Trilho Levada de Víbora e Moinhos de Rei

Fácil
Trilho Levada de Víbora e Moinhos de Rei

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 28-03-2026
Localização Abadim - Cabeceiras de Basto
Ponto de Encontro Vitral
Hora de início 10.30
Hora do fim 14.30
Tempo total 4h 53m
Participantes 37
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Cabeceiras de Basto é um dos mais antigos e históricos concelhos do Minho, espaço de rara beleza que aos poucos começa a ser mais divulgado. É o caso do percurso da Levada de Víbora, uma experiência turística notável no caminho que serve a freguesia de Abadim — povoação portuguesa do município de Cabeceiras de Basto, a quem o rei D. Manuel I concedeu foral em 12 de outubro de 1514.

Partida

Cerca das 07h30 partimos de autocarro de Viana em direção a Vila do Conde, onde embarcaram companheiros oriundos da zona do Porto. Seguiu-se a viagem pela A7 até à saída para Arco de Baúlhe, passando por Cabeceiras de Basto e continuando a subir até à zona da praia fluvial da pequena barragem do Oural, alimentada pela Levada de Víbora — o local escolhido para o início da nossa atividade. Este local está devidamente assinalado com um painel informativo e dispõe de um agradável parque de merendas.

Mochilas às costas, despedimo-nos da Guilhermina e do Videira que, impossibilitados de caminhar, não quiseram perder a oportunidade de dar um pequeno passeio por Cabeceiras, visitando a localidade.

A Levada de Víbora

Subindo ao longo da levada, começámos a caminhar acompanhados pelo som tranquilizante da água corrente da Levada de Víbora.

A área regada pela levada ronda os 40 ha, divididos entre cerca de 130 campos. A água é derivada da ribeira de Busteliberne por meio de uma presa designada «Açude de Víbora», reconstruída em betão no início dos anos 70 do século XX. Esta água é conduzida até à aldeia de Abadim por um canal — a levada — de 5,3 km, sendo depois repartida entre os cerca de 60 regantes. Os recursos da levada provêm do caudal da ribeira, dividido entre as águas da chuva que escoam diretamente e as águas infiltradas que voltam a nascer em toda a bacia acima do açude. Situada entre os 900 m e os 1130 m de altitude, esta zona tem uma superfície de cerca de 200 ha. Apesar de mais próximas, outras possíveis bacias de captação foram preteridas, ora pelos recursos limitados, ora por se encontrarem fora do território da freguesia.

Área de Lazer dos Moinhos de Rei

Caminhando sempre ao longo da levada, ouvindo o seu cantar e embrenhados pela floresta luxuriante, fomos passando por vários moinhos até chegarmos à Área de Lazer dos Moinhos de Rei.

Esta área proporciona aos visitantes, para além do usufruto do parque de merendas, um posto de fomento cinegético (com perdizes e codornizes), um cercado de veados — que visa a reintrodução do veado na Serra da Cabreira — e, naturalmente, vários locais com vistas panorâmicas.

Os moinhos foram construídos no reinado de D. Dinis, o primeiro rei que, no nosso país — sobretudo no Entre-Douro-e-Minho —, incentivou e desenvolveu a indústria da moagem, até então realizada quase exclusivamente pelo esforço do homem ou de animal, esmagando o cereal primeiro entre duas pedras e recorrendo depois ao pilão e ao gral. A invenção dos moinhos de água (azenhas) abriu uma nova era na moagem, atividade antes assegurada pelo moinho de braços.

Porto de Olho e Miradouro

Os primeiros cerca de 3,5 km foram percorridos ao longo da levada, até que a tivemos de deixar para nos dirigirmos ao pequeno lugar de Porto de Olho e, subindo, ao espetacular miradouro instalado no cimo de uma elevação com uma pequena ermida.

Neste local foi tirada a fotografia de grupo, após o que regressámos ao povoado e continuámos por breves momentos em alcatrão, admirando os belos prados de Lima. De seguida, apanhámos um estradão florestal e empreendemos o regresso, sempre sob a floresta e acompanhando a ribeira de Busteliberne, até chegar à Zona de Lazer da Víbora — belo parque, também muito frequentado para piqueniques.

Regresso

Havia, porém, horário a cumprir. Lá fomos, num sobe-e-desce constante, até que um pequeno acidente com uma companheira nos levou a providenciar socorro com o autocarro. Alguns ficaram com a acidentada — felizmente sem consequências graves.

O restante grupo continuou a caminhada por entre um carvalhal, até ao final, atingindo a Área de Lazer do Oural. Ainda houve tempo para uma breve troca de roupa e para recolher as últimas fotografias.

Almoço e Regresso a Viana

Já com todos dentro do autocarro, seguimos para Cabeceiras de Basto, onde no restaurante Basto Vila realizámos o almoço — um pouco tardio, mas servido de forma excelente, em alegre convívio.

Nota Final

Na minha opinião, trata-se de um percurso muito bem marcado e extraordinariamente bonito, que não cansa repetir pela sua envolvência singular. Recomenda-se a visita em meados da primavera ou no outono.

Miguel Moreira Vianatrilhos