3.º Percurso – Percurso do Carvalho (Rio de Onor / Bragança)
Cerca das 08h30 saímos de Vimioso em direção ao local onde iríamos realizar o último percurso da aventura. Pelo caminho, estrada fora, e por sugestão do companheiro Fernando Pereira — que exerceu a sua profissão de médico por estas terras brigantinas — fizemos uma paragem na localidade de Outeiro para visitar a Basílica de Santo Cristo, classificada como Monumento Nacional desde 1927.
Trata-se de um templo do século XVII, cuja construção está associada à necessidade de afirmação de Portugal enquanto nação independente de Espanha. A sua história merece, sem dúvida, ser explorada com maior detalhe.
Terminada a visita, prosseguimos viagem, passando “apertadamente” pela localidade de Guadramil, até chegarmos a Rio de Onor, aldeia raiana junto à fronteira com Espanha.
Rio de Onor é uma das aldeias mais emblemáticas do concelho de Bragança e do Parque Natural de Montesinho, tendo sido eleita, em 2017, uma das 7 Maravilhas de Portugal na categoria de aldeia em área protegida.
O comunitarismo é uma das marcas identitárias de Rio de Onor e, juntamente com o seu dialeto próprio — o rionorês —, torna a visita a esta aldeia numa experiência única e enriquecedora.
Contudo, o objetivo principal da nossa presença era realizar uma das 9 caminhadas transmontanas. Assim, após os preparativos da praxe e aproveitando uma aberta no tempo, demos finalmente início ao percurso.
Ao abandonar a aldeia, seguimos inicialmente por um pequeno troço em alcatrão, entrando depois num estradão florestal a meia encosta do monte. Lá em baixo, no fundo do vale, avistavam-se os campos de cultivo que ladeavam o pequeno ribeiro.
Uma chuva miudinha ainda ameaçou cair com mais intensidade, mas acabou por não passar de um breve susto.
Descemos em direção ao rio para visitar um notável exemplar de carvalho-negral (Quercus pyrenaica), classificado como árvore de interesse público. Junto a ele foi tirada a tradicional fotografia de grupo, além de vários outros registos fotográficos.
Havia, no entanto, que continuar, pois já seguíamos ligeiramente atrasados em relação ao horário previsto.
Prosseguimos então junto ao rio, atravessando os famosos lameiros — terrenos herbáceos com ligeira inclinação para o curso de água, irrigados por pequenas levadas na parte superior, que garantem a humidade necessária ao longo do ano.
Mais adiante, atravessámos o rio para a margem esquerda, passando sobre umas tradicionais poldras, iniciando depois a subida em direção à aldeia de Rio de Onor, onde chegámos pouco depois.
O termo “Onor” poderá estar relacionado com antigas variantes da palavra “honra”, embora existam diferentes interpretações para a sua origem.
Já no interior da aldeia, houve ainda tempo para percorrer as suas ruas características, descobrir pequenos recantos cheios de autenticidade e, claro, colocar simbolicamente um pé em território espanhol.
O tempo disponível acabou por ser curto para tudo o que a região tinha para oferecer, mas o horário apertado obrigava-nos a seguir viagem em direção à cidade de Chaves, onde chegámos com algum atraso relativamente ao previsto.
Ainda assim, tudo estava controlado.
Chegados a Chaves, dirigimo-nos à já conhecida Pensão-Restaurante Flávia, onde realizámos um almoço tardio.
E o que dizer da “Flávia”?
Mais uma vez, fomos excelentemente recebidos e servidos, com a simpatia habitual do proprietário e restante equipa, que tão bem nos têm habituado ao longo dos anos.
A certa altura, fomos até surpreendidos com um momento musical, no qual o companheiro Manuel Rego também participou.
Curiosamente, alguém descobriu numa das paredes a bandeira do Vianatrilhos, recordando uma passagem anterior do grupo por aquele local, aquando de uma viagem vinda de Somiedo.
No final, e já com alguma nostalgia, iniciámos o regresso a casa, ficando a certeza de que, apesar da pouca ajuda de “São Pedro”, valeu plenamente a pena esta aventura pelas terras de Trás-os-Montes.
Até breve.