Por Brandas da Serra do Soajo

Foto do grupo Vianatrilhos
Percurso circular com início no Parque de Campismo, junto da Branda da Travanca, seguindo por trilhos e calçadas e passando por locais históricos como a Branda de Currais Velhos, a Branda de Cobernos, a Branda da Cova e a Cabana da Urzeira. Durante o percurso, atravessou riachos, matas encantadas e áreas de pastoreio abandonadas.

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 08-02-2025
Localização Soajo
Hora de início 9:30
Velocidade média 2,2 km/h
Distância total 9,61 km
Participantes 45
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Estava uma manhã fresquinha (cerca de 2 graus Centígrados) e, apesar de prometer chuva, S.Pedro decidiu fazer-nos a vontade permitindo que fossemos dar a nossa voltinha por Brandas da Serra de Soajo. Bem agasalhados e preparados com bastões e alguns guarda-chuvas, 44 foram os companheiros que decidiram comparecer para mais uma aventura.

Partimos, pelas 9h e 30m, junto à Branda da Travanca, hoje não acessível, por estar no interior de um parque de campismo. Subindo um pouco, chegámos à calçada por detrás da casa florestal aí existente (agora edifício de apoio do, já referido, parque de campismo). O trilho estava relativamente limpo, pelo que a progressão foi simples, com os devidos cuidados devido à calçada estar molhada e haver algum gelo em lugares mais abrigados.

Subindo, serra acima, chegámos junto da Branda de Currais Velhos, que encontrámos envolta em densa vegetação. Outrora estaria sob um extenso pinhal onde o gado e os pastores se refugiavam. Agora, depois de anteriores incêndios e abandono, os cortelhos quase não se veem tapados pelos silvados e outras vegetações invasoras. Mesmo assim, conseguimos fazer um pouco de corta mato e fomos apreciar um cortelho bastante grande e em condições razoáveis, bem escondido. Retomámos a subida, pela calçada, acompanhados pela belíssima paisagem dos montes circundantes e aproveitámos para "matabichar", uma vez que do pequeno almoço já se havia perdido a memória. Não tardámos a entrar numa zona arborizada, cujas árvores de folha caduca apresentavam uma beleza diferente com os seus troncos cobertos de musgos e líquenes dando um ar de floresta encantada onde só faltava aparecer um duende traquina para nos pregar uma partida.

Mais à frente tivemos de atravessar a Ribeira de Vilela para continuarmos a subir mais um pouco, junto a um muro de pedra (que separava a antiga floresta da zona de pastoreio que atravessámos pela abertura/porta aí existente). Chegámos, então, a um a zona de planalto onde recuperámos as forças perdidas na subida e pudemos apreciar as serranias à volta. Rumámos à esquerda para visitarmos a Branda de Cobernos (para as gentes de Cabana Maior) e Cortelhos de Vilela ou Branda de Jugadoiro (para os soajeiros). Na verdade trata-se de um abrigo dos pastores de Vilela das Lages, meio escondido numa vertente acentuada e com uma vista soberba sobre os vales vizinhos. Após termos apreciado o local e a paisagem envolvente com o Cabeço dos Bicos à nossa frente, regressámos ao planalto para continuarmos descendo até à Branda da Cova, um local de solos férteis e água em abundância, onde é costume pastarem vacas e cavalos. Os cortelhos, de pedra solta, estão abandonados. Construíram, há pouco tempo, uma represa para acumular a água que é abundante naquela zona. Junto a esta branda há o refúgio da Branda da Cova que tem beliches e uma cozinha com lareira: um belo lugar para retemperar forças e apreciar a bonita paisagem envolvente. Aproveitámos este local para tirar a foto de grupo.

Da Branda da Cova seguimos em direção à cabana da Urzeira, a distância é relativamente curta e o terreno praticamente plano. Ao nosso lado direito o imponente alto do Guidão exibia a sua vertente este.

Pouco depois, chegámos à cabana da Urzeira que é das mais bonitas cabanas do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), de onde se tem uma das mais belas panorâmicas da serra do Soajo. A cabana foi totalmente recuperada, sendo uma valência de abrigo de montanha, proporcionando aos caminheiros um refúgio de proteção às intempéries, bem como um local ótimo para a contemplação da natureza. Junto a esta cabana existe uma fonte de água potável. Foi aqui que fizemos a pausa para almoçar e tomar o delicioso café com que a nossa companheira Lúcia sempre nos presenteia. Ainda cantámos os parabéns a um caminheiro solitário que ali estava a grelhar uma posta de carne (provavelmente Cachena) para festejar o seu 63.ª aniversário.

Disse-nos que costuma fazer isso, sempre sozinho, todos os anos e que, por vezes, vem no dia anterior e ali pernoita no abrigo. Entretanto o tempo começou a escurecer e, ao longe, podíamos ver algum nevoeiro a descer. Então, apesar de termos planeado a subida ao Alto do Guidão, tivemos de abandonar esse desvio para evitar algum problema maior.

Começámos a descida por um caminho algo difícil pois as chuvas terão arrastado a terra, deixando-o muito pedregoso. Tendo em frente o Vale do Lima onde o rio que lhe deu o nome parecia um espelho em forma de serpente, descemos até uma pequena floresta, local aprazível para descansar e onde se procedeu à cerimónia de batismo dos 7 novos companheiros de caminhada, sendo eles, por ordem de batismo: Judite Neiva, Juca Ferraz, Ana Borlido, Célia Ribeiro, Pedro Teixeira, João Soares e Adelina Antunes.

Acompanhava-nos uma chuvinha “molha tolos” que nos fez apressar o passo. Mais uma pequena subida e encontrámos um pastor que tinha vindo ver se o lobo teria matado algum do seu gado mas felizmente não tinha baixas. Mais adiante passámos pela Branda da Poula da Afilhada, bastante danificada e da qual só restam vestígios (poula quer dizer “prado dedicado a pastoreio”). Enquanto caminhámos num misto de caminhos de terra, trilhos de pé posto, calçadas de pedra e estradões florestais, fomos encontrando cortelhos, cardenhas, abrigos ou casarotas e brandas (aglomerado de cortelhos), por toda a zona que percorremos o que mostra sinais de muita atividade pastorícia doutros tempos. Os aglomerados de abrigos sazonais devido à necessidade que os antigos tinham de utilizarem os pastos localizados na serra para alimentarem o gado nos meses de Verão. Estes lugares transpõe-nos para outros tempos num ambiente bucólico, místico e, por momentos, conseguimos imaginar os dias aqui vividos, o atarefado dia a dia dos brandeiros na lida do gado e dos campos … tempos difíceis, esses … Finalmente regressámos aos carros para rumarmos à etapa final, esta com menos exigência física – petiscar. E, coube a sorte, à Tasca do Chameau onde recuperámos as calorias perdidas e, quiçá mais algumas...

Rita Bettencourt Vianatrilhos