Caminhada de S.de Martinho. Passadiços e Cascatas do Rio Cabrão

Foto do grupo Vianatrilhos
Percurso circular com início na Igreja Paroquial de Rio Cabrão, seguindo pelos passadiços até ao miradouro da cascata. Subida até Vaqueira, passando pelo carreiro até à Poça do Couto, atravessando a "floresta encantada". A descida fez-se pelos lugares de Fonte, Balouta, Outeiro, até ao Miradouro e Baloiços de Penouços, antes de chegar ao ponto de partida em Portela.

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 09-11-2024
Localização Arcos de Valdevez
Hora de início 09:15
Hora do fim 14:15
Tempo total 5h 06m
Velocidade média 3,8 km/h
Distância total 12,25 km
Participantes 47
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O rio:

O Rio cabrão cuja origem do nome não se sabe de onde vem. Há quem diga que deve vir de Cabrum, que seria rochoso, nasce no território da freguesia de Miranda concelho dos Arcos de Valdevez. Apesar do seu curto curso de água, não ser muito extenso (12km), apresenta a particularidade, de se precipitar furiosamente por um declive acentuado de um vale rochoso e extenso, formando belíssimas cascatas naturais numa paisagem verdadeiramente arrebatadora.

Na altura das chuvas, o caudal aumenta e as quedas de água tornam-se lindíssimas. Por onde este rio passeia, até se encontrar com o rio Lima (Boca do Cabrão), predomina o minifúndio minhoto, suporte da economia familiar, que tanta ajuda tem dado, nos períodos nefastos das crises económicas.

A freguesia: Rio cabrão é uma povoação portuguesa do Município de Arcos de Valdevez.

Em 1258, na lista das igrejas situadas no território de Entre Lima e Minho, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, São Lourenço de Rio Cabrão á citada como uma das igrejas pertencentes ao bispado de Tui. Era então denominada “Santo Laurentio”.

Em 1320, no catálogo das mesmas igrejas, mandado efetuar pelo rei D. Dinis, para pagamento da Taxa, São Lourenço de Rio Cabrão, então denominada São Lourenço de “Rodalhi”, foi taxada em 50 libras.

Em 1444, D. João I conseguiu do Papa que o território, de Entre Lima e Minho passasse a pertencer ao bispado de Ceuta. Mais tarde, em 1512, toda a comarca eclesiástica de Valença passou para o arcebispado de Braga, recebendo em troca o bispado de Ceuta, D. Henrique, a comarca de Olivença.

Em 1546, no memorial feito pelo vigário da Comarca de Valença, Rui Fagundes, no tempo de D. manuel de Sousa, São Lourenço de Cabrão estava anexa, juntamente com São João de Parada, ao Mosteiro de Ázere. No censual de D. frei Baltasar Limpo, na cópia de 1580 São Lourenço de Cabrão era anexa perpetuamente. Eram-lhe também anexas São João de Parada e santa Maria de Paços e São Cosme de Ázere. Segundo américo Costa, foi vigairaria da apresentação do reitor de Ázere.

Em termos administrativos, a Freguesia de Rio Cabrão esteve anexa à de Cendufe nos anos de 1864 a 1900.

A freguesia de Rio Cabrão foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à Freguesia de Madalena de Jolda, para formar uma nova freguesia denominada união das Freguesias de Jolda (Madalena) e Rio Cabrão com sede em Madalena de Jolda.

Festas e romarias: Santo António e S. Lourenço (10 de agosto).

Comemoração de São Martinho:

São martinho nasceu na Hungria em 316 e faleceu em 397, mas foi em Tours, onde este soldado do império romano morreu e onde está sepultado que no dia 11 de novembro, que a devoção nasceu. Durante a Idade Média, milhares faziam peregrinações até à cidade francesa para rezar pelo Santo e encomendar as suas boas graças.

Conta a lenda que, num dia de frio de outono do ano de 337, o cavaleiro martinho, encontrou na rua, ao frio, durante uma tempestade, um homem que lhe mendigou uma esmola. Martinho, que não trazia dinheiro, rasgou o manto que tinha às costas e deu-o ao mendigo.

O milagre aconteceu. A chuva e o frio desapareceram nesse momento e o sol apareceu, dando origem ao “verão de São Martinho”

Martinho tomou então, a decisão de deixar o exército e tornar-se monge, ajudar os mais desfavorecidos e espalhar a fé cristã na Europa.

O Percurso: Às vezes procuramos fora da nossa zona, percursos, em busca de locais, esquecendo ou não sabendo, que bem perto de nós existem recantos maravilhosos. Que bonito foi este percurso, pena foi não o termos podido realizar com mais tempo, explorando melhor todos os seus recantos.

O dia apresentou-se limpo com sol e uma temperatura muito boa para caminhar.

Vindos de vários pontos, lá nos encontramos no local combinado, estacionando as viaturas nas imediações da Igreja Paroquial e a entrada para as Cascatas do Rio Cabrão.

Iniciado o percurso lá fomos ao encontro dos passadiços e cascatas do pequeno Rio Cabrão que logo nos foi presenteando com bonitos recantos e sucessivas quedas de água, parando de quando em vez para obtenção de registos fotográficos. Atingido o final dos passadiços local com um extraordinário miradouro onde cada um pode admirar a bela cascata, logo começamos a abandonar o rio, continuando a subir através de um ingreme carreiro devidamente protegido e que bastante nos auxiliou. Mais acima chegamos a um caminho florestal, por onde caminhamos um pouco no sentido inverso, na busca de um desvio que se tornou um pouco difícil de encontrar. Sempre embrenhados na floresta continuando subindo através de um estreito, mas bonito carreiro, atingimos o lugar de Vaqueira, onde houve um pouco de tempo para se falar com alguns naturais e fazer um ligeiro reabastecimento. A vista para Norte era bonita com a encosta da serra semeada de pequenos aglomerados de habitações, para poente oportunidade para divisar o lugar de Vacariça já várias vezes por nós visitado. Continuamos novamente subindo embrenhados na floresta até se atingir o ponto mais elevado do nosso percurso na denominada “Poça do Couto”, belo local muito procurado para início de várias atividades. Na altura outro grupo de caminheiros abandonava as viaturas iniciando o seu percurso em direção de Miranda. O nosso caminho era penetrar agora através da mata da “floresta encantada”, pisando o grosso tapete das folhas caídas, nesta altura do ano um pouco despida, mas que nem por isso deixa de ter grande beleza. Aqui encontramos a companheira Isabel Sequeiros que integrada numa organização da Câmara de Arcos de Valdevez andava na recolha de cogumelos.

Regressados à Poça do Couto, iniciamos a descida do no nosso percurso, pois havia que controlar as horas para o almoço convívio de S. Martinho. Cruzamos os lugares de Fonte, Balouta e Outeiro pertencentes a Padreiro (Sta. Cristina), belos miradouros para o vale do Lima e mais além ainda, locais bem arranjados com uma exposição solar excelente, bem protegidos dos ventos Norte. Um pouco mais abaixo lá fomos ao encontro do Miradoiro e Baloiços de Penouços instalados num miradouro de grande extensão de onde a vista se perde pelo vale do Lima. Aqui houve um pouco de tempo para “balouçar” e as respetivas fotos de registo. Mas havia que continuar, pois o controle das horas assim o obrigava, mas eis que toca o telemóvel e uma parte do grupo tinha seguido por caminhos errados. Após breve conversa lá ficou combinado que continuariam seguindo por caminhos diferentes até ao objetivo final. Nós, após breve conferência também optamos por seguir por outro caminho, encurtando um pouco a dificuldade, mas retomando o percurso um pouco mais abaixo no lugar de Portela, por onde através de um estreito mas bonito carreiro, fomos descendo até atingir a estrada no local onde havíamos iniciado esta nossa pequena aventura, e onde já se encontravam os outros.

Mochilas arrumadas nas viaturas, pequena troca de conversas, já dentro das viaturas lá fomos até Gondar (Caminha)onde no Café Felix nos esperavam já outros companheiros/as.

O Convívio de S. Martinho

Em Portugal, o Outono e a chegada efetiva do tempo frio são comemorados no dia 11 de novembro, dia de S. Martinho. A tradição manda que, de norte a sul, se comam neste dia castanhas, se beba vinho novo produzido da colheita do verão anterior e água-pé.

11 de novembro é o dia em que, tradicionalmente, a família se reúne para celebrar a chegada do tempo frio que se antecipa com as celebrações do S. Martinho. Esta celebração tem vários costumes associados que valem a pena lembrar, festejar e saborear…

Antigamente e ainda hoje é possível verificar-se nalgumas localidades, grupos de amigos e famílias se juntam à volta de uma fogueira onde as castanhas estão a assar, para também beberem a jeropiga, ginjinha ou água-pé.

A par do que se come, também é tradição o entoar de cânticos e, para uma tradição mais vincada, as brincadeiras entre amigos passam por se enfarruscarem uns aos outros com as cinzas.

  • Beber do vinho novo (guardado após as vindimas), o chamado vinho de S. Martino;

  • Acender fogueiras: os chamados fogos de S. Martinho;

  • Organizar Magustos, festas populares onde se juntam grupos de familiares e amigos para assar e comer castanhas.

Que dizer de como correu o convívio? Comida excelente com boas carnes bem cozinhadas, ajudaram ao BOM ambiente, num excelente convívio comemorativo do nosso S. Martinho VT.

A ementa: - Entradas diversas da região (presunto, chouriça da serra D’Arga) Boroa e pão - Cozido à Portuguesa - Sobremesas com leite creme, arroz-doce e bolo de bolacha - Vinhos, tinto maduro, Vinhão, verde branco e a tradicional jeropiga, água e sumos. - Castanhas

Antes do final tempo ainda para realizar mais um Batizado VT, ao som do tradicional “Arriumporum Boataabaixorum” desta vez ao novo caminheiro Luís Morais, tendo sido padrinho Luís Carvalhido e madrinha a Fernanda Carvalhido. Mas havia que regressar a casa, o que aconteceu após as respetivas despedidas.

Até à próxima atividade, estejam atentos.

Miguel Moreira Vianatrilhos