De Murço pela Cova até ao Mezio

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 25-05-2013
Localização Mezio
Distância total 13.5 km
Participantes 22

Depois da jornada de exploração de 2013-04-24, foi chegada a hora de trazer o grupo até branda de Murço, para fazer a travessia para o Mezio, passando pela branda da Cova.

Deixamos os carros junto à degradada Casa Abrigo da Branda de Murço, hoje em dia num estado lastimoso, mas que foi muito usada como casa de natureza para alojamento turístico, agora votada ao mais completo abandono.

Tomamos o estradão florestal defronte da casa abrigo e subimos a corga da ribeira de João Cão. O trilho estava limpo, pela intervenção recente das brigadas da floresta, pelo que a progressão foi relativamente simples até cruzar a ribeira Escura.

Um pouco mais à frente encontramos uma cabana isolada, que impressiona, quer pelas dimensões exteriores, quer pelo tamanho das pedras aplicadas na sua construção.

Daí para a frente as coisas complicaram-se pela dureza do trilho, que apresenta um declive muito acentuado, o que nos dificultou bastante a progressão, obrigando os cansados trepadores a ziguezaguear a escarpa, de modo a conseguir vencer a forte inclinação, que nos levou dos 900 aos quase 1100m em menos de 1 Km.

Depois da subida houve tempo para um prolongado descanso, seguindo depois para a branda da Cova, na margem da ribeira escura, com os seus abrigos de pedra, dispersos pela vertente este do Guidão.

Como a hora de almoço se aproximava, seguimos para a cabana da Urzeira, onde estava prevista a pausa de almoço.

A cabana foi totalmente recuperada, o que lhe restituiu a valência de abrigo de montanha, proporcionando aos caminheiros um providencial refúgio às inclemências do tempo, bem como um ponto de exceção para a contemplação da natureza.

Para além da habitual partilha de farnéis, houve desta vez ração melhorada, pois o Branco e Higino levaram uns chouriços para assar, acompanhados com boroa e vinho. A pausa foi prolongada, aproveitando alguns para se esticar como as sardaniscas ao sol, outros para pôr a conversa em dia e ainda outros para acertar pormenores das próximas jornadas, bem como decidir os moldes em que vai ser feita, no próximo dia 22 de Junho, o encerramento da época e celebração do 15º aniversário do Grupo.

Após “telefonicamente” cantar os parabéns á Isabel “do tribunal”, decidimos prosseguir, mas aqui o Miguel trocou-nos as voltas (e o planeamento) e em vez de regressarmos á branda de Cova, levou-nos aos zig-zag para o marco geodésico do Guidão.

Não estava no programa, custou um pouco, mas valeu bem a pena! Do cimo do Guidão a panorâmica é simplesmente impressionante, pois a vista alcança a 360º toda a serrania envolvente e foi um exercício interessante tentar nomear todos os picos e aldeias que se divisavam.

E foi no Guidão que tiramos a foto de grupo, que testemunha para a posteridade esta ascensão, que nos levou de Murço (622 m) ao alto do Guidão (1198m).

Vencida a dificuldade, iniciamos a descida para o planalto, onde ocorreu o fato verdadeiramente inusitado do avistamento de um lobo, na proximidade de um grupo de gado com crias, talvez assustado com o restolho da nossa passagem.

Já tínhamos visto restos de carcaças roídas e vestígios de fezes de lobos, mas avistar presencialmente a fera, nunca tinha ocorrido com nenhum dos presentes, pese os muitos anos de caminhadas nestas paragens de alguns.

Se no Gidão foi o momento de contemplação, aqui o avistamento do lobo, correndo serra a cima, foi o momento único e extraordinário, quer pelo pequeno número de espécimes ainda existentes, quer pela inusitada hora do dia do avistamento.

Entretanto demos pela falta do Higino, que seguiu desarvorado encosta abaixo, sem se deter no local de reagrupamento. Perdeu-se algum tempo para estabelecer o contato e reintegração, mas a pausa forçada até serviu para os atónitos presentes trocarem impressões sobre o avistamento.

O destino seguinte foi o desvio para uma breve visita à branda de Cobornos, seguindo-se o regresso à calçada de Currais Velhos, que descemos.

A branda de Currais velhos está quase completamente escondida debaixo de mato e árvores ardidas e tombadas, pelo que não houve hipótese de visitar os seus bem conservados abrigos.

Descemos de seguida para a branda da Travanca e aqui o Miguel voltou a trocar-nos as voltas, substituindo o regresso pela estrada alcatroada, por trilho que parte na traseira do parque de campismo.

E lá fomos.. até o caminho acabar numa “parede” de mato!

A solução foi descer a corta mato por entre a densa vegetação, na direção do trilho do Mezio, que tomamos um pouco mais à frente. Tempo ainda para uma curta paragem na cabana de Mosqueiros.

Finalizamos na Portela do Mezio onde, depois teve lugar a celebração do aniversário da veterana Louise, que nos mimou com champanhe morangos e bolo. Foi mais um ponto alto, que encerrou em beleza um dia épico, nesta nossa bela serra da Peneda.

José Almeida Vianatrilhos