Escapadela aos Açores II

Foto do grupo Vianatrilhos
Face a limitações logísticas, esta expedição aos Açores decorreu fora do âmbito das atividades calendarizadas do grupo Vianatrilhos.

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 27-03-2023
Localização Açores
Hora de início 14:45
Hora do fim 19:08
Tempo total 4h 22m
Velocidade média 4,1 km/h
Distância total 8,7 km
Participantes 16

Segunda-feira, dia 27

O dia começou bem cedo para os dezasseis participantes desta incursão açoriana, mais precisamente às ilhas das Flores e do Corvo. As expectativas eram grandes e legítimas, fazendo esquecer as poucas horas dormidas. Os participantes oriundos de Viana (a maioria) organizaram a sua deslocação em três carros, que ficaram estacionados no aeroporto; os três que partiram do Porto, dada a proximidade, tomaram um táxi.

Com o passar do tempo, porém, alguma desilusão se ia instalando entre as hostes – a espera era longa e a hora de embarque tardava… Ao fim da manhã, chegava a notícia do dia, dada por um comprometido funcionário da SATA: o avião que nos iria transportar estava avariado! O dito aparelho carecia da substituição de algumas peças, as quais teriam de vir de Lisboa. Solução… todos, de autocarro, para o Hotel Crowne Plaza, no Porto, com distribuição de quartos para descansar, almoço e jantar no hotel.

Pela tarde, um passeio pela Avenida da Boavista, com a curiosidade dos que moravam no Porto a “fazer de turistas” na sua própria cidade, e telefonemas do tipo: “Não, querida, ainda não cheguei aos Açores, mas já vou a 500 metros de casa!...” Enfim, viajar sem sair do sítio.

Depois do jantar, cerca das 22,00h, lá seguimos para as ilhas – noutro avião, naturalmente, o que nos deu algum alívio.

Pelas 00,30h, hora local, aterrávamos em Ponta Delgada. Em vários táxis, dirigimo-nos para o Hotel Neat Avenida, no centro da cidade, onde ficamos alojados.


Terça-feira, dia 28

Bem cedo, à porta do hotel, éramos aguardados pelo Rui Pavão e pelo Bruno, conhecidos do nosso companheiro Abreu, prontos para nos conduzirem em duas carrinhas de oito lugares, num passeio pela ilha, antes do embarque previsto para o início da tarde.

Visita à “Ananás Santo António”, uma plantação de ananases em estufa, situada perto de Ponta Delgada. Guiados por uma simpática funcionária, tomamos conhecimento de alguns aspectos interessantes e segredos ligados à história e aos métodos de produção artesanal.

Passagem por Sete Cidades, as belíssimas vistas sobre as lagoas, com algumas breves paragens, rumo ao aeroporto, a fim de tomarmos o avião para as Flores.

Escala na Horta, ilha do Faial, e mais uma longa espera – as condições do tempo nas Flores não permitiam a aterragem, o que originou sucessivos adiamentos e, por fim, o cancelamento.

Acabamos por voltar a Ponta Delgada, ficando alojados nos hotéis São Miguel Park e Marina Atlântico.

Ao fim do dia, passeio a pé pela cidade e jantar na Tasca (já conhecida de alguns, aquando da viagem ao Pico) e no Aliança, para degustar, em ambos, o bom peixe dos Açores. O grupo teve de ser dividido, dada a dificuldade em arranjar mesa para 16 num só restaurante. Valeu-nos, mais uma vez, a eficácia organizativa do nosso amigo Pimenta!

De assinalar, no meio de toda esta movimentação aeroportuária, o acaso de um feliz encontro: no Aeroporto João Paulo II (Ponta Delgada), fomos “descobertos” pela Mónica e o Nuno, acompanhados do seu pequeno Benjamim, que tinham sido nossos guias, de boa memória, na viagem ao Pico!


Quarta-feira, dia 29

Largados os hotéis e novamente conduzidos pelo Rui Pavão e o Bruno, iniciamos mais um passeio pela ilha de S. Miguel, percorrendo a encosta Sul – Lagoa, Ribeira Chã e Vila Franca do Campo. Nesta última, oportunidade para degustar as suas famosas queijadas, e para visitar algumas das suas igrejas (das quais, cinco em cerca de 800 metros), destacando-se a Igreja do Senhor Bom Jesus da Pedra e a bela Igreja de S. Miguel Arcanjo, esta em estilo gótico, reconstruída após o terramoto de 1522. Na parede da sua torre sineira, voltada ao mar, conserva ainda uma curiosa marca de um projéctil de artilharia, tendo sido inscrito, por baixo, a data do ataque: 1624.

De seguida dirigimo-nos às Furnas, com passagem pelas suas caldeiras, em constante ebulição, numa viva demonstração da origem vulcânica destas ilhas. Houve quem bebesse água das várias fontes existentes (mas fresquinha!), uma água, segundo os nossos condutores/guias, à qual não faltam propriedades benéficas para a nossa saúde.

Prosseguimos rumo ao aeroporto, agora pela encosta Norte, para nova tentativa de embarque para a ilha das Flores. Em vão. A notícia dos fortes ventos que se faziam sentir na chegada, impediam qualquer aterragem, mesmo com a reconhecida experiência e perícia dos pilotos da SATA que habitualmente operam com estes pequenos aviões a hélice, em condições difíceis.

Resultado: mais um tempo de espera, cancelamento do voo e regresso ao Marina Atlântico (desta vez, onde ficou o grupo completo), um excelente hotel, por sinal.

Passeio pela cidade de Ponta Delgada e jantar para todos, num local chamado “Super Prato”.

Entretanto, as previsões atmosféricas para o dia seguinte, nas Flores, pareciam ser mais animadoras. Haja esperança!


Quinta-feira, dia 30

Saída do hotel, mais uma vez com os nossos condutores/guias Rui e Bruno, os quais já se sentiam como fazendo parte do grupo.

Visita à VIEIRA, uma pequena fábrica artesanal de cerâmica – todo o barro vem do continente, pois não existe nos Açores – onde apreciamos o material produzido, a destreza das artesãs com a roda de oleiro, a pintura das peças…

De seguida, uma passagem pela fábrica de licores “A Mulher de Capote”, na Ribeira Grande, oportunidade para entender a sua história, método de fabrico, realizar compras (com direito a prova!).

Perto deste local, um primeiro cheirinho a caminhada com a descida (e subida) até à central hídrica do Salto do Cabrito, e a impressionante cascata com o mesmo nome. Um pequeno grupo, furando as instruções do guia, ainda subiu uma íngreme escadaria até ao cimo.

A antiga Central do Salto do Cabrito, um dos primeiros aproveitamentos hidroeléctricos em Portugal, iniciou o seu funcionamento em 1902, até 1972, e era apelidada pelo sugestivo nome de “Fábrica da Luz”. Hoje, uma nova central construída em 2005, ocupa o mesmo lugar.

Mais uma vez a caminho do aeroporto, houve ainda tempo, e curiosidade, de passar em Rabo de Peixe, uma localidade que, por vários motivos, tem vindo a lume nas notícias dos últimos anos. O Bruno, enquanto conduzia a carrinha pelas apertadas ruas desta freguesia, fez de cicerone acerca das características e costumes daquela população, de certo modo peculiar no panorama das gentes açorianas.

Agora, sim! Depois de tantas tentativas falhadas – aproveita-se a nossa formação de mestrado em procedimentos aeroportuários – chegamos, finalmente, a Santa Cruz da Flores, aterragem algo agitada, mas eficaz, que até mereceu uma salva de palmas por parte dos interessados…

Os 500 metros que separam o aeroporto do Hotel Inatel, onde ficamos alojados, fizeram-se rapidamente e a pé.

Largadas as malas, acomodamo-nos em duas carrinhas, semelhantes às anteriores, mas conduzidas agora pelo Sílvio Medina e pelo Chico, partindo a explorar o interior da ilha, com paragens nos pontos de vista mais interessantes e nas várias lagoas: Pico da Casinha, Caldeira da Lomba, Miradouro da Pedrinha, Caldeira Rasa, Caldeira Seca, Caldeira Branca, Caldeira Negra e Caldeira Comprida, Miradouro Craveiro Lopes e Fajã Grande. Toda esta zona, frequentemente envolta em neblina, beneficiou nesse dia (embora frio e húmido) de uma atmosfera razoavelmente limpa, o que nos permitiu desfrutar da sua cativante beleza.

Os mais afoitos (seis), atreveram-se a uma pequena caminhada até às espantosas Cascatas do Poço da Ribeira do Ferreiro também conhecido por Poço da Alogoinha ou ainda Lagoa das Patas. Este poço (lagoa) integra a zona da reserva florestal do Morro Alto.

Os outros foram contemplar o horizonte de copo na mão, já nas imediações do restaurante onde íamos jantar, o “Papadiamandis”, na Fajã Grande, junto ao mar.

Entretanto os ditos afoitos, sem receio da ameaça de chuva, pois como é sabido o homem não é solúvel em água, ainda continuaram a sua caminhada até à impressionante Cascata do Poço do Bacalhau, onde já tinha estado o Celso, e a que acabaram por se juntar a maioria dos amantes do “copo na mão”.

Tudo isto no espaço entre as duas magnificas fajãs – Fajãzinha e a Fajã Grande.


Sexta-feira, dia 31

Único dia totalmente nas Flores. A hipótese do Corvo ficara reduzida a uma bela vista a partir da varanda do quarto do hotel… Havia que aproveitar.

Mas até começou com uma preocupação: o nosso amigo Abreu tinha perdido a carteira com todos os documentos e estava inconsolável. Porém, depois de muita ansiedade e buscas exaustivas, lá apareceu! Como dizia o outro, nada se perde…. Tão feliz ficou o Abreu que, simpaticamente, ofereceu o café da manhã, em Ponta Delgada (Flores), a todo o grupo!

Partimos cedo, a percorrer a zona Nordeste da ilha, acidentada e de belas vistas, competentemente conduzidos pelo Sílvio e pelo Chico: Cedros, Ponta Ruiva – aqui visitamos o Museu da Casa do Machado, uma interessante recolha de objectos, testemunhos de um quotidiano passado que ainda não nos é estranho – continuando pela Capela de S. João, Ponta Delgada, e, no cimo do promontório da Ponta do Albarnaz, o episódio mais divertido, a produzir cenas hilariantes, fruto da forte ventania que quase nos levava às nuvens. Retornamos por Ponta Delgada, onde paramos para o tal café, que alguns acompanharam, imagine-se, com ovos de codorniz!

Dirigimo-nos, então, na direcção Sudeste da ilha, pelo Alto da Cova, e pela zona das caldeiras – nesta segunda passagem envoltos em nevoeiro – por Lomba, até à Fazenda das Lages, onde visitamos a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Prosseguimos para Oeste, com passagem na Ponta Lopo Vaz, até Mosteiro, para, finalmente, dar aqui início a um dos motivos que nos trouxe a estas paragens: uma boa caminhada.

O que não contávamos era com as condições da descida para a Fajãzinha, em calçada rústica, que nos ficará na memória como uma das mais difíceis que nos tem aparecido, pelas condições em que se encontrava: íngreme, molhada, cheia de lama e folhas, extremamente escorregadia. Para estes caminheiros, um breve desafio, até com o seu lado divertido, temperado pela beleza do percurso, o edificado, os animais, a paisagem, o contacto sempre interessante com as (poucas) pessoas que connosco se cruzaram.

Depois de atravessarmos, já pela estrada, a Ribeira Grande e a sua afluente Ribeira do Ferreiro, passamos em Cuada, onde decorre, para fins turísticos, a recuperação de algumas habitações rurais.

Aqui, uma parte do grupo (sete) apanhou o táxi do Chico, que tinha passado pelo Bar Barraca Q’Abana para apanhar o Abreu e a Fernanda, que tinham ficado a comtemplar a fajã, rumo ao hotel.

Os restantes prosseguiram a caminhada à Fajã Grande, onde nos esperava o táxi do Sílvio Medina, dando por finda a caminhada.

Regresso a Santa Cruz das Flores, na derradeira viagem nas carrinhas do Sílvio e do Chico, para jantar no “Fora D’Horas”, cuja proprietária, a D. Fernanda, curiosamente, nos tinha abordado na espera do aeroporto de Ponta Delgada, quando todos (a senhora incluída) aguardávamos transporte para as Flores. Na altura, “ofereceu” o seu restaurante – numa oportuna acção de marketing ao vivo – desconhecendo que já fazia parte da lista dos contactos feitos pelo Pimenta!

A escolha revelou-se acertada e resultou num belo encerramento desta jornada Flores e Corvo (à vista).

Ainda houve tempo, antes do recolher, para alguns companheiros darem um passeio nocturno pelas ruas da vila, onde se destaca a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, um imponente edifício iniciado em finais do séc. XVIII, mas só concluído em meados do séc. XIX.


Sábado, dia 1

No tradicional Dia das Mentiras, ninguém foi enganado!

O regresso a casa correspondeu às mesmas expectativas que tínhamos à partida para os Açores: sem falhas nas ligações, sem grandes atrasos ou contrariedades. Assim aconteceu, e cerca das 19,30h estávamos a pousar no Porto.

Uma pequena alegria, na passagem pelo Pico. Num gesto de cortesia (a observação é do Mesquita), talvez para compensar todas as contrariedades sofridas, o piloto da SATA voou “a rasar” a imponente montanha e, num belo, mas breve momento, o nosso conhecido Piquinho estava ali, mesmo à mão, recordando (a alguns) uma outra magnífica jornada.

Num balanço final, apesar das contrariedades, encaradas por todos com sentido de humor e um verdadeiro e salutar espírito de grupo, valeu bem a pena esta viagem. Serviu para nos trazer conhecimento, alegria, reforço das relações de companheirismo e amizade.

Só foi possível devido ao esforço e capacidade do nosso Companheiro José Pimenta, de bem organizar, resolver as dificuldades, os imprevistos, transformando tudo o que é complicado… no (aparentemente) simples!

Estou certo de falar por todos, quando digo: Obrigado!

Entretanto, a pequena Ilha do Corvo continua lá.

Para estes caminheiros do VianaTrilhos, a sua imagem contemplada da varanda… não chega.

Há que voltar.

Filipe Barroso Vianatrilhos