À Pedrada pelos Poulos do Maranho

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 09-02-2013
Localização Derrilheira
Distância total 13.11 km
Participantes 8

À Pedrada pelos Poulos do Maranho

Foi este o mote para irmos ao encontro do dito desafio.

De manhã fomos subindo à serra com os rostos gelados pela frescura matinal da montanha. Vistas deslumbrantes recortadas pela neblina da serra. Pelo caminho cruzamo-nos com uma equipa de geólogos do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (CIBIO),.que após conversa verificamos se encontravam em trabalho de campo sobre o Lobo Ibérico, com mantivemos breve conversa.

A longo do dia e pelo caminho pudemos encontrar grande quantidade de excrementos denunciadores do dito animal, sinal da sua presença, talvez até observando os nossos movimentos.

Continuamos subindo, passando pela Cruz do Naia, Chão do Boi, e ainda mais para cima em lugar de Veranda, pelos Poulos do Muranho com a sua fonte, onde dizem vêm beber as “Ninfas do Parnaso”. Os abrigos (cortelhos) do Muranho serviam e servem ainda de refúgio aos pastores, que perdidos no tempo, por ali andaram.

Já no cimo , ao atingir o Alto da Derrilheira ou Serrinha, é de cortar a respiração com as vistas que daqui se disfrutam. Aqui em lugar de destaque na base de um cruzeiro derrubado pode-se ler uma singela prece “Jesus, protegei as serras do Soajo”. Conta o Ventor que quando pequeno andando por estas montanhas, olhava lá para longe e via muitas fumarolas. Um dia, pegou na mão do pai, e perguntou-lhe apontando, porque havia aqueles fumos nos montes, e opai respondeu-lhe que eram os “carvoeiros”. Um dia subiu ao local. Viu homens e mulheres junto de três fumarolas, na azáfama diária do fabrico do carvão das raízes das urzes. Depois havia que o transportar, montanha abaixo, muitas vezes para longas distâncias, inclusive para os Arcos de Valdevez”.

Aqui do Alto da Derrilheira, vê-se Adrâo, Bordença, Assureira, Busgalinhas, Peneda, e todas as serras envolventes, até terras de Espanha.

Continuamos subindo mais um pouco em direcção do ponto mais elevado de Outeiro Maior, um pouco mais para norte, para do extremo desta elevação, para podermos estender a nossa vista, vendo os muros convergentes que formam o fojo do Soajo, e a Branda de Seida.

Através da imensidão que a nossa vista alcança, ver-mos ainda, Lamas de Vez, o Alto do Pedrinho, o fojo de Colmadela, e todo o esplendor da serra. A Corga da Vagem ficava a nossos pés, separando-nos do Alto da Pedrada já bem perto de nós, e visitado em ocasião anterior.

As barrigas batiam horas e pediam algo, pelo que, protegidos do vento por enormes massas de granito pudemos digerir algo. Enquanto isto, pudemos observar caminheiros que atingiam o Alto da Pedrada, mas que nem de nós se aperceberam.

Realizado o reabastecimento, e após um último olhar cá do alto, e sentindo já o esfriar do astro-rei, encetamos o regresso, já com alguma sombra projectada pelos altos picos da serra.

Chegados às viaturas, no final, ainda paramos na Porta do Mezio (fechada), o que não impediu que se saboreasse um bolo confeccionado pela companheira Laura, regado com espumoso, forma de comemorar o seu aniversário. No pequeno café aí existente houve ainda oportunidade para trocar conversa com alguns naturais que disputavam uma partida de sueca, e nos contaram algumas das suas vivências na Serra do Soajo.

Belo dia de montanha.

Miguel Moreira Vianatrilhos