Pelas Brandas e Fojos da Peneda

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 16-04-2014
Localização Peneda
Participantes 4

Esta jornada de exploração foi baseada num levantamento do grupo Suandobotas, que nos pareceu bastante interessante, pelo que pusemos os pés ao caminho e tratamos de o recriar ao nosso jeito.

Iniciamos na aldeia serrana de Lordelo, pertencente à freguesia de Cabreiro, concelho de Arcos de Valdevez, encravada na vertente norte do Ramiscal, mesmo defronte de Avelar.

Atravessamos a aldeia e subimos para a sua branda de cultura contigua - Branda de Rodrigo, com os seus belos campos em socalcos, ainda hoje cultivados pelos poucos lavradores que ainda teimam em viver nestas inóspitas paragens.

Depois iniciamos a forte subida pelo Rego do Valado e já muito próximo do estradão florestal, desandamos à direita, contornando a corga para nos dirigirmos para a Branda de Carvalhal.

É uma branda de gado pequena, mas com um enquadramento paisagístico muito interessante.

Depois de uma curta pausa seguimos, contornando a serra, por uma encosta muito acidentada, subindo a bom subir, até à branda de Porto Cavado, onde fizemos mais uma curta paragem.

A coisa foi mesmo puxada, pois não há caminho, o terreno é muito irregular e a agreste vegetação complica muito a escalada, pelo que chegamos a encarar o retrocesso, mas... para a frente é o caminho! e ultrapassamos a dificuldade com ânimo redobrado!

Foi pena, mas não passamos pela Branda da Cerradinha, que ficava um pouco acima para oeste, um pouco abaixo da cabana da Chã do Abade, mas que estava mal assinalada no levantamento que utilizamos, já que na atual carta militar a localização da branda está errada, mas na antiga vê-se perfeitamente onde ela se encontra. Foi mesmo uma pena, pois estivemos perto e teria sido fácil a sua visita. Fica para a próxima!

Cruzamos o ribeiro de Porto Cavado e iniciamos a subida do Alto da Bragadela, para irmos ao Fojo da Colmadela. Foi uma subida difícil, já que o desnível era grande e porque o sol estava então muito quente, o que nos fez suar às estopinhas, tendo mesmo consumido todas as reservas de água disponíveis.

O que valeu foi que junto ao Fojo da Colmadela havia uma nascente que refez amplamente as reservas e satisfez a sede dos já cansados caminheiros.

Cansados mas persistentes, já que depois de visitar demoradamente o fojo, continuamos a subida até ao topo da Bragadela, que com os seus 1357m rivaliza com o vizinho Pedrinho (1373m) a próxima Pedrada (1413m).

Esta subida da Bragadela, pelo lado do Fojo da Colmadela, é mesmo bastante mais exigente que a do Pedrinho e mesmo do que a da Pedrada, pelo que foi com as forças em baixo, mas com a adrenalina em cima que fizemos no marco geodésico, a costumada foto de grupo, para marcar a subida a mais este alto da Peneda-Gerês.

Seguimos depois a parede do fojo do Sistelo ou do Maranho, que sobe bem até ao alto da Bragadela, para abaixo visitar o poço do fojo, que está bastante desgastado pelo tempo, mas que mesmo assim evidencia a sua forma de armadilha de lobos, que outrora abundavam nestas paragens e que mesmo hoje ainda são presença bem visível, pelas suas caraterísticas fezes, que se vão frequentemente encontrando.

Descemos depois para o Vidoal, tendo feito um desvio até à Chã da Cruz, para visitar as alminhas de S. Bráz e Stº António do Monte, junto ao estradão que vem da Garganta de Eiró, testemunho da devoção desta gente serrana, que mostra o seu credo, mesmo neste lugares totalmente ermos, perdidos na serra.

Foi uma senhora em Lordelo que nos contou que estas alminhas teriam sido erguidas como reconhecimento de um antigo caminhante, que se tendo perdido na serra, se abrigou num local menos agreste, para fugir à inclemência da natureza e, tendo a custo sobrevivido à provação, mostrou o seu agradecimento erguendo no local, tão singelo mas devoto monumento aos santos.

Seguimos depois o estradão florestal, passando pela Cabana do Vidoal e depois infletimos à direita para visitar a belíssima Branda do Arieiro.

Esta é realmente uma branda que vale a pena visitar! Tem um enquadramento espetacular, mesmo junto à nascente de um ribeiro (o Beai) pelo que as muitas cardenhas em anfiteatro estão cercadas de prados e cercas, cujo contraste de cores é deslumbrante. Também o gado bovino e cavalar, ainda presentes nos prados, empresta ao conjunto movimento e vida.

É também uma branda grande, com dezenas de cardenhas, ainda razoavelmente conservadas e tem na sua proximidade uma cabana, também bem conservada e com condições de abrigar algum caminheiro que necessite resguardo numa situação de aflição.

Mas o tempo estava a passar e recomeçamos a marcha, descendo pela Corga de Beai para a Branda de Lamelas, já nossa conhecida de várias caminhadas, também magnificamente situada na vertente direita da Corga de Lamelas, defronte do Rego do Valado e do estradão florestal.

E foi pelo estradão florestal que continuamos até à Chã da Lapa, tendo feito um curto corte até junto da Casa Florestal de Lordelo, onde apanhamos uma ingreme calçada, que nos levou diretos ao centro de Lordelo, tendo acabado aí mais uma jornada por esta bela Serra da Peneda.

José Almeida Vianatrilhos