Trilho do Monte Carvalho - Valença

Foto do grupo Vianatrilhos
Percurso circular, com inicio junto da Igreja Sta. Maria, na Freguesia da Silva-Valença. Saímos por caminho asfaltado e rural. E depressa chegamos à Torre da Silva, onde paramos. Aqui a Sra. Mafalda dona da Quinta nos fez uma visita guiada. De seguida continuamos e passamos a Igreja de S. Julião. Depois por caminhos rurais, chegámos à Capela de S. Gabriel de Fontoura, onde se fez uma pequena paragem. Depois seguimos por um caminho, também comum ao Caminho de Santiago, até à igreja de Fontoura, onde paramos para almoçar. Daqui foi um instantinho até ao nosso ponto de partida/fim.

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 20-04-2024
Localização Valença
Hora de início 9:25
Hora do fim 14:30
Tempo total 5h 5m
Velocidade média 2,42 km/h
Distância total 13,33 km
Participantes 30
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"Os solares, as torres medievais, os vinhedos"

O percurso escolhido para este dia foi o Trilho do Monte Carvalho – "Os solares, as torres medievais, os vinhedos", um percurso sobretudo histórico-cultural. Este trilho foi baseado num dos percursos pedestres da Câmara Municipal de Valença que, infelizmente, não tem marcações. Não fora o trabalho de casa de alguns membros do grupo (estudo da zona e desenho do percurso sobre mapa militar), dificilmente se conseguiria concretizar tal percurso.

Início do Percurso - Igreja de Silva

Começámos junto da igreja paroquial de Silva, dedicada a Santa Maria. Este monumento religioso, de arquitetura barroca com planta longitudinal e nave única e uma torre sineira maior do que é habitual, bem mais alta que a fachada da igreja, foi construído no século XIII.

Desenvolvimento da Caminhada

Depois da concentração, descemos pela avenida de Santa Maria e por caminhos rurais onde ainda podemos ver algumas casas habitadas, no meio de muitas outras já há muito abandonadas, sinal evidente da desertificação que está a tomar conta destas paragens.

Os campos verdinhos, culturas de abacate, vinhedos de alvarinho e terrenos lavrados acompanharam quase todo o percurso, bem como vários regos de água corrente e fresca resultantes da intensa chuva que tem abençoado esta terra.

Apreciámos uma estátua alegórica ao Rancho Folclórico, edificada junto à estrada e próxima dos campos de lavradio.

Torre da Silva

Em pouco tempo chegámos à Torre da Silva, pertencente à senhora D. Mafalda Castro que, por ser amiga do nosso companheiro o arquiteto Fernando Barroso, nos recebeu e serviu de cicerone nos terrenos da sua linda propriedade.

História da Torre

Contou-nos que esta Torre de defesa foi mandada construir em 1147 por D. Guterres Alderete da Silva, um rico-homem galego que também mandara construir uma casa acastelada, já desaparecida, em Alderete, lugar da freguesia de Cerdal, onde residira com sua família nos tempos do então Condado Portucalense.

Disse que Silva foi assim denominada porque quando D. Guterres Alderete chegou a esta terra a encontrou coberta por silvas, adotando também o apelido Silva.

Características Arquitetónicas

Acrescentou que a torre teria um fosso, agora aterrado, e que a escada junto à torre terá sido construída no século XIV com a colocação das pedras em encaixe com travamento denteado (neste caso um dente muito raro).

Também disse que a ligação entre a torre e a casa (antiga casa de caseiros) foi construída com o intuito de manter exequível o uso da torre (onde a família tem uma sala e uma belíssima biblioteca com boas vistas, que não visitámos por ser de uso privado) e de forma a que não destoasse da traça original.

Referiu ainda que parte da Torre terá desmoronado, sendo restaurada no século XVII, mantendo a traça original mas com menor altura (pois já não seria necessária para defesa) e com abertura de janelas onde provavelmente estariam seteiras.

A fachada da Torre ostenta o brasão dos condes de Priègue que estarão ligados à família Silva por casamentos.

Capela de São Gabriel

Após esta enriquecedora visita, agradecemos à simpática anfitriã e continuámos a nossa caminhada, continuando por São Julião da Silva. Após uma pequena subida, chegámos à Capela de São Gabriel, em Fontoura, onde pudemos desfrutar de uma maravilhosa vista panorâmica.

Elementos da comissão de festas de São Gabriel procediam ao desmancho de um porco destinado a um almoço de angariação de fundos para que no último fim de semana de agosto possam fazer a festa ao santo de sua devoção.

Aproveitámos este local para fazermos o nosso lanche matinal, pois o estômago começava a solicitar algum alimento.

Caminho de Santiago

Já reconfortados, recomeçámos a caminhada, cruzando-nos com o Caminho Central de Santiago e percorrendo um segmento deste. Voltámos a entrar em zonas de campos agrícolas e deixámos para trás o Caminho de Santiago.

Capela do Senhor dos Aflitos e Igreja de Fontoura

Continuando este percurso, passámos pela capela do Senhor dos Aflitos e, logo a seguir, à igreja de Fontoura, onde fizemos mais uma paragem e almoçámos.

Houve descanso e chocolates que alguns companheiros tiveram a delicadeza de trazer para adoçar o café com que o casal Rocha nos costuma mimar.

Batismo de Nova Caminheira

Procedeu-se ainda à cerimónia de batismo da Rosa Lima, uma nova caminheira que é muito bem-vinda ao grupo.

Cruzeiro Paroquial

O dia estava bastante quente e já ansiávamos por uma sombra, mas antes de finalizarmos o percurso ainda pudemos observar o cruzeiro paroquial, elaborado em granito, datado de 1547 e caracterizado pela geometria da decoração, rigidez e falta de expressividade das esculturas, em que figuram o Senhor na Cruz, numa face, e Nossa Senhora, na outra face.

Final do Percurso

O costumeiro lanche foi no café Capela em Dem, onde demos por finalizado o dia com um champarrião, excelentes asinhas de frango, rojões e outros petiscos variados.

Rita Bettencourt Vianatrilhos