2 dias

Fim de semana em Trás-os-Montes

Moderado
Fim de semana em Trás-os-Montes
11km
Distância
1467m
↑ Subida
1147m
↓ Descida
2
Dias

Itinerário

Cada dia da travessia em detalhe

  1. 01 Dia

    Bemposta - Mogadouro

    Distância
    4,17 kms
    Início
    07.00
    Ponto encontro
    Café Vitral - Viana do Castelo
    Desnível
    ↑ 694m ↓ 465m
  2. 02 Dia

    Vimioso

    Caminhada em Rio de Onor e almoço/lanche na Pensão Flávia em Chaves

    Distância
    6,78 kms
    Ponto encontro
    Vimioso
    Desnível
    ↑ 773m ↓ 682m
    Visita à Igreja de Outeiro à aldeia de Rio de Onor e almço na Pensão Flávia em Chaves
    Ver no Wikiloc
Dia 1

Bemposta - Mogadouro

1.º Percurso — Cascata da Faia da Água Alta (Lamoso, Mogadouro)

O Trilho

Apesar de a chuva ter marcado presença ao longo de boa parte do trilho, isso apenas acrescentou autenticidade e beleza à experiência. O percurso desenvolveu-se por zonas de grande imponência natural, com passadiços estreitos — muitos deles cavados na própria rocha — e pontões que tornaram a caminhada simultaneamente desafiante e fascinante.

A Cascata

Ao longo de vários pontos do percurso foi possível contemplar a impressionante cascata, cuja dimensão se revela constantemente na paisagem. A sua enorme altura faz jus ao nome e ajuda a perceber por que é considerada uma das mais altas de Portugal continental.


2.º Percurso — Castelo de Algoso (Algoso, Vimioso)

Almoço Volante em Lamoso

Concluído o primeiro percurso e após breve pausa, ainda em Lamoso foi tempo de retemperar energias com um ligeiro almoço volante, seguindo depois viagem em direção a Vimioso.

Chegada a Algoso

Chegámos a Algoso, povoado que se pensa ter sido um castro de gente lusitana e do qual resta apenas uma torre — a Torre de Atalaia — pois tudo o resto terá sido desmantelado, segundo a tradição local, durante a Guerra dos Sete Anos.

Encontrámos o centro da localidade com o tempo ainda chuvoso. Mesmo assim, iniciámos o percurso previsto, indo ao encontro do castelo.

Subida à Torre

À medida que avançávamos, a chuva ia aumentando de intensidade e o céu carregava-se de grandes nuvens negras, ameaçadoras. No ar, em volta da torre, planavam majestosas aves de grande porte — talvez abutres ou grifos — aproveitando as correntes ascendentes.

Ainda assim, fez-se a subida à torre do castelo.

Regresso sob Tempestade

Pouco depois, o tempo piorou e começou a chover e a ventar torrencialmente, cortando qualquer possibilidade de continuar a caminhada. Procurámos abrigo da intempérie junto da pequena capela ali existente, mas acabámos por ter de fazer o regresso até Algoso debaixo da tempestade.

Salvou-nos o autocarro, que veio ao nosso encontro em socorro — o que não evitou que ficássemos completamente alagados. Ficou assim por completar este percurso.

Alojamento e Jantar em Vimioso

Seguimos em direção a Vimioso, onde ficámos alojados em duas unidades hoteleiras. Feita a distribuição dos quartos e após um banho retemperador, ainda deu tempo para conhecer um pouco da vila, regressando depois aos hotéis.

À noite realizámos um jantar no Hotel Rural Senhora das Pereiras, que decorreu em ambiente animado e de alegre convívio, muito bem servido com pratos típicos da região.

Dia 2

Vimioso

3.º Percurso – Percurso do Carvalho (Rio de Onor / Bragança)

Cerca das 08h30 saímos de Vimioso em direção ao local onde iríamos realizar o último percurso da aventura. Pelo caminho, estrada fora, e por sugestão do companheiro Fernando Pereira — que exerceu a sua profissão de médico por estas terras brigantinas — fizemos uma paragem na localidade de Outeiro para visitar a Basílica de Santo Cristo, classificada como Monumento Nacional desde 1927.

Trata-se de um templo do século XVII, cuja construção está associada à necessidade de afirmação de Portugal enquanto nação independente de Espanha. A sua história merece, sem dúvida, ser explorada com maior detalhe.

Terminada a visita, prosseguimos viagem, passando “apertadamente” pela localidade de Guadramil, até chegarmos a Rio de Onor, aldeia raiana junto à fronteira com Espanha.

Rio de Onor é uma das aldeias mais emblemáticas do concelho de Bragança e do Parque Natural de Montesinho, tendo sido eleita, em 2017, uma das 7 Maravilhas de Portugal na categoria de aldeia em área protegida.

O comunitarismo é uma das marcas identitárias de Rio de Onor e, juntamente com o seu dialeto próprio — o rionorês —, torna a visita a esta aldeia numa experiência única e enriquecedora.

Contudo, o objetivo principal da nossa presença era realizar uma das 9 caminhadas transmontanas. Assim, após os preparativos da praxe e aproveitando uma aberta no tempo, demos finalmente início ao percurso.

Ao abandonar a aldeia, seguimos inicialmente por um pequeno troço em alcatrão, entrando depois num estradão florestal a meia encosta do monte. Lá em baixo, no fundo do vale, avistavam-se os campos de cultivo que ladeavam o pequeno ribeiro.

Uma chuva miudinha ainda ameaçou cair com mais intensidade, mas acabou por não passar de um breve susto.

Descemos em direção ao rio para visitar um notável exemplar de carvalho-negral (Quercus pyrenaica), classificado como árvore de interesse público. Junto a ele foi tirada a tradicional fotografia de grupo, além de vários outros registos fotográficos.

Havia, no entanto, que continuar, pois já seguíamos ligeiramente atrasados em relação ao horário previsto.

Prosseguimos então junto ao rio, atravessando os famosos lameiros — terrenos herbáceos com ligeira inclinação para o curso de água, irrigados por pequenas levadas na parte superior, que garantem a humidade necessária ao longo do ano.

Mais adiante, atravessámos o rio para a margem esquerda, passando sobre umas tradicionais poldras, iniciando depois a subida em direção à aldeia de Rio de Onor, onde chegámos pouco depois.

O termo “Onor” poderá estar relacionado com antigas variantes da palavra “honra”, embora existam diferentes interpretações para a sua origem.

Já no interior da aldeia, houve ainda tempo para percorrer as suas ruas características, descobrir pequenos recantos cheios de autenticidade e, claro, colocar simbolicamente um pé em território espanhol.

O tempo disponível acabou por ser curto para tudo o que a região tinha para oferecer, mas o horário apertado obrigava-nos a seguir viagem em direção à cidade de Chaves, onde chegámos com algum atraso relativamente ao previsto.

Ainda assim, tudo estava controlado.

Chegados a Chaves, dirigimo-nos à já conhecida Pensão-Restaurante Flávia, onde realizámos um almoço tardio.

E o que dizer da “Flávia”?

Mais uma vez, fomos excelentemente recebidos e servidos, com a simpatia habitual do proprietário e restante equipa, que tão bem nos têm habituado ao longo dos anos.

A certa altura, fomos até surpreendidos com um momento musical, no qual o companheiro Manuel Rego também participou.

Curiosamente, alguém descobriu numa das paredes a bandeira do Vianatrilhos, recordando uma passagem anterior do grupo por aquele local, aquando de uma viagem vinda de Somiedo.

No final, e já com alguma nostalgia, iniciámos o regresso a casa, ficando a certeza de que, apesar da pouca ajuda de “São Pedro”, valeu plenamente a pena esta aventura pelas terras de Trás-os-Montes.

Até breve.

Isabel Sequeiros e Miguel Moreira Vianatrilhos