Mais uma vez houve pontualidade e, arrumadas as «trouxas», pelas 7h30 lá partimos em direção da localidade de Silva Escura, freguesia do município de Sever do Vouga, situada numa parte da Serra do Arestal.
Chegámos por volta das 9h30 e, após uma pausa para um café, pelas 10h00 iniciámos a caminhada em direção da zona da Cascata da Cabreia, caminhando primeiro pelo alcatrão e tomando depois um estreito e vertiginoso trilho que nos levou até à base da referida cascata.
Descrição do Percurso
Cascata da Cabreia
Lá chegados, deparámo-nos com uma bela panorâmica, um local paradisíaco. Esta cascata é considerada uma das mais belas quedas de água de Portugal. É formada pelas águas do rio Mau, afluente do rio Vouga, que desagua em Aveiro, já por nós visitado. A cascata tem uns admiráveis 25 m de altura e, na sua base, uma piscina natural que em dias de calor deve fazer as delícias de muitos.
Para compor este quadro criado pela Mãe Natureza, há todo um exuberante bosque rasgado pelas águas do rio, que pode ser percorrido através de pequenos trilhos que se combinam com plácidos passeios no seu interior. Acresce dizer que esta zona serve de praia fluvial nos meses de verão, onde não faltam infraestruturas de apoio, como casas de banho, bar de apoio, mesas para piqueniques, churrasqueiras e fonte de água potável.
Lugar de Folharido e Minas da Malhada
Mas havia que continuar. Retomámos o percurso, caminhando no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, passando pelo lugar de Folharido e, um pouco mais adiante, chegando ao local das Minas da Malhada. Aqui pudemos imaginar um pouco aquilo que, na altura (1836), seria trabalhar nestes locais.
Minas do Braçal
Continuámos caminhando através de um estradão florestal e em breve atingimos as Minas do Braçal, talvez as maiores do complexo mineiro que englobava as minas do Braçal, da Malhada e o Coval da Mó, um dos mais importantes centros mineiros do norte do país, onde era explorada a galena, um minério de chumbo e metais pesados. Ainda se puderam observar os enormes montes de escórias do minério extraído e exposto ao ar livre.
A descoberta de vestígios antigos nestas minas sugere que já existiam, provavelmente, desde a época dos romanos. Em 6 de agosto de 1836, foi emitido um decreto concedendo o campo da mina do Braçal a José Bernardo Michelis. Em 1840, a concessão passou para o alemão Diederich Mathias Fewerheerd, que a explorou durante 10 anos. Em 1850, foi descoberta a Mina da Malhada, a cerca de 300 m da do Braçal, cujo poço principal, «O Poço Mestre Linna», tem cerca de 400 m de profundidade.
Uma nova fase começou em 1882, com a criação da Companhia Mineira e Metalúrgica do Braçal, e em 1898 formou-se uma companhia belga que se propôs revitalizar e modernizar as minas. Todo o complexo mineiro é banhado pelo rio Mau, que passa por este local e que, na zona mineira, se encontra escondido, canalizado em túneis artificiais de pedra e cimento.
Nos anos de 1862 a 1863, ocorreram grandes manifestações populares contra as minas, devido a alegações de que os fumos dos fornos prejudicavam as culturas. Já no século XX, a empresa mineira foi administrada durante vários anos pelo Engenheiro Gregório Pinto Rola. Após alguns anos de interrupção, a exploração mineira foi reativada em 1942, terminando definitivamente em 1958, sob a administração do Engenheiro João Oliveira Vidal. De 1949 a 1955, chegaram a trabalhar neste complexo mineiro 742 operários, tornando esta empresa uma das maiores do Distrito de Aveiro. O encerramento das minas provocou um grave problema social, levando muitos a emigrar para França e para a Alemanha.
Atualmente, é possível conhecer a antiga fundição do complexo de minas que aqui existiu, com uma enorme chaminé e várias infraestruturas usadas na transformação do minério, hoje em estado de ruínas.
Lugares do Fojo e do Crasto
Finda a visita ao complexo das Minas do Braçal, continuámos a subir, tendo do nosso lado esquerdo o vale do rio, com avistamento para os locais por onde havíamos passado.
Sempre a subir, passámos pelo pequeno lugar do Fojo e, mais acima, bem perto do lugar do Crasto, onde começámos a descer, agora novamente por um estreito e vertiginoso carreiro, até à base da Cascata da Cabreia, que visitámos uma vez mais.
Regresso a Silva Escura
Depois foi subir por onde havíamos iniciado este percurso, até chegar ao centro da localidade de Silva Escura, onde já nos esperava o autocarro.
Notas Finais
Como vimos que não havia condições para realizar o piquenique no Parque de Merendas da Cascata da Cabreia, devido à dificuldade de acesso, e após uma troca de informações com um popular, este indicou-nos a alternativa do Parque de Merendas de Dornelas, não muito longe deste local.
Ali chegados, fomos surpreendidos com a beleza do local e com as suas excelentes condições. Instalados numa enorme mesa comum com bancos, debaixo de um telheiro, com a mesa composta com as toalhas que levaram, foram depositados os «comes», muito variados, que todos levaram, e assim se fez o «repasto», em alegre convívio devidamente regado.
Como se costuma dizer, «foi a cereja no topo do bolo». Todo o convívio decorreu de forma excelente, servindo de término desta atividade.
Depois foi a viagem de regresso a casa, ficando a aguardar pela próxima atividade, que, em princípio, será no dia 27 de junho, em terras de Covas.