espigas de milho, cujos grãos, depois de colhidos, voltariam a subir estas calçadas para serem transformados em farinha nos moinhos.
RELATO DA CAMINHADA Como habitualmente, por volta das 8h00, partimos do Café Vitral, em Viana do Castelo, com destino a Soajo, onde já nos esperavam alguns elementos do grupo, vindos do Porto e de Ponte de Lima. Depois de reunido o grupo, num total de 26 participantes, iniciámos a caminhada, sempre a subir, até à Branda da Portelinha, um aglomerado de abrigos muito bem preservado. Uma vez chegados, aproveitámos para apreciar a paisagem que se estendia à nossa volta. Graças ao dia ensolarado, pudemos desfrutar de uma vista de 360 graus. Aproveitámos também para fazer uma pausa para o café e a habitual banana. Terminado o intervalo, continuámos a subir até ao cruzamento que nos conduzia à Casa-Abrigo da Branda de Murça. Aí, alguns companheiros optaram por descer em direção à Branda de Murça, onde aguardaram pelo restante grupo, enquanto os outros prosseguiram até à casa-abrigo. Neste local, encontrámos um habitante da região que nos aconselhou a fazer um pequeno desvio para visitar a Branda de Bordença, onde se encontra uma original ponte de dois arcos desiguais, de origem medieval. A ponte testemunha a antiguidade do local e terá feito parte de antigas rotas de transumância e de ligação a locais de culto, como o Senhor da Paz e a Senhora da Peneda. É também um ponto de passagem integrado em percursos pedestres da região, incluindo a Grande Rota do Peneda-Gerês (GR 50), na etapa entre Adrão e a Porta do Mezio, bem como no Caminho de Santiago. Depois de visitarmos a ponte, retomámos o caminho em direção à Branda de Murça, onde almoçámos. Por esta altura, tivemos a companhia de um amigo de quatro patas, que nos acompanhou até ao final do percurso. Terminado o almoço, retomámos a caminhada, agora sempre a descer, até ao rio Adrão, onde um dos caminheiros mais novos teve a coragem de ir a banhos. Depois de apreciarmos a bonita lagoa, retomámos o caminho que nos levou de volta à vila de Soajo, onde chegámos por volta das 15h30. Ficou na memória uma caminhada de alguma dificuldade, mas que, graças ao excelente tempo que se fez sentir, nos permitiu apreciar e desfrutar plenamente da paisagem e dos recantos naturais desta magnífica região.
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