Por terras de Lamas de Mouro

Foto do grupo Vianatrilhos
Percurso circular que começa na freguesia de Lamas de Mouro, junto à Porta do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) na Veiga de Lamas, sobe por trás do centro de interpretação e segue até ao caminho de Porto Ribeiro, que acompanha para depois infletir à esquerda e descer para a Cremadoira, já na freguesia de Castro Laboreiro voltando a subir para as Fragas Rubias. Contorna o planalto seguindo para o Alto do Lagarto, já na freguesia da Gavieira, seguindo-se descida muito acentuada para a ribeira de Tieiras, que atravessamos, para voltar a subir paralelos à EN202 até às alminhas do Lagarto. O troço final segue a calçada da Portela do Lagarto, ao longo do rio Mouro.

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 05-05-2018
Localização Lamas de Mouro
Hora de início 09:21
Hora do fim 17:23
Tempo total 8h 10m
Velocidade média 2.10 km/h
Distância total 16,9 km
Participantes 26

Pouco depois das 09:30 iniciamos o percurso na Veiga de Lamas, freguesia de Lamas de Mouro, junto à Porta do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) depois da longa viagem desde o café Vitral em Viana do Castelo.

Esticadas as pernas, começamos a subida logo atrás do centro de interpretação, com a verdejante paisagem do vale do rio de Lamas a ficar cada vez mais para trás, sendo substituída pouco a pouco pela mais árida paisagem rochosa das terras altas.

Vencida a dificuldade inicial, apanhamos o caminho de Porto Ribeiro seguindo pelo bosque até infletir para a esquerda, continuando a subida e transpondo a serra para vislumbrar as diversas povoações castrejas, que bordejam o vale do rio Castro Laboreiro.

Os distantes lugares de Portelinha, Várzea Travessa, Coriscadas, Falagueira e Queimadela surgem dispersas no planalto, proporcionando momentos de contemplação ideais para umas fotos e para tentar identificar a vastidão das montanhas circundantes.

Daí, descemos para os prados da Cramadoira, onde apanhamos um troço do Trilho Castrejo até às Fragas Rúbias, impressionante mole granítica que se desagregou em monstruosos cubos encastelados, vítimas da erosão dos tempos.

Voltamos a subir para norte e trepamos por trilhos e calçadas regressando ao topo da serra, seguindo depois pelas zonas altas de bosque até um pequeno ribeiro que nos serviu de ponto de paragem para a refeição e merecido descanso, já que o corta-mato e subidas fortes da manhã exigiam algum tempo de recuperação.

Bem custou retomar a marcha, mas como o percurso ainda ia a meio e havia ainda vários obstáculos a ultrapassar, lá fomos na direção do Pendo do Lagarto rumando agora para sul, contornando as enormes moles graníticas até uma ingreme calçada, perdida na vertente rochosa que nos fez transpor a serrania regressando à garganta dos rios de Lamas e Tieiras.

Daí ao marco geodésico do Penedo do Lagarto foi um pulo, onde aproveitamos o alto da falésia para contemplar o profundo e estreito vale que o rio de Tieiras escavou na penedia ao longo dos milénios.

As vistas para o santuário da Peneda e Baleiral, com Tibo mais ao fundo são inolvidáveis e excederam as nossas já altas espectativas. Tivemos pois o privilégio de observar demoradamente este cenário, prejudicado apenas por uma ténue névoa e um sol já baixo que ofuscava ligeiramente a magnitude da paisagem. É junto a Tibo que o rio de Tieiras conflui com o rio da Veiga que desce da Gavieira e Rouças, tomando aí o nome de rio da Peneda que por sua vez, se junta ao rio Castro Laboreiro na célebre Mistura de Águas, pouco antes de findar o seu caminho no rio Lima, já na albufeira da Barragem do Lindoso.

Ainda no penedo do Lagarto evocamos a lenda de que aí existia um monstruoso lagarto, que no caminho que levava à Senhora da Peneda engolida romeiros e pastores com seu apetite voraz, até que uma mulher lhe fez frente e espetou com sua roca, transformando-o em pedra. A mulher era Nª Senhora que livrou de morte certa os crentes.

E o monstruoso lagarto de pedra ainda lá está, não no Penedo do Lagarto, mas um pouco mais adiante num penhasco sobre o caminho dos romeiros, observando imóvel quem ruma estas paragens.

Estivemos muito perto da Chã da Matança, local onde as legiões romanas teriam lutado com os heroicos castrejos, que defenderam até ao fim das suas forças a posse destas terras serranas.

Mas a tarde ia descendo, pelo que era tempo de tomar a calçada que desce vertiginosamente para a ponte do rio Tieiras. É uma descida para a qual se chama especial atenção, já que é muito ingreme e parte dela tem terreno desagregado que obriga a muita atenção e esforço, saindo os joelhos e ancas abalados de semelhante provação.

Do outro lado do rio pagou-se a fatura, pois quem muito desce… a seguir muito sobe e tivemos que “dar ao sorelo” para vencer mais esta dificuldade tardia, trepando ao longo da margem direita do rio Tieiras até às Alminhas do Lagarto, com o bicho feio a mirar-nos bem lá em cima.

Depois, foi a lenta descida ao longo do Rio Mouro para a Veiga de Lamas, passando pela casa abrigo Bico de Pássaro, seguindo-se o denso bosque constituído maioritariamente por Vidoeiros.

Foi mais um belo dia para reter na já longa história da Vianatrilhos, que vai celebrar a 09 de Junho o seu vigésimo aniversário.

José Almeida Vianatrilhos