Dados do percurso
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 27-02-2016 |
|---|---|
| Localização | Monção |
| Hora de início | 09:52 |
| Hora do fim | 14:59 |
| Tempo total | 5h 07m |
| Distância total | 15.0 km |
| Participantes | 19 |
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 27-02-2016 |
|---|---|
| Localização | Monção |
| Hora de início | 09:52 |
| Hora do fim | 14:59 |
| Tempo total | 5h 07m |
| Distância total | 15.0 km |
| Participantes | 19 |
Esteve marcada para o dia 13 de Fevereiro, mas tivemos de novo azar, pois a forte tempestade que se anunciava, acabou por ditar o adiamento para 27 esta nossa ida a Monção, para fazer o Trilho da Cova da Moura.
O adiamento foi mais que oportuno, pois a tempestade que se abateu sobre todo o país foi mesmo muito forte, já que houve estragos, inundações e mesmo necessidade de socorro a alguns grupos de incautos caminheiros, que se aventuraram na serra e acabaram por ter que ser retirados pela Proteção Civil. Há que ter alguma dose de aventura, mas também bastante juízo para evitar situações desta natureza, que nada contribuem para uma atividade de lazer, como deve ser o pedestrianismo.
E no dia 27 lá estávamos no Vitral, mas o tempo continuava a não querer cooperar, já que se anunciava um dia cinzento com chuva e aguaceiros fortes e mesmo avisos de trovoadas nas terras altas. Mas, como havia que tomar decisões e foram muitos os que compareceram à chamada, decidimos arrancar para o Santuário da Srª dos Milagres, no lugar de Outeiro, Monção.
Depois de deixar o santuário, templo consagrado à Senhora dos Milagres mas que tem como maior devoção Santo Amaro, passamos defronte do cruzeiro frontal coroado com a imagem da Senhora da Piedade e na outra face, a do Senhor dos Aflitos.
Seguimos depois para norte e passamos muito perto de uma elevação granítica, onde se encontra a “Cova da Moura”, que dá o nome a este percurso, mas que estranhamente dele não faz parte. Foi uma pena na altura não sabermos a sua localização, pelo que passamos ao largo.
Diz a lenda que seria nessa cova que uma linda moira encantada se escondia, depois de transformada em cobra por uma bruxa, por ordem de seu pai, já que teria ousado enamorar-se por um cavaleiro cristão. Para lá fugiu com o encantamento de antanho, e diz-se que ainda hoje há quem tenha visto uma cobra muito estranha e que uma vez por mês, em noites de lua cheia, aparece a linda moura junto ao rio, chorando pelo seu amado.
Não vimos a Cova nem sombras da moura, mas lá fomos pelo percurso assinalado na direção do Regueiro, passando por entre antigos vinhedos com as tradicionais ramadas ou latadas, de imponentes esteios em granito e velhas traves de madeira, a suportar as vetustas videiras, recentemente podadas e atadas.
Chegados ao muro do palácio da Brejoeira, decidimos que não era ainda hora de o visitar, pois estava apalavrada uma visita para a tarde, e assim seguimos na direção do lugar da Breia, passando defronte da imponente porta norte do palácio. Segundo soubemos, esta teria sido a sua entrada original, só abandonada quando se construiu a estrada nacional Arcos de Valdevez – Monção, que cortou a propriedade, tendo-se então construído a atual alameda de acesso.
Chegados à Breia, descemos à Praia Fluvial passando para a margem oposta da ribeira da Gadanha, que passamos a ladear até à ponte de Sendim, sempre nas extremas de extensos vinhedos de alvarinho.
A partir daí entramos num caminho florestal que tem por motivo principal a existência das ruínas de um velho forno telheiro.
O fabrico da telha era efetuado no Verão. O barro era colhido e levado para os barreiros, uma espécie de piscinas, cavados na terra. Depois de amolecido durante alguns dias era pisado até ficar uma pasta consistente e moldável.
Era depois estendido e moldado na forma da telha e de seguida deixado a secar alguns dias. A telha era então levada para os fornos onde era depositada, ao alto e em camadas. Cheio o forno, era então ateado o fogo, queimando-se enormes quantidades de lenha. Depois de cozida e arrefecida era desenfornada e pronta para a cobertura das habitações.
Depois de apreciar a construção continuamos na direção de Pinheiros, com as extensas vinhas de alvarinho à nossa esquerda e com as traseiras do palácio da Brejoeira a emergir por entre as copas das árvores.
Aqui a plantação do alvarinho modernizou-se, passando da tradicional ramada para o bardo e cordão, sistemas de condução de vinha contínua baixa, em que as videiras são plantadas num compasso apertado e espalmadas, permitindo-se que comecem a frutificar muito próximo do solo e permitindo o tratamento mecanizado, mas que prejudica a sua longevidade.
Chegamos entretanto a Pinheiros e descemos de novo às margens do Gadanha, para a sua interessantíssima Zona de Lazer, onde fizemos uma breve pausa e a tradicional foto de grupo, antes de visitar um interessante conjunto de moinhos de água muito bem enquadrados num conseguido arranjo paisagístico e muito bem tratado.
O Gadanha estava bravo, com as suas águas engrossadas com as últimas chuvadas, proporcionando belas imagens junto das cascatas a montante do parque, bem defronte da igreja de Pinheiros.
Mas era hora de continuar e cruzamos de seguida vários campos agrícolas e vinhedos na direção de Vila Nova, onde apanhamos o caminho do Prado Maior e cruzamos de novo os campos para chegar a Prados.
Era hora dos “comes” pelo que paramos junto a um muro e no solheiro iniciamos o repasto, interrompido logo de seguida pela negrura do céu e o ribombar cada vez mais próximo de trovoada que se aproximava. Era hora de fechar a trouxa e procurar abrigo, que providencialmente apareceu numa cobertura particular junto às escadas de Prados.
Meu dito, meu feito, mal entramos no coberto desatou a chover cada vez mais, seguindo-se uma barulhenta pedraceira que ecoava fortemente no telhado de metal do coberto que nos servia de abrigo.
Mas depois do pedraço veio o sol e a vontade de continuar levou a melhor sobre os mais medrosos, que teimavam em ficar no choco, à sombra da “bananeira”.
Seguimos então pelo Carregal para Cambeses, onde fizemos nova pausa forçada no largo da igreja, pois a chuva teimou em regressar, cada vez mais pesada.
Depois foi um derradeiro esforço para chegar ao santuário, onde fizemos a muda, pois tínhamos combinado a visita ao palácio e a nossa enlameada roupa e especialmente calçado não estava minimamente em condições para a visita.
A visita que estava inicialmente prevista para englobar o palácio, jardim e adega, acabou por ter que ser encurtada pois a chuva continuava, pelo que nos quedamo-nos pela visita ao palácio e à reclamada prova de vinho alvarinho, ex-libris da região.
O fim de festa foi mais uma vez muito animado no 27.
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