Caminhada de Natal - Trilho Românico do Mosteiro de Bravães à Sra da Pegadinha
Percurso circular, com inicio no Mosteiro de Bravães. Começamos por atravessar a estrada nacional 203. Por caminhos rurais, passamos por Lavadouros comunitários,por cruzeiros, alminhas e pela Capela da Sra das Necessidades. Depois entramos em caminho florestal e seguimos junto a uma levada que serviu vários moinhos, agora em estado degradado.Depois foi sempre a subir, passando pelo lugar de Bruzende e chegamos à Sra da Pegadinha. Aqui após um ligeiro descanso, acompanhados de uma chuva "miudinha" persistente e quase sempre a descer, chegamos ao local de início desta caminhada.
O percurso escolhido para a já habitual Caminhada de Natal do VianaTrilhos foi o “Trilho do Românico de Bravães a S. Martinho de Crasto” – uma rota circular que liga os mosteiros românicos de Bravães e de S. Martinho de Crasto, ambos fundados durante a Idade Média, no conturbado período da afirmação da independência de Portugal. Estão localizados, respetivamente, nas freguesias de Bravães e de S. Martinho de Crasto, no concelho de Ponte da Barca.
Pelas 8h, rumámos até Bravães, onde nos reunimos junto ao Mosteiro de São Salvador de Bravães, datado da primeira metade do século XIII, embora apresente elementos do século XII. Pensa-se que este mosteiro terá sido coutado por D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, e terá acolhido monges até ao século XV, altura em que ficou reduzido a igreja paroquial, única construção atualmente visível. É Monumento Nacional desde 1910.
Partimos para a nossa caminhada contornando o mosteiro e, depois de atravessarmos a estrada nacional 203, seguimos o percurso pelo lugar da Porta, por entre campos de cultivo e casas, a maioria desabitadas.
Pelo caminho, fomos encontrando cruzeiros, alminhas e ainda a Capela da Senhora das Necessidades, marcas da religiosidade das gentes do Alto Minho.
Continuámos, ladeando um pequeno riacho e uma levada, indo ter aos quatro moinhos da aldeia, agora em ruínas, mas que foram de grande utilidade ainda em meados do século XX para as populações que ali iam moer o seu milho e/ou centeio para fazerem a broa. Os moleiros recebiam como pagamento uma parte do cereal, a que chamavam “maquia”.
Mais à frente, encontrámos um habitante local a limpar a antiga poça da aldeia, que servia para fazer funcionar os moinhos e para a rega. Esta poça, estrategicamente colocada, funcionava por ação da gravidade e ainda hoje é utilizada pelos agricultores para armazenar água.
Começámos então a subir por um caminho empedrado até ao lugar de Bruzende, onde fizemos uma paragem para tomar o lanche da manhã. Após este momento de descanso, retomámos o caminho com cuidado, pois este apresentava-se escorregadio.
Subindo por calçadas e carreiros, vencemos a subida e chegámos à Ermida da Nossa Senhora da Pegadinha, cuja lenda nos conta que:
“Em tempos idos, quando andavam três irmãos muito pobres no monte a guardar o gado, apareceu Nossa Senhora que lhes disse: ‘Ide para casa e abri a masseira. Tendes lá pão para comer.’
Incrédulos, sabendo que não havia farinha para amassar em casa, os meninos desceram a Bruzende e, tal como dissera a Senhora, lá encontraram que comer.”
Terá ficado no penedo da aparição uma Pegadinha, hoje desaparecida, mas recriada num pequeno penedo junto à capela.
Este é um local de romaria no primeiro domingo de agosto e na Festa de Santo Amaro, a 15 de janeiro, onde acorre gente das freguesias vizinhas em devoção.
Ainda se podem ver as argolas de metal no muro de granito, onde se prendia o gado cavalar, usado no transporte de gentes e merendas. Também observámos um carvalho centenário, que se diz ter servido como lugar de encontro de caçadores em tempos antigos.
O céu, que já vinha ameaçador, decidiu então libertar uma chuvada. Felizmente, já estávamos abrigados junto à capela e pudemos almoçar sequinhos.
Como o estado do tempo se agravava, decidimos não seguir até ao Convento de São Martinho de Crasto, deixando essa parte para uma próxima caminhada. Começámos a descer pela Rua da Carvalha, acompanhados por uma chuvinha persistente, e continuando por mais algumas calçadas escorregadias, chegámos ao final do percurso.
De seguida, dirigimo-nos para o restaurante em Cardielos, onde já tínhamos refeição marcada – era imperativo reabastecer os nossos estômagos famintos.
Alguns companheiros que não puderam participar na caminhada juntaram-se para a confraternização gastronómica, pois não se pode faltar a um compromisso destes.
Como não poderia deixar de ser, foi momento de fazer o “baptismo” a quem caminhava connosco pela primeira vez. Desta vez, calhou ao Fernando Malheiro.
Uma aventura muito interessante,tanto pela beleza do percurso como pelos legados históricos e religiosos que pudemos apreciar.