Marcha às Tripas da Labruja

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 28-11-2015
Localização Labruja
Hora de início 11:24
Hora do fim 13:33
Tempo total 2h 08m
Distância total 5.1 km
Participantes 25

O repto havia sido lançado durante uma atividade do VT, e porque ás vezes “não se pode, ou não se deve falar”, ao ser feita a promessa não mais a mesma foi esquecida ficando a aguardar oportunidade.

Local e data combinados, tudo mais ou menos definido, só faltava que o tempo desse uma ajuda. E não foi que deu mesmo!...

Um dia excelente ajuda á boa disposição, pelo que na hora marcada todos rumaram ao lugar da Bandeira na freguesia da Labruja/Ponte de Lima, mais propriamente à casa dos companheiros Pimenta e Aurora que amavelmente se prontificaram a ceder o seu “retiro” situado em plena encosta do vale do ribeiro de S. João, local com vista maravilhosa.

Após os necessários preparativos e enquanto o “repasto” já anteriormente cozinhado ganhava consistência nas panelas devidamente “abafadas”, havia que fazer “barriga” para o mesmo.

Iniciamos assim o nosso percurso/passeio acompanhando durante algum tempo um trecho do “Caminho Português de Santiago” para mais à frente o abandonar pois que o nosso destino era visitar a pequena capela de S. João Batista ou da Grova (gruta) erguida no tempo em lugar áspero, perdido no meio da serra do monte Carote.

Ali chegados houve que disfrutar do local, aproveitando também para a foto de grupo. Vindos do alto da serra correm dois ribeiros (S. João e Carote) que ladeiam a pequena capela, e que juntam as suas águas após passarem a mesma, e mais abaixo vai dar origem ao rio Labruja.

Pelo caminho era evidente a boa disposição.

O regresso foi feito pela margem contrária com passagem pelo pequeno cruzeiro assinalando trecho da antiga calçada, que mais abaixo haveríamos de apanhar, caminhando através da mesma tendo sempre por companhia o ribeiro de S. João, cruzando-o sobre um pequeno pontão que nos conduziu através de campos em socalco até ao nosso destino, onde já nos aguardavam o Castro Almeida e a Ana Maria mais o Francisco e a Augusta.

As mesas já estavam devidamente postas, pelo que se faziam horas do tão ansiado momento para o que deixo esse relato agora para o companheiro Castro Almeida.


E não há muito mais para relatar!

As entradas caseiras variadas precederam a fase final de preparação das tão aguardadas e gabadas tripas, que foram confecionadas pela categorizada dupla de cozinheiros ao serviço.

O anfitrião Pimenta, já nosso conhecido pelos seus excecionais dotes culinários evidenciados em anteriores encontros, assessorou a "Chef" Dores, que nos presenteou com uma Tripalhada à moda do Porto, muito bem confecionada.

A preparação do complexo prato fez-se em dois tempos, inicialmente em cozinha regional de Ponte de Lima, seguindo os segredos de sua experiente mãe, tendo a delicada fase final de "mise au point" sido feita ao vivo na Labruja, perante os muitos interessados.

As tripas estavam mesmo "au dent", tendo havido diversos "encores".

Seguiram-se as sobremesas caseiras variadas, que as nossas companheiras confecionaram, com uma qualidade só ao alcance de alguns raros talentos culinários!

O ponto alto do dia foi depois do café, tendo a "Chef" Dores e os demais elementos da equipa da cozinha sido longamente ovacionados, e a líder distinguida com ramo de finas flores, símbolo do agradecimento de todos os presentes.

O convívio prolongou-se tarde dentro em amena cavaqueira, aproveitando o magnífico dia de sol no varandim voltado a sul, com uma paisagem magnífica para o vale da Labruja.

Uma última bem merecida menção aos anfitriães Aurora & Pimenta, que mais uma vez nos receberam na sua casa da Labruja, proporcionando um local de excelência para mais este momento de convívio.

José Almeida


Curiosidades: Labruja é povoação muito antiga que remonta ao século VI, sendo outrora denominada de “Lauruja”, nome que lhe advinha da serra que a ladeia e que se corrompeu da palavra “Laboriosa” palavra latina que significa trabalhosa, devido á altitude que a mesma possui, e, na qual houve em tempos remotos, um Mosteiro de frades, deque apenas existem pouquíssimos vestígios. Segundo fontes escritas, era uso imemoriável, nesta freguesia, quando chovia muito e havia necessidade de sol, irem todos, com o pároco e as crianças a este lugar pedir em clamor, indo à frente os rapazes a cantar “Senhor Deos olvide a nós, santa Maria rogai por nós” seguiam-se as cruzes, o pároco e os paroquianos que, entoando a ladainha chegavam à paróquia, onde ouviam a missa e Deus lhes concedia as Graças pedidas.

Labruja é muito antiga, e se não existia já no tempo dos Romanos, existia com toda a certeza no tempo dos Godos.

Labruja era caminho de legiões, estando ainda muito ligada aos caminhos de Santiago, sendo atravessada pela rota do “Caminho Português” que de Ponte de Lima se dirige para Santiago, cruzada diariamente por devotos peregrinos.

Há quem refira ainda, a existência de outro Mosteiro de Freiras, e que se situava mais ao norte, entre duas serras altas, no local aonde se encontra implantada a capela de S. João Batista, também denominada de S. João da Grova. Dentro desta capela encontra-se uma grande pia, que em tempos teria sido mudado para uma igreja velha que existiu nesta freguesia (local de Santa Ana) enquanto se construía uma igreja moderna.

Diz-se que enquanto aquela pia permaneceu na igreja velha todas as crianças que aí eram baptizadas cegavam, de que os pais pasmados com tal sucedido, a voltaram a levar à capela, onde permanece e que baptizando noutra pia os que iam nascendo, não só estes não cegavam, mas também logravam vista os que eram cegos. Pouco acima desta capela nasce uma fonte, donde parte um regato, no qual, mais abaixo, existe um poço muito alto a que chamam o Poço do Sino, por em tempos aí terem caído; homens, bois, carro e sino quando do seu transporte para o referido Mosteiro de Freiras e que nada voltou a aparecer, ficando o mito de que o poço não tem fundo.

Bibliografia:

José Pereira da Cunha Nunes Dicionário Enciclopédico das Freguesias Proto-história e romanização da bacia do Vale do Lima

Miguel Moreira Vianatrilhos