Escapadela de Fim de Semana a Tábua e Penacova. Trilho dos Passadiços Gaios

Foto do grupo Vianatrilhos
Percurso linear, tendo inicio no Seixos Alvos.Passando Passando Pela Varzielas. Passando pelo Vale dos Gaios, junto ao Ribeiro de Cavalos. Depois Chegamos a Geraldo, e daqui Vila Nova do Oleirinha,final do Percurso

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 19-10-2024
Localização Penacova
Hora de início 10:30
Hora do fim 15:20
Tempo total 5h 18m
Velocidade média 2,3 km/h
Distância total 12,56 km
Participantes 50
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No dia 19 (sábado), partimos de Viana do Castelo como habitualmente do Café Vitral, pelas 7h da manhã.

Fomos ao encontro dos nossos companheiros que nos aguardavam em Perafita para, então, iniciarmos a viagem para a tão esperada escapadela de fim de semana.

Para este dia, o percurso escolhido foi o “Trilho dos Passadiços dos Gaios”. Uma parte do grupo iniciou o trilho logo em Seixos Alvos, enquanto outra preferiu iniciar mais à frente, junto à zona de lazer e praia fluvial de Gaios.

O trilho foi muito agradável pela sua verdura, frescura e paisagem bem como pelas pequenas cascatas e lagoas que se vão formando ao longo do leito do rio de Cavalos, o selvagem afluente do rio Mondego. Chamam-lhe “o rio que se esconde”, pois por vezes desaparece debaixo dos penedos como se estivesse a jogar ao esconde-esconde embora se continue a ouvir o ruido das suas águas. Ao longo do trilho, somos presenteados com os multicoloridos passadiços de madeira construídos apenas em locais de difícil passagem e que alternam, e ainda bem, com muitos caminhos verdadeiramente naturais. Podemos observar vestígios de antigas azenhas que eram alimentadas pela força das águas deste pequeno, mas sinuoso, rio. Continuando a caminhada, chegámos à milenar Ponte Romana de Sumes, construída sobre o Rio de Cavalos, e assente diretamente no afloramento granítico e que funcionou, provavelmente, como elo de ligação da civitas romana da Bobadela (Elbocoris ou Velladis) à civitas de Viseu (Vissaium). Esta ponte está classificada como imóvel de interesse público.

Atravessada a ponte seguimos, por uma subidinha algo exigente, em direção à aldeia de São Geraldo. Pelo caminho, ainda pudemos apreciar a sui generis Bica das Águas Sulfurosas (ou enxofradas). Diz-se que esta água tem poderes curativos para maleitas da pele (acne, eczemas crónicos, psoríase, dermatoses diabéticas, piodermites, síndromes varicosas) de problemas dos ossos (artrites crónicas, espondiloses, espondilatroses) e do foro respiratório (sinusites, rinites, bronquites crónicas e diversos problemas alérgicos) - “Historicamente, é uma fonte muito antiga à qual vinha gente de todo o lado colher esta água e lavar-se com ela. Nas gentes mais idosas da aldeia de S. Geraldo, conta-se que nos inícios do século XX, era costume virem senhoras das cidades para aqui se instalarem e tratarem das suas maleitas da pele. As mulheres da aldeia carregavam a água à cabeça e subindo à aldeia para encher as banheiras nas quais as senhoras citadinas entrariam”.

Chegámos a São Geraldo, uma aldeia que tem por tradição a Festa dos Rebanhos e dos Pastores no domingo seguinte ao de Páscoa, domingo de Pascoela onde, logo pela manhã, nas povoações limítrofes, o barulho dos chocalhos e a visão dos enormes rebanhos enfeitados com pompons de lã coloridos, a caminho da Capelinha onde se cumpria a promessa, que consiste em dar três voltas à mesma e apenas três. São Geraldo é o santo ligado à proteção na maternidade, na fertilidade e em algumas doenças. Supõe-se que os pastores pratiquem este ritual único, para proteger os rebanhos dessas doenças e pedir a fertilidade dos mesmos.

Começou uma chuvinha leve mas persistente, o que não impediu que almoçássemos pois abrigámo-nos nas instalações exteriores da Associação Cultural da localidade. Após o almoço continuámos o caminho passando, entretanto, por um lugar de nome Ribeira – Aldeia Madeiro onde, e para contentamento de alguns, houve a possibilidade de tomarem um café quente num espaço improvável. Retemperados e animados pela cafeína prosseguimos os restantes 3 kms até Vila Nova de Oliveirinha onde o autocarro nos aguardava para nos levar ao Centro Interpretativo de Bobadela onde vimos um documentário dedicado ao tema sobre esta antiga cidade romana. Bobadela - Splendissima Civitas – que já foi cidade romana (fundada no tempo de Augusto, o primeiro imperador de Roma) cuja riqueza se dividia entre o azeite, o vinho, o ouro, a abundância de água, as terras férteis e onde ainda se podem observar remanescências romanas: o arco monumental romano (arco de volta perfeita, situado mesmo em frente à Igreja de Nossa Senhora da Graça, uma das “portas de entrada” para o fórum), classificado como Monumento Nacional; vestígios do Anfiteatro com forma elíptica e talhado num afloramento rochoso, cuja a arena foi um espaço lúdico onde decorreram jogos e lutas de gladiadores para entretenimento da população local que ocuparia bancadas, provavelmente, feitas de madeira. Pudemos observar alguns artefactos encontrados aquando das escavações, bem como moedas e várias amostras de cerâmica de épocas diferentes.

De seguida, dirigimo-nos para o antigo solar onde viveu, no princípio do século XIX, o general Gomes Freire de Andrade e onde está instalado o museu Municipal Dr. António Simões Sampaio. Este homem, que foi presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, deixou o seu espólio familiar e outros itens que recolheu da etnografia local, tornando este espaço um verdadeiro tesouro para quem aprecia a arte e a história. Cada sala do museu representa um espaço diferente: cozinha, sala, quarto, o escritório do escritor Brás Garcia de Mascarenhas que escreveu Viriato Trágico, a representação de uma sala de tribunal, representações dos principais ofícios e atividades económicas da região, objetos do quotidiano, vestuário típico, obras de pintura e escultura, e outros elementos que nos fazem viajar por outros tempos e explorar em detalhe a história da região e das suas gentes.

Rita Bettencourt Vianatrilhos