Trilho do Caminho dos Mortos (Merufe/Monção)

Foto do grupo Vianatrilhos
Percurso circular, com início na Capela do Sr. dos Passos em Merufe (Monção).Andamos um pouco no alcatrão e derivamos à direita por um caminho rural, sempre a subir até aos lugares de Lavandeiro e Arado, até chegar à estrada nacional. Saindo da estrada e entrando em caminho florestal, continuando a subir, passamos perto da Mamoa do Cotinho, até ao Alto do Pico do Cotinho.Depois foi sempre a descer até ao local de inìcio.

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 16-09-2023
Localização Monção
Hora de início 09:30
Hora do fim 15:32
Tempo total 6h 02m
Velocidade média 5,7 km/h
Distância total 17,8 km
Participantes 23
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Este foi o percurso escolhido para o reinício das atividades após o verão.

Bem cedo, rumámos a Merufe, freguesia do concelho de Monção, povoação antiga que foi comenda da Ordem de Cristo e reitoria do ordinário. O seu topónimo derivará do árabe e quererá significar “coisa conhecida”. Grande couto, nasceu e cresceu à sombra de um convento de freiras beneditinas e em volta da família dos Abreus, uma família coeva das lutas pela fundação da nacionalidade, ou mesmo do conde D. Henrique.

Merufe tem um mosteiro do qual se sabe que, em 1461, a abadessa D. Guiomar Rodrigues informou o rei D. João II da muita pobreza em que viviam e da falta de meios para sustentar a comunidade. O monarca, com autorização do Papa Xisto V, aceitou a renúncia da condessa, sendo então o mosteiro reduzido a igreja paroquial. As freiras foram mandadas para outros conventos da mesma ordem.

Outra curiosidade é o nome do “Trilho do Caminho dos Mortos”, que se deve ao facto de, antes da construção das novas vias rodoviárias, os funerais, desde os lugares mais montanhosos até à igreja paroquial, se fazerem por este caminho. Os finados eram transportados em carros de bois, demorando dias até chegar à igreja.

Além desta particularidade, podem-se encontrar ao longo do percurso vestígios das primeiras civilizações que assentaram nesta região no 4.º milénio a.C.

O percurso está inserido numa topografia de vale e montanha da Serra da Anta e tem o seu início no largo da capela do Senhor dos Passos, local onde existe um belo parque de merendas e parque infantil.

Começámos então a caminhar, rumando no sentido Norte/Sul, partindo do parque de merendas. Logo à frente, cruzando uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora dos Remédios, apanhámos uma antiga calçada e fomos-nos embrenhando através de muros repletos de musgo, acompanhando o rio Sucrasto.

Lá fomos subindo entre bosques de florestas mistas, alternando entre povoamentos florestais de resinosas, onde se pode encontrar uma grande diversidade de plantas. Sempre a subir, cruzando várias linhas de água, lá mais para cima passámos pelos pequenos lugares de Lavandeira e Arado, virando no sentido poente até atingirmos a estrada nacional.

Aqui se fez um breve descanso. O companheiro Miguel, devido a um problema físico, entendeu não arriscar — pois sabia o que esperava o grupo — e resolveu rumar ao início do percurso, caminhando pela estrada alcatroada.

Retomando o andamento, o grupo, depois de deixar o alcatrão, apanhou o trilho que, subindo novamente, cruzou o lugar de Bouças e continuou através de um bosque de cedros. Um pouco mais acima, passámos ao lado da Mamoa do Cotinho, vestígio de civilização do 4.º milénio a.C.

Sempre a subir, atingimos o Alto do Pico do Cotinho, local onde se iniciou a descida, agora no sentido Norte. As vistas que o percurso oferece são tipicamente serranas.

Descendo, cruzando algumas linhas de água, como o arroio da Chã de Fiais, mais abaixo cruzámos o pequeno lugar de Cernadas e, logo depois, novamente atingimos a estrada de alcatrão que liga a Portela do Alvite a Monção.

Sempre a descer, em breve atingimos o local de início do percurso.

Feito um merecido descanso e algumas mudas de roupa, ainda houve tempo para, num restaurante local situado na rotunda à entrada da freguesia, se fazer um lanche para retemperar as energias despendidas.

No final, feitas as despedidas, todos rumaram a casa.

Miguel Moreira Vianatrilhos