Trilho da Granja do Tedo

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 20-04-2013
Localização Granja do Tedo
Distância total 14.9 km
Participantes 46

SABUGUEIROS EM FLOR – Granja do Tedo! Em plena aldeia típica de montanha caminhou o Vianatrilhos que de Viana partiu pelas 6 horas da matina, no passado dia 20 de Abril. Depois da Régua, onde não provamos vinho tratado ou vinho fino, o tal vinho caseiro, sem rótulo, cujo segredo se deve à adição de aguardente vínica, que foi rotulado, comercialmente, com o nome da cidade portuguesa que o exportava; nem chupamos um rebuçado típico desta cidade duriense, antes, seguimos para o Pinhão, porém, antes derivamos para Escorigo, na margem esquerda do Douro, onde desagua o rio Tedo, cujo nome viemos a saber se deve a D. Tedon.

Começamos a subir e o autocarro ia correspondendo às exigências da dureza estradal, serpenteando o enclave sul duriense, cujas vistas para o Douro eram fabulosas. Em terras de Tabuaço, haveríamos de permanecer todo o dia e fazer o percurso da Granja do Tedo (leia-se Tédo). Mal chegados, à nossa disposição andavam por ali umas maçãs saborosas, que se não eram Gold, eram de prata. Logo no início do percurso vem a curiosidade, o sabugueiro em flor! Ao longo de um vale, todo ele agricultado, o grupo caminhou no sentido contrário do Tedinho, estendendo-se ao comprido e que mal deu para apreciar a flor do sabugueiro, terra onde é princesa e a baga rainha, aliás, onde o sabugueiro é rei.

Granja do Tedo está catalogada, sob o ponto de vista turístico, como Aldeia de Portugal, fazendo parte da rede de aldeias rurais, com paisagens edílicas, que preservam seu passado, mantendo a traça do seu casario, bem como as tradições, usos e costumes. No início da caminhada surge-nos o pelourinho a recordar tempos áureos administrativos, autoridade concelhia extinta em 1835, com a reforma de Mouzinho da Silveira, hoje integrada no concelho de Tabuaço. A capela de Nª Sª do Socorro vem a seguir e onde aguarda, todos os anos, a Sª das Neves, no dia 5 de Agosto, que em procissão faz a sua romagem desde a igreja matriz até aqui.

D. Tedon é a figura histórica dominante, cavaleiro que no encalço da moirama, ao tempo das cruzadas, se terá perdido por esta zona e terá encontrado o amor de uma moura, Ardínia, e por aqui ficou, naturalmente. À sua volta se constrói uma lenda e uma terra, bem ao jeito da lenda de Montedor e de outras mais. Uma certeza fica, a história da Granja do Tedo é bem anterior à nacionalidade, daí a sua importante riqueza histórica e cujo aprofundamento aconselha nova visita.

Em andamento apressado atingimos Vale de Figueira e aqui o azimute virou à esquerda por trilho de monte, onde se localiza uma reserva de fauna, mas cujo arvoredo parcialmente foi destruído por incêndio de malvadez, porventura.

Os Pereiros, lá no fundo, é a localidade que nos leva até Pinheiros, onde o grupo se banqueteou e descansou e teve a oportunidade para visitar as gravuras rupestres do cabeço dos pombos. Por esta zona, desintegrados na caminhada, cheguei à fala com a filha da Bia, a simpática Cristina, que me fez recordar com muita saudade seu pai e mesmo seu avô Martins, aliás, com quem ia à caça mais o Nuno, nos domingos de manhã, quando trabalhava no Porto, mas raramente se trazia coelhos…eram as nossas caminhadas. Este local destaca-se pela vista deslumbrante para o vale, à nossa espera. Começamos a descer depois de termos atingido o pico dos 851 metros. Embalados pela descida, as cartilagens rangiam na compressão das travagens acentuadas sobre calçada granítica e típica de monte.

Não me queixo, mas que foi duro lá isso foi, até que chegamos a um oásis nesta vertente dolorosa, em Ribeira de Goujoim, ao pararmos na casa do granjense Alcino e da madeirense Susana, onde todos pararam e acabaram por se alapar, quando dou por mim e vejo uma malga de vinho caseiro, bem fresco da adega, a passar de mão em mão, ao que não me fiz rogado e zás, boa pinga, refresquei a goela para o resto do caminho, redobrando o ânimo e vencendo o desânimo arreliador da dureza da calçada. Este simpático casal reforçou o moral de alguns caminheiros e por eles nem regressávamos a casa naquele dia!

A dado passo houve a convicção que a caminhada estava prestes a chegar ao fim, mas este dilatava-se à medida que a Granja do Tedo parecia estar mais próxima. Trilho bucólico, esta parte final do percurso, de uma beleza rural sem precedentes, notando-se o cultivo da terra e a sua fertilidade e é precisamente por estas bandas que a baga do sabugueiro ganha escala, tal como a flor. Para além do combate eficaz à gripe e dores de cabeça, não faltam tinturas, pastilhas para a tosse, xaropes, cápsulas e sprays para a garganta. Tem relevância enorme nas indústrias têxtil, agroalimentar, farmacêutica e cosmética. Sabemos que a baga do sabugueiro é utilizada para dar cor ao vinho, o que não altera as qualidades do vinho, antes lhe dá consistência e melhora a qualidade. Porém, mixordeiros há que sabendo da poda, utilizam a baga para fazer “vinho a martelo”. Até para refrescos caseiros, chás e aromatização de licores a baga entra em acção. A flor do sabugueiro serve para aromatizar vinagres, marmeladas e mel e muito mais que a minha santa ignorância não alcança.

Eis-nos na Granja de Baixo, povoação mais antiga, visitamos a igreja matriz, linda, tida como um tesouro fazendo parte do património arquitetónico do concelho de Tabuaço.

Atravessamos a ponte romana para a Granja de Cima e abalamos para o parque fluvial, onde se realizaria o convívio final. Em pleno parque, com o seu jardim histórico, relva e açudes. Lugar mais aprazível para piquenicar não há! Neste recanto belo e sossegado, foi o descanso do guerreiro e o saborear de bons petiscos e óptimas pomadas.

Houve quem exibisse iguarias de fazer água na boca, mas como não posso descrever o que não provei, lá vai uma dica, sem alarde de exibição, acima de qualquer suspeita. O pão de ló da Ana Maria é bem melhor do que o de Margaride, excepcional. O bolo de nozes e mel da Cristina, excelente. Os bifinhos enrolados da Maria José, uma agradável surpresa. O chouriço regional partido às rodelas no pão transmontano da Glória a servir de bandeja, era coisa boa. A meu lado, estava o Mesquita, segredando-me: prove do paté de camarão, feito pela Isabel Santos. Comi e repeti e não é que estava mesmo bom…hei - de querer a receita.

PS. Aos Granjenses Nelo e Zé Morais deixamos um abraço caminheiro e amigo.

Luís Gonçalves Vianatrilhos