Trilho das Brandas e Socalcos de Sistelo

Foto do grupo Vianatrilhos
Percurso circular, com inicio na Aldeia de Sistelo, na estrada nº 202-2. Iniciamos a subir por caminho rural e de seguida por caminho florestal, sempre a subir até à Branda do Rio Covo. De seguida por meio de um bosque com muita variedade florestal, chegamos à Branda do Alhal. Daqui foi sempre a descer até Padrão e postriormente continuamos a descer novamente até à estrada nº 304, onde passamos a ponte por cima do Rio Vez.Andamos um pouco pela estrada e voltamos à esquerda por meio de floresta até chegarmos novamente ao Rio vez. Passamos novamente o mesmo e subimos por uma escadaria ingreme até à Igreja de Sistelo. Daqui foi um instante até chegar ao local onde começamos esta caminhada.

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 20-01-2024
Localização Sistelo
Hora de início 09:30
Hora do fim 15:26
Tempo total 5h 56m
Velocidade média 4,5 km/h
Distância total 10,69 km
Participantes 25
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O primeiro trilho de 2024, denominado Caminhada de Ano Novo, foi o "Trilho das Brandas e Socalcos de Sistelo" que começou e terminou em Sistelo, cuja origem remonta à época medieval.

História de Sistelo

Fala-se que já existiria em 1258 e que seria um pequeno povoado oferecido pelo fundador de Cabreiro à Ordem do Hospital. Como tal, essas terras encontravam-se isentas de fossadeira (tributo pago para se eximirem de ir ao fossado, ou seja, de acompanhar o rei na guerra, ficando livres do serviço militar), por pertencerem àquela ordem.

No entanto, os seus habitantes estavam sujeitos à anúduva (um imposto direto que consistia na obrigação de trabalhar na construção e reparação de castelos, de cavas, torres, muros e outras obras afins necessárias à defesa da terra, assim como nos paços ali edificados e para a estada do rei ou dos alcaides), e à cobertura da fronteira com Espanha, guardando o "porto de couso".

Esta aldeia mantém algumas características dessa época, destacando-se:

  • Os espigueiros
  • O cruzeiro
  • O fontanário
  • A igreja
  • Os seus socalcos moldados no terreno montanhoso para cultivo e condução das águas para o regadio

Ainda é de salientar o castelo construído no século XIX por Manuel António Gonçalves Roque, próspero emigrante no Rio de Janeiro e Visconde de Sistelo (título concedido por D. Luís I, Rei de Portugal, em 1880), agora centro interpretativo da biodiversidade do rio Vez e de promoção dos produtos locais.

Reconhecimentos

Atualmente, Sistelo venceu, na categoria Aldeia Rural (que abrange os lugares de Igreja, Padrão, Estrica, Quebrada e Porta Cova), o prémio "7 Maravilhas de Portugal" e também pela sua Paisagem Cultural (primeira vez que foi atribuído um reconhecimento deste género em Portugal), tornando-se Monumento Nacional desde dezembro de 2017.

Descrição do Percurso

Início da Caminhada

Estacionámos junto à EN 202-2 e iniciámos o percurso por um caminho empedrado entre casas rústicas e espigueiros. Logo nos primeiros passos percebemos que iria ser um percurso bem íngreme, com a calçada ziguezagueando para minorar o esforço. Este foi compensado pela belíssima paisagem verdejante com os seus socalcos em evidência.

Para além disso, fomos acompanhados pelo som de músicas de estilos variados (folclore, fado, música ligeira e até religiosa), que saía de altifalantes da igreja e animava a população, ecoando pela montanha.

Subida pela Montanha

Saindo da aldeia, continuámos por um carreteiro até chegarmos à estrada CM1289 que liga Sistelo a Padrão. Esta foi cruzada por duas vezes por ser uma estrada que acompanha as curvas de nível, até que chegámos a um poço onde rumámos à esquerda, continuando a infindável e íngreme subida.

À medida que subíamos, íamos apreciando a paisagem circundante e o arvoredo que começou a ser mais denso, com vários ciprestes a ladear o caminho.

Chã da Armada

Chegámos à Chã da Armada onde pudemos observar a beleza da paisagem circundante, onde várias éguas prenhes se deliciavam com um pasto rico e fresco. Também nós nos alimentámos com um lanche, pois já havíamos tomado a primeira refeição do dia há algum tempo.

Branda de Rio Covo

Passado um bocado, já com o estômago reconfortado, retomámos o trilho com destino à Branda de Rio Covo, desta feita por uma calçada irregular junto a um precipício que ladeia uma encosta do monte na margem direita do Rio do Outeiro. Pudemos apreciar a sua bela cascata (com 17 metros de desnível) no vale profundo escarpado onde corre este pequeno córrego, afluente do Rio Vez.

Daí a pouco desembocámos numa zona mais plana e percebemos que, finalmente, o mais difícil havia terminado. Seguimos mais uns metros e chegámos aos muros da Branda de Rio Covo, onde almoçámos junto a uma das cardenhas que estava restaurada e com porta fechada à chave (coisa dos tempos modernos), contrastando com outras construções em ruína.

Características da Branda de Rio Covo

Esta branda, com construções redondas, pertence a Sistelo e servia apenas para pastorear o gado, não tendo leiras de cultivo. É composta por cardenhas de um e dois pisos:

  • Um piso: para o gado
  • Dois pisos: serviam para acomodar os pastores no andar superior, onde acendiam lume para se aquecerem

Através do Bosque

Acabado o repasto, afastámo-nos desta branda e seguimos caminho por entre um belo bosque de coníferas, bétulas e outras espécies menos predominantes. Encontrámos o terreno muito alagado e o ar frio e húmido, devido à nascente da Corga da Saramangeira que ali se encontra.

Branda do Alhal

Mais à frente, já fora do bosque, seguimos por um carreiro num planalto constituído por matos rasteiros, sendo uma zona de pastagem à volta da branda do Alhal, que é uma branda de gado e de cultivo. Atravessámos a ponte da Corga de Lourenço, por onde caminhava uma vaquita que fugia de nós.

Esta branda, com a maioria dos abrigos de forma quadrangular, pertence ao lugar de Padrão e, atualmente, tem acesso automóvel.

Padrão

Atravessámos a branda, andámos um bocado pela estrada asfaltada e, mais à frente, virámos para uma calçada com lajes bastante gastas pela sua muita utilização, provavelmente por antigos carros puxados por gado. Descemos, sempre ziguezagueando para acompanhar os fortes desníveis, até chegarmos ao lugar de Padrão.

Este pequeno lugar está rodeado por socalcos onde se cultiva o milho e se produz feno e pasto para o gado bovino, especialmente das raças cachena e barrosã, à verdadeira maneira das aldeias de montanha minhotas.

Regresso a Sistelo

Após uma descida acentuada, chegámos à EN 202-2 que atravessámos, continuando por um caminho, também ele bem inclinado, paralelo ao rio Vez. Daí a uns minutos chegámos à velha ponte medieval de Sistelo, rumando à direita, continuando por calçadas, atravessando campos, lameiros e caminhos que mais pareciam pequenos córregos devido às fortes chuvadas dos dias anteriores.

Por esse motivo, os responsáveis pelo grupo procuraram alternativas para contornarmos esses obstáculos, tendo sido bem-sucedidos.

Mais adiante atravessámos a ponte nova de Sistelo, que está construída sobre uma antiga, e começámos a aproximação a Sistelo, novamente ao som das músicas que ainda ecoavam pelas cercanias.

Final do Percurso

Do nada surgiu uma escadaria abrupta que nos levaria até à igreja de Sistelo num último e penoso esforço, antes de chegarmos aos veículos que nos aguardavam há umas horas.

Sem mais delongas, rumámos para o Bar do Rio onde recuperámos todas as calorias perdidas e mais algumas, certamente...

Rita Bettencourt Vianatrilhos