Santiago de Compostela - Dia III

Foto do grupo Vianatrilhos
Caminho de Santiago realizado fora do âmbito das atividades calendarizadas do grupo Vianatrilhos, mas que nela teve papel importante, quer na preparação, quer na elevada participação.

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 20-10-2012
Localização Santiago de Compostela
Distância total 24,4 Km
Participantes 42

Recomeçamos no núcleo histórico de Mos, que foi entretanto muito valorizado, com um arranjo urbanístico notável e pela recuperação integral do Pazo de Mos, reconvertido para uma utilização polivalente dos "visinhos" de Mos, que também reconstruiram a sua antiga fonte, que ostenta na parte superior a imagem de Santiago e com as saídas de água em forma de conchas.

Ficou assim muito valorizado este emblemático edifício, onde viveram os marqueses, até que um incendio que os invasores franceses provocaram, o destruiu quase totalmente e que foi agora reconstruida por artesãos da "Escuela de Canteros" da Diputación.

Em Mos iniciamos a passagem de um dos lugares mais emblemáticos do caminho português! A subida da Rúa dos Cabaleiros onde um cruzeiro policromado e sempre florido deseja-nos “Buen Camino”.

Por Enxertade, com o vale a nascente, chegamos através de ligeira subida a um carvalhal e à capela de Santiaguiño de Antas, pequena capela no alto de Inxertado, lugar de romaria a cada 25 de julho.

Apresenta diferentes motivos jacobeus: na sua fachada, o Apóstolo a cabalo e nas portas, a cruz de Santiago. Um lugar aprazível que bem ajustado para um breve descanso.

Logo, passando pelo miliário romano de Vilar de Enfesta ou Saxamonde, atravessa-se o planalto de Chan das Pipas, muito conhecido pelas descobertas arqueológicas, designadamente mamoas e demarcações territoriais de longínquas épocas. Também do maior interesse são os caminhos tradicionais, já que por esta zona passava a via XIX do Itinerário de Antonino, rota que terá uma continuidade histórica até épocas relativamente recentes.

Seguindo a via romana pelo lugar de Padrón o traçado incorpora-se de novo na N-550, internando-se em Redondela junto do Convento de Vilavella, fundado por Prego de Montaos no início do séc. XVI foi ocupado pelas freiras da Ordem de San Lourenzo Justiniano. De todo o conjunto, o que melhor mantém os traços originais é a Igreja, com abside e naves retangulares.

Em Redondela a rota decorre pela rua Padre Crespo, Queimaliños, Rua do Cruceiro, praça de A Farola e praça de A Alfóndiga, antes de chegar à igreja de Santiago, cuja origem remonta à época de Gelmírez, que foi reedificada no século XVI.O albergue encontra-se situado num edifício histórico do século XVI denominado “Casa da Torre”, é um dos principais do Caminho Português.

Com a capela de Santa Mariña à tua direita cruzamos novamente a N-550 e continuamos por uma pista asfaltada. Passamos uma pequena ponte sobre o rio Raxeiro e sobre a linha do caminho de ferro, já em Cesantes. Viramos à esquerda e atravessamos a fraga até alcançar a Rúa do Areeiro e de novo voltamos a atravessar a N550.

Seguimos pela estrada de Viso e logo viramos à esquerda. Iniciamos uma subida e pouco depois passamos uma zona de recreio com mesas de pedra e uma fonte de boa água - Fonte de Outeiro das Penas, onde está prevista a pausa de almoço.

Continuamos a subir, envoltos pelo bosque e chegamos ao cume (Eido dos Mouro) onde podemos observar á nossa esquerda as ruínas de uma antiga “Casa de Postas”. Iniciamos a descida podendo observar a Ría de Vigo e a ilha de San Simón à esquerda, até encontrarmos de novo a N550 que percorremos durante 700 metros, entrando em Arcade que é a pátria das melhores ostras da Galícia e, onde a arquitetura rural da Galícia Sul conjuga como em nenhuma outra parte o sabor campesino com o marinheiro.

“Puede que la sombra de Mendiño, el más humilde y genial de los juglares medievales, se cruce en tu camino. Va en busca de su amada que lo llama desde la isla de San Simón”.

As vistas para a Ria de Vigo e ilha de S. Simon são belíssimas.

Pouco depois chegamos a Arcade. Descendo pelo lugar de Setefontes, atravessa-se Arcade pelas típicas ruas de Lavandeira, Cimadevila, Velero, Barrancos e Coutada para chegar a Pontesampaio. O caminho cruza o rio Verdugo pela ponte, onde na guerra da independência, se travou uma das maiores derrotas do exército napoleónico na Galiza, às mãos do povo armado, que derrotou Marechal Ney. O Caminho sai da ponte e percorre a vila de Pontesampaio, subindo por uma estreita e empedrada rua à esquerda, abandonando assim o núcleo urbano. Faz-se uma paragem em Santa Maria de Pontesampaio (sec XIII), bom exemplo do românico rural.

Cruzando a estrada do cemitério, aparece à tua vista a velha ponte de Ponte Nova (entretanto destruída com uma forte enxurrada e substituída por uma ponte metálica). Ela conduz a um dos mais belos trechos do percurso, a “la Vrea Vella da Canicouva”.

Estás de novo em total solidão, percorrendo um dos troços mais belos do Caminho. Precede-te o eco dos passos do exército de Almanzor que, utilizando esta mesma rota, arrasou Compostela não sem antes assolar Tuy.

Se o tempo o permitir, acabaremos o dia em Figueirido

José Almeida Vianatrilhos