Dados do percurso
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 07-04-2018 |
|---|---|
| Localização | S. Lourenço da Montaria |
| Hora de início | 08:57 |
| Hora do fim | 15:39 |
| Tempo total | 6h 42m |
| Velocidade média | 3.20 km/h |
| Distância total | 15,5 km |
| Participantes | 17 |
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 07-04-2018 |
|---|---|
| Localização | S. Lourenço da Montaria |
| Hora de início | 08:57 |
| Hora do fim | 15:39 |
| Tempo total | 6h 42m |
| Velocidade média | 3.20 km/h |
| Distância total | 15,5 km |
| Participantes | 17 |
Costuma-se dizer que “às três tem vez”, mas desta vez o ditado não se cumpriu.
Voltou a estar mau tempo no fim-de-semana, o que embora não inviabilizasse a prática da modalidade, desaconselhava caminhadas em alta serra, quer pela nebulosidade baixa, quer pela chuva e trovoada prevista para Arcos de Valdevez.
Ficou assim a ida à Picota de Frangoto mais uma vez adiada!
Face a mais este imponderável resolvemos fazer uma marcha na base da nossa bem conhecida Serra d’Arga, num trajeto circular que ligou o lugar do Trogal, da freguesia de S. Pedro de Arcos, concelho de Ponte de Lima, à freguesia de S. Lourenço da Montaria, concelho de Viana do Castelo, circundando o vale da ribeira da Silvareira.
A chuva, que fez por diversas vezes a sua aparição, não prejudicou a marcha que se desenrolou sem problemas, mas a forte nebulosidade era patente nas partes altas da serra, que permaneceram permanentemente ocultas por nuvens baixas, confirmando a sensatez da decisão de as evitar, permanecendo a cotas mais baixas.
Partimos do Trogal, seguindo pela margem direita das torrentosas mas límpidas águas da ribeira da Silvareira, seguindo sempre a meia encosta, acompanhando a trincheira de uma antiga captação de águas, com os moinhos das Regadinhas e da Silvareira do outro lado do vale.
As normalmente débeis linhas de água da vertente sul da Serra d’Arga estavam ontem engrossadas pelas fortes e persistente chuvadas, transformadas em possantes ribeiros que se precipitam em cristalinas cascatas serra abaixo.
Fomos assim distinguindo as ribeiras de Stª Justa, Meio, Fonte das Bestas e Grande que iam engrossando aos poucos o Regueiro da Outra Banda, transformando-o na caudalosa ribeira da Silvareira.
Embora inicialmente não estivesse previsto, como havia tempo de sobra e a chuva esporádica não fazia temer molhadela, resolvemos ir até S. Lourenço da Montaria.
A escolha revelou-se acertada, pois tivemos a sorte de poder visitar o Núcleo Museológico Moinhos de água da Montaria, recentemente instalado nas antigas instalações da escola primária da aldeia.
Visitamos o centro de interpretação deste núcleo, onde o Sr. Manuel Paula nos deu a conhecer melhor, as tradições e a vida de São Lourenço da Montaria e da Serra d’ Arga, nomeadamente do uso dos seus moinhos e de diversos objetos que caíram em desuso.
Foi com atenção que ouvimos detalhada explicação sobre o sistema de propriedade partilhada por “herdeiros”, que reparte a água por diversas famílias, criando fortes laços comunitários; sobre o “fole”, saco feito com a pele de cabrito que transportava o grão e a farinha do moinho; sobre a “farinha do pé da mó”, que servia de alimento aos recém-nascidos e sobre os diversos apetrechos dos moinhos que foram entretanto caindo em desuso.
Recorde-se que S. Lourenço da Montaria, com os seus 42 moinhos de rodízio simples, detém a maior concentração de moinhos de água no país, talvez devido ao elevado número de ribeiros e veios aquíferos, sendo a recuperação de 14 destes o motivo que levou à criação do Núcleo Museológico, que visitamos demoradamente.
Agradecemos ao Sr. Manuel Paula a disponibilidade e simpatia com que nos recebeu e pelas explicações que deu sobre os moinhos e as tradições deste povoado, que se chamou inicialmente de S. Mamede dos Pedrulhos, talvez pelo sítio de pedregulhos em que se situa, passando depois à designação de São Lourenço de Breteal, tomando o nome da do alto da serra d’Arga sobranceira, tendo finalmente, já no século XIV, adotado a designação atual de S. Lourenço da Montaria.
A fotografia de família foi tirada nos Massadoiros de Linho do largo do Souto, que testemunham uma das mais trabalhosas fases da confeção do linho - O “bater” o linho. Por trás da igreja fomos ao Calvário apreciar e “medir” o secular sobreiro, que com os seus quatro seculos assistiu serenamente ao quotidiano desta distante comunidade rural, perdida nas franjas da Serra d’Arga.
Encetamos o regresso passando pelo interessante conjunto dos moinhos da Costa (Pequeno, Sapato e Grande) e deixamos a Montaria, tomamos a margem esquerda do Regueiro da Outra Banda, descendo lentamente pelo estradão florestal, na direção do Trogal.
Numa das voltas do estradão, aproveitamos o socairo para fizer a pausa de almoço. Para além dos "comes" e do descanso houve ainda tempo para o batismo de mais dois novos caloiros Manuel lima e Claudina Teresa Trigo, que assim se tiveram a honra de se tornar “Caminheiros Vianatrilhos”.
Finda a cantilena e bebida a “água benta” continuamos o percurso na direção do moinho da Silvareira, tendo feito um desvio até à confluência do Ribeiro das Bestas com o da Silvareira. É talvez o troço mais interessante de todo o percurso, com uma vista privilegiada sobre o ribeiro, tendo tomado o leito da levada que fornece a força motriz ao moinho.
Depois das últimas fotos voltamos ao estradão florestal, passando junto ao moinho das Regadinhas, pouco antes de regressar a Trogal.
O dia até começou mal, com má cara e chuva ameaçadora, mas o remate em Ponte de Lima foi em beleza, com panados e arroz de feijão, regados a verde branco fresquinho, que retemperou forças e abriu espaço a mais duas de conversa.
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