Por Terras de Cervaria

Moderado
Por Terras de Cervaria
Percorremos as “Terras de Cervaria” começando na serra da Gávea, junto da capela de Nª Srª da Encarnação, ver as vistas para o vale do Minho junto do monumento do Cervo, "in memoriam" do Rei Cervo, visitar o convento de S. Paio e percorrer a serra até ao Alto da Pena. Vila Nova de Cerveira "Terra das Artes e Beleza Natural" entre as serras e o rio Minho, com a Galiza defronte e o mar no horizonte.

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 24-02-2018
Localização Cerveira
Hora de início 08:55
Hora do fim 15:36
Tempo total 6h 41m
Velocidade média 2.78 km/h
Distância total 13,5 km
Participantes 29

O dia começou bem, com a concentração na capela de Nª Srª da Encarnação, freguesia de Lovelhe, sob um soalheiro dia de inverno. Subimos nas traseiras da capela por uma conduta de captação de água até à estrada alcatroada e daí descemos ao “Cervo”, que domina a paisagem sobre o estuário do rio Minho.

Esta escultura em ferro, da autoria de José Rodrigues, está instalada no cimo do monte do Crasto, na Serra da Gávea e assume-se como o símbolo de Vila Nova de Cerveira, uma vez que a origem do nome do concelho tem a ver com os seus muitos cervos (veados), tendo as armas do concelho a imagem daquele animal.

O cerdo é ainda figura principal na lenda "Cervo Rei", que julgando-se imortal, aqui estabeleceu sua colónia, que toda a gente a passou a chamar de "terras de Cervaria". Vencendo todos os que lhe faziam frente, desde sarracenos a cristãos, no final foi enganado pelos deuses, que afinal o deixaram morrer só, velho e doente, pois não lhe concederam a imortalidade… desaparecendo com ele a "Terra da Cervaria”.

A paisagem é um deslumbramento!

Como nos descreve J A Vieira no Minho Pitoresco “Há paisagens no Minho que dão ao espírito a sensação de grandeza, outras a da recordação de um idílio, algumas a da melancolia das solidões agrestes, muitas a do sorriso da vegetação e da expansibilidade panteísta da alma; mas poucas, muito poucas darão, como esta que se goza em Cerveira a sensação castíssima da mística poesia dos lagos, a idealidade profundamente sentida dos beijos amorosos da criação sobre o seio fecundo da terra, a boa mãe comum.”

A foto de grupo fica para a posteridade, com Vila Nova de Cerveira a nossos pés, entre as serras e o rio Minho, com a Galiza defronte e o mar no horizonte.

Daí seguimos por estradões florestais mais ou menos acessíveis da freguesia de Reboreda e Candemil até ao Convento de S. Paio ou Sanpayo, fundado nos fins do séc. XIV por religiosos provenientes da Galiza, pertencentes à Congregação dos Frades Menores de S. Francisco.

O seu isolamento, sucessivos saques e imposições políticas levaram-no à completa ruína, até que José Rodrigues promove ao seu restauro e o converte no seu museu - atelier tendo posteriormente sua família o remodelado para turismo rural, para os mais endinheirados.

A etapa seguinte conduziu-nos ao alto da Pena, um dos locais mais altos da região do Alto Minho, com vistas que alcançam os concelhos vizinhos, o rio Minho e as terras galegas. É um local de excelência, em que fizemos uma curta paragem para retemperar as forças consumidas pela dura subida.

Alcançado o ponto mais alto da jornada, havia agora que iniciar a descida pelo lado nascente, por trilhos e caminhos das freguesias de Sopo, Gondarém e Loivo. O pendor da descida era acentuado e a progressão resultava bastante dificultada pelas muitas pedras soltas, que se transformavam em armadinhas mais ou menos difíceis de ultrapassar. Mas lá fomos descendo devagar, até atingir o caminho mais abaixo, que contorna a serra de regresso ao convento de S. Paio.

Até às imediações do convento tudo decorreu sem problemas, mas depois o percurso infletia numa descida agreste para a outra vertente do vale e foi aí que a coisa se complicou... e muito! A descida iniciou forte, mas depois a coisa piorou e ficou quase a pique! Pobres joelhos que se queixavam do esforço e foram bastantes as escorregadelas e quedas resultantes das pedras roladas, felizmente sem consequências de maior.

Quando se desce muito a seguir... muito se sobe! pelo que nos esperava do outro lado do pequeno ribeiro uma subida abrupta, que impressionava e desmoralizava qualquer um. Voltar atrás não era opção, pelo que o remédio foi continuar e subir a custo até ao local onde fizemos a pausa de almoço. A chegada foi dispersa, tendo vários caminheiros feito das tripas coração para vencer esta imprevista dificuldade.

Foram vários os desabafos quanto à dificuldade deste curto troço; que era demasiado duro, que a classificação prevista de moderado não era compatível, que deveríamos ter escolhido outra ligação menos exigente.

Isto de pegar em bocados de “tracks” e juntar dá por vezes resultados complicados, pois as interligações são o diabo! Foi o que aconteceu desta vez, já que a interligação de troços já nossos conhecidos acabou por ser feita por “corta fogos” que foram um verdadeiro desafio quer para o equilíbrio nas descidas, quer para o cansaço nas duras subidas.

A nossa “mea culpa” pois as coisas poderiam ter sido um pouco diferentes, mas “as dificuldades são como as montanhas, aplainam-se quando avançamos sobre elas” e “quanto maior a dificuldade, maior é a satisfação de a ultrapassar”, pelo que não desanimem!

Após a pausa de refeição restava um troço mais ou menos a meia encosta, que nos proporcionou mais um conjunto de belas panorâmicas para a foz do Minho, que ia adquirindo tons de ouro e prata, que o sol refletia nas suas calmas águas.

Chegados finalmente à capela da Srª da Encarnação aproveitamos as mesas do seu belo parque de merendas para fazer uma ultima pausa para relaxar os músculos em amena cavaqueira e observar a paisagem sobre o estuário do Minho, com o sol já a descer no horizonte.

Foi um dia cansativo mas com estas paisagens... valeu a pena!

O fecho do dia fez-se nos petiscos da “Colher de Pau” em Reboreda.

José Almeida Vianatrilhos