Dados do percurso
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 14-09-2019 |
|---|---|
| Localização | Valença do Minho |
| Hora de início | 09:30 |
| Hora do fim | 17:18 |
| Tempo total | 7h 19m |
| Velocidade média | 2,97 km/h |
| Distância total | 16,5 km |
| Participantes | 25 |
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 14-09-2019 |
|---|---|
| Localização | Valença do Minho |
| Hora de início | 09:30 |
| Hora do fim | 17:18 |
| Tempo total | 7h 19m |
| Velocidade média | 2,97 km/h |
| Distância total | 16,5 km |
| Participantes | 25 |
Era tempo de iniciar a nova temporada, pelo que depois de reunião magna que definiu o calendário de atividades, a escolha para a de abertura recaiu nas terras raianas de Valença do Minho, num percurso de dificuldade moderada entre os mosteiros beneditinos de Ganfei e de Sanfins, com regresso pela bela marginal do rio Minho.
Para uma mais completa compreensão da importância deste património, pedimos colaboração da Câmara Municipal de Valença, cujo Apoio à Presidência nos proporcionou ajuda preciosa na disponibilização de especialista para as visitas guiadas.
Fomos assim acompanhados pela simpática e competente Drª Isilda Salvador, responsável do Núcleo Museológico de Valença, que nos acompanhou na visita aos mosteiros de Ganfei e de Sanfins, bem como à capela de S. Teotónio de Ganfei.
O local de encontro foi pelas 09:30 defronte do Mosteiro Beneditino de Ganfei, que segundo alguns remonta ao período visigótico e albergou durante séculos monges da ordem beneditina. O mosteiro sofreu diversas vicissitudes ao longo dos séculos, com diversas destruições totais ou parciais e posteriores reconstruções, sendo a primeira datada de 1018, sob o patrocínio de Ganfried ou Ganfei, um cavaleiro francês que se tornou santo e que viria a dar o nome ao Mosteiro e á povoação.
Posteriormente o mosteiro foi reduzido a cinzas nas invasões francesas e finalmente reconstruído no século XVII, com nova fachada e capela-mor, mantendo ainda alguns vestígios da traça românica. Em 1760 as obras foram concluídas, com a transferência dos restos mortais de S. Ganfei para a igreja. A importância de Ganfei não é apenas artística, mas também geográfica, na medida em que se localizava na principal via Norte-Sul, entre Braga e Santiago de Compostela.
A nossa simpática guia deu-nos ainda extensa explicação sobre o importante papel que este mosteiro desempenhou ao longo dos séculos, tanto na fixação de população e desenvolvimento da região, como pelo papel militar que desempenhou, quer na proteção, quer no ataque da fortaleza militar de Valença, pela sua posição estratégica quer para as as tropas nacionais na defesa, quer das hordas invasoras nas investidas à Praça Forte de Valença.
Visitamos depois demoradamente o despojado interior da Igreja do Salvador de Ganfei, cuja última reconstrução alterou a estrutura original e nos legou um singelo altar-mor de tábuas pintadas. Seguiu-se a subida à torre sineira, de onde pudemos abarcar a enorme extensão dos terrenos do convento, hoje em dia em completo abandono, à espera de um aproveitamento há muito prometido, que lhe devolva a importância que merece.
Ainda do cimo da torre sineira pudemos ver o abandonado claustro do convento, que voltou entretanto a exibir o elegante chafariz em estilo maneirista, que passou também por diversas vicissitudes, pois foi retirado e vendido para outras paragens, depois recomprado e colocado na Praça da República de Valença e finalmente aqui devolvido, dando cumprimento a decisão judicial, que a obrigou a devolver o velho chafariz à terra onde foi edificado.
Finda a visita ao Mosteiro de Ganfei dirigimo-nos ao centro da freguesia, passando pela capelinha do Senhor do Encontro, para mais à frente, no Largo da Tardinhade, visitar a Capela de S. Teotónio, edificada no século XVII, no local onde teria nascido o santo, originário destas terras raianas e que teve papel fundamental como conselheiro e confessor do infante D. Afonso Henriques no florescer da nacionalidade, na luta contra a mãe, Infanta Dona Teresa de Leão.
Foi canonizado em 1163 pelo papa Alexandre III, apenas um ano após sua morte, sendo o primeiro santo de Portugal. Diz-se que D. Afonso I " lhe pedia a bênção e lhe beijava a mão de joelhos”. A estátua que o representa está defronte da capela, no largo que tomou o seu nome, mas afinal o “santo velhinho” como é carinhosamente apelidado e que tem nas mãos um globo de luz e estrelas a simbolizar o milagre da criação de Portugal e sua expansão pelo mundo, é segundo alguns o autorretrato do seu criador (José Rodrigues).
Mas o tempo ia avançando pelo que havia que partir e deixar as terras de Ganfei e iniciar a subida, contornando o Monte Faro na direção de Sanfins.
O dia estava tórrido e a hora tardia da manhã, aliada a uma subida exigente fez-nos perder o folgo, só recuperado após paragem junto a providencial fonte no topo da subida. Daí para a frente tudo foi mais fácil e pudemos observar com calma as belas paisagens sobre o rio Minho, desde Valença à Torre da Lapela, com as terras galegas do outro lado, até perder de vista.
Ao longe começamos a divisar primeiro a capela branquinha da Senhora do Loreto e logo depois, mais abaixo, o Mosteiro Beneditino de Sanfins (S. Fins de Friestas). Esperava-nos a sempre prestimosa Drª Isilda, que nos fez mais uma demorada visita guiada à igreja, convento, construções anexas e finalmente à capela da Srª do Loreto, de onde se tem uma visão inolvidável destas paisagens raianas.
Segundo se crê o nome do mosteiro deriva do seu padroeiro - S. Félix, sendo a sua construção do século VI, por ordem de S. Rosendo, tendo posteriormente D. Afonso Henriques oferecido as terras de couto aos abades do convento. Apesar de alterada por diversos restauros a igreja de São Fins de Friestas é um dos mais importantes monumentos românicos, que evidencia a longa duração da influência galega por estas paragens.
Infelizmente este complexo monástico, que se manteve inalterado ao longo dos séculos, aguarda um projeto de valorização condigno que evite a degradação, saques e destruições sistemáticas a que foi votado depois da extinção das ordens religiosas. Este importante legado exige uma atuação urgente que garanta a sua preservação.
Mas depois da visita a hora ia já avançada, pelo que era hora da refeição, que foi feita no recinto fronteiro ao mosteiro, aproveitando a providencial sombra das vetustas árvores para a muito merecida pausa retemperadora, aproveitada também para o batismo de mais uma cara nova que integrou o grupo pela primeira vez. A honra coube à caloira Regina Reinold, que foi apadrinhada pelos companheiros Manuela Rego e Vítor Silva, passando assim a integrar o grupo Vianatrilhos.
Mas era já tempo de deixar o mosteiro de Sanfins, pelo que retomamos o percurso que desce agora pelos terrenos do couto, observando a densa e diversificada vegetação, bem como as obras de recuperação que a Câmara Municipal de Valença está a levar a cabo, que em muito vão facilitar os acessos e as visitas pela extensa propriedade circundante.
Depois de deixar os terrenos do mosteiro cruzamos o lugar das Barreiras, passamos na Capela da casa da Quinta da Barreira que defronte tem três painéis de gravuras rupestres (que não vimos), já na freguesia de Verdoejo e seguimos até à pequena capela de Sr. dos Passos, onde está também situado o Pelourinho do Couto de Sanfins, testemunha dos tempos em que Sanfins chegou a ser vila e sede de concelho, entretanto extinto e integrado no de Valença em 1834.
Depois de cruzar a EN passamos para a margem do rio Minho, onde o Miguel sugeriu alterar o percurso previsto de forma a seguir parte do Trilho da Insua do Crasto.
Não se deu com o percurso, mas esta alteração propiciou a passagem pelo antigo Cruzeiro do Adro Velho datado do SEC XIV, onde para além desse magnífico cruzeiro com uma imagem bastante tosca de Cristo, se pode observar um riquíssimo espólio arqueológico, com um conjunto de sarcófagos e diversos outros vestígios da antiga igreja e cemitério.
Tomamos de seguida a ecovia que corre mesmo junto à margem esquerda do rio Minho, passando por extensas e diversificadas culturas que confrontam com as calmas e paradisíacas margens, onde algumas praias fluviais serviam de descanso aos que aproveitavam as frondosas sombras da vegetação ribeirinha.
Estava muito calor, mas os alguns dos caminheiros não queriam sequer parar, pelo que houve que forçar uma pequena pausa na fresca sombra do novo ancoradouro da Pesqueira dos Frades para esfriar o corpo e apreciar as melhorias introduzidas com esta bela obra que muito facilitou o acesso ao rio.
Isto de só pensar em andar e nem sequer parar para descansar e desfrutar a belíssima paisagem que as margens do rio Minho nos oferecem não está certo! O que é bonito é para se ver e desfrutar e não são estas curtas paragens que fazem diferença.
Mas como o grupo estava apressado retomamos o percurso, deixando para trás as doces margens do Minho e tomamos mais à frente a ecopista Valença-Monção, junto da Ponte do Funtão, tendo logo a seguir passado pela há muito abandonada estação de caminho de ferro de Ganfei, testemunha dos tempos em que os comboios serviam estas populações fronteiriças, entretanto despojadas deste meio de transporte e limitadas a uma ligação viária horrível, que só muitos anos depois viria a ser melhorada.
Depois foi só subir até ao adro do Mosteiro e Igreja Matriz de Ganfei, onde terminamos mais uma caminhada nestas belas terras de Valença do Minho num dia tórrido de Setembro, que acabou em ameno convívio na Montaria, no Café Caçana.
Agradecemos mais uma vez à Drª Isilda Salvador a simpatia, disponibilidade e informação que partilhou connosco, bem como à Câmara Municipal de Valença pela atenção dada a esta nossa iniciativa.
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