Dados do percurso
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 14-01-2012 |
|---|---|
| Localização | Pitões das Júnias |
| Distância total | 14.6 km |
| Participantes | 28 |
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 14-01-2012 |
|---|---|
| Localização | Pitões das Júnias |
| Distância total | 14.6 km |
| Participantes | 28 |
O ANTES:
Foi a primeira vez que em janeiro nos atrevemos a demandar esta terra e tivemos uma sorte dos diabos! Com efeito, e para não recuar muito, só no ano passado e por esta época a aldeia ficou dois fins-de-semana isolada por causa da neve, sem acessos para entrada ou saída fosse por que lado se tentasse. Mas, quem tivesse percebido o programa, saberia que ele foi concebido para proporcionar um convívio mais alargado que começou logo na sexta-feira-treze. E, estas, não podem ser escolhidas...
EU NÃO ACREDITO EM BRUXAS, MAS QUE AS HÁ, HÁ!
Arrastados e motivados pelas companheiras conhecedoras e repetentes, fomos uns 20 foliar para Montalegre participando nas animações de rua, aquecendo os corpos no calor das muitas fogueiras, dançando e comendo chouriça excomungada, pernil do lucifer roncador, caldo de urtigas, orelhas do diabo com arroz de couve invejada, leite creme de bruxa cornuda, etc. até ao remate final com o conhecido licor "alevanta o pau". E festa, muita festa, com música ao vivo e figurantes vestidos a preceito. Depois foi o espectáculo no palco junto ao castelo, rematado com uma homenagem ao Pe.Fontes, neste décimo aniversário do festival, e fogo de artifício.
Os mais descrentes (como eu) ficaram convencidos. E prometem voltar e em breve.
Sábado amanheceu sombrio mas sem nevoeiro algum. Frio a condizer e uma ameaça de nevar a qualquer momento, sendo que o sol aparecia escassamente. Obra talvez do anjo que nesta terra desceu do céu (transportado de helicóptero e de nome Mantorras) e descobriu um pastorinho a quem proporcionou o milagre da luz...Ou seja: um bom e belo tempo para caminhar!
O pessoal foi chegando e juntando-se na Casa do Preto e, com meia hora de atraso sobre o horário previsto, iniciou-se a jornada a caminho da Gafaria ou Casa(s) do Alemão, sob o comando do Jorge Mota.
O DURANTE:
E eram 26 os caminheiros, que abalaram do Preto, cruzando a aldeia e descendo para a Mata do Beredo.
A mata felizmente conserva todo o seu encanto, escapando ilesa à onda de incêndios que tem fustigado a região de Pitões e que recentemente levou à destruição de parte do seu importante património paisagístico.
Descemos em amena cavaqueira, tão despreocupada, que falhamos a saída que nos levaria para a margem esquerda do ribeiro do Campesinho, pela ponte na base da cascata, cujas águas abastecem o mosteiro cisterciense de Santa Maria das Júnias.
Tempo para o estado maior reunir de emergência. Consultados mapas e outros registos, foi dada ordem de retrocesso, o que se revelou bastante penoso, pois agora era a subir... Subir não! trepar é o termo mais adequado, pois não só mudamos o sentido, como também de caminho, agora a corta-mato directo à base da cascata.
Qual frio, qual quê! O frio sumiu-se e era vê-los a tirar gorros, luvas, casacos, mantas e cachecóis. O Miguel Mesquita até em manga curta ficou!
Depois foi seguir a meia encosta, agora mais calmamente, pela borda esquerda do ribeiro do Beredo, na direcção do nosso próximo objectivo – Fojo do Lobo.
A progressão foi calma, até em demasia, pois o grupo foi-se alongando, maravilhado pela fauna, flora, pelas vistas para a barragem, mas especialmente pela treta..., o que obrigou a esforços redobrados dos guias, para manter o ritmo e não haver ainda mais atrasos.
Esta preocupação era ainda maior, pelos prévios avisos de mau tempo para a tarde, com promessa de chuva e até possível nevão, opinião corroborada por populares de Pitões, conhecedores da serra e das seus caprichos....
O fojo mantêm-se inalterado, indiferente à passagem dos anos. Trepada a escada de acesso, regredimos no tempo, para uma época em que os lobos eram reis, dizimavam rebanhos e amedrontavam pastores e aldeias, obrigando à construção destas incríveis armadilhas, hoje esquecidas e perdidas nas serras, dignos monumentos do engenho e saber popular.
Empolgada, a Glória encontrou a “pia da cabrita”, ou pelo menos algo que se lhe assemelhava, escavada no afloramento rochoso no qual assenta o penedo central de um recinto de cerca de 60 metros de diâmetro, com muro em granito apenas acessível pelo lado exterior, onde era colocado o isco – cabra oferecida pelos moradores da freguesia de Outeiro, interessados na captura do lobo.
Mais um pouco de conversa e contemplação e deixamos para trás o fojo, continuando a descida para a albufeira da barragem de Paradela. Nova reunião do estado maior se impunha! O tempo passava lesto e ameaçava mudar para pior.
Havia que tomar decisões!
Ou mantínhamos o regresso a Pitões e abandonávamos a ideia de ir à Gafaria, ou mantínhamos o objectivo e descíamos depois para Parada de Outeiro, fazendo o regresso a Pitões de carro.
Ouvidas as alternativas e argumentos, a decisão foi unânime pelo avanço para a Gafaria, de modo a não defraudar o objectivo primordial deste evento. Telefonemas para lá, telefonemas para cá, lá se conseguiu pôr a logística em marcha, ficando o Nogueira da Silva de liderar os eventos em Pitões, de modo a assegurar a logística de transporte e especialmente o aprovisionamento da tão desejada “merenda”.
Chegados à ponte da ribeira do Beredo, depois de uma breve paragem para meter qualquer coisa à boca e fazer a preparação psicológica para a subida ocorreu o inesperado!
O joelho do Fernando Mesquita atraiçoou-o, impedindo-lhe a subida, tendo ficado na ponte à nossa espera, para evitar danos maiores. Foi realmente uma lástima, que o maior entusiasta e dinamizador deste evento, se visse assim privado deste objectivo, que perseguia há longos anos. Mas o corpo é que manda e temos que encarar esta renúncia como um mero adiamento, a ultrapassar a curto prazo.
A subida foi forte e dura, aparecendo ao cimo, um conjunto de pequenas casas perdidas no meio da serra, longe de tudo e de todos, com o nome de Gafaria, termo medieval para designar um leprosário, hospital para leprosos. Acredita-se que, na época Medieval, este foi um local onde se depositavam os leprosos e foi escolhido fora dos locais habitados, para evitar o contágio, hoje parcialmente recuperado por uma comunidade alemã, precursora do turismo de natureza.
Depois da pausa para um almoço breve, novo concílio para escolher o percurso de regresso, tendo a opção recaído pela descida pela escarpa da barragem, recusando o regresso pelo percurso anterior, pois “para trás mija a burra”.
Feliz escolha, pois foi o ponto alto do percurso, com vistas soberbas para a mata e barragem, descendo as escarpas até à ponte, onde o Fernando Mesquita nos esperada, já completamente refeito da dor que o traiu.
Depois, foi a continuação até à aldeia de Parada do Outeiro, com o Miguel Mesquita sempre na liderança, tendo o grupo alongado consideravelmente, pois o dia já ia longo e o cansaço fazia-se sentir, tendo mesmo três da caminheiras terminado com o recurso a ... um tractor, fazendo a subida final na sua caixa de carga, para gáudio dos restantes companheiros, que lhes fez uma recepção entusiástica. Cabe aqui o agradecimento ao Jorge Mota e primos Mesquita, que comandaram as operações com desvelo, escolhendo os trilhos e tomando as opções, que nos proporcionaram uma excelente caminhada.
A logística funcionou também em pleno e o transporte aguardava-nos no largo da aldeia, onde foi feita a foto de grupo e iniciado o regresso a Pitões.
Mais uma vez os primos Mesquita foram anfitriões inexcedíveis, facultando uma prodigiosa “merenda” na sua residência de Pitões, com ilhada de vitela, alheiras, chouriço de abóbora, acompanhado com batatas e couves cozidas e ainda o maravilhoso pão e o sempre presente vinho.
Às cozinheiras Maria José, Glória e ao mestre Miguel Mesquita mais uma palavra de destaque, bem merecida, pela qualidade posta na preparação, confecção e serviço. Também para o Nogueira da Silva e Armando, que brilharam na logística e aprovisionamento, apenas se excedendo na troca por 8 Kgs! em vez de 8 un de chouriço de abóbora!
Foi um “fim de festa” bem ao nível do que os Mesquitas nos já brindaram em outras ocasiões, que nos faz ainda mais devedores, perante tamanha disponibilidade e amizade.
Os que ficaram conversaram, cantaram, jogaram cartas e bilhar.
Os que partiram fizeram boa viagem e chegaram bem aos seus destinos
O DEPOIS:
Para a posteridade aqui se registam os nomes dos 36 participantes que, ao todo, se contaram:
Os primos Fernando e Miguel Mesquita Guimarães; o Américo Nogueira da Silva e o Filipe Barroso; o José Pimenta, a Aurora e a Berta ; a Glória Lourenço, Maria José Nora, Augusta Durães e Louise Ready; a Maria das Dores e o Armando Magalhães; o Rui Afonso, a Irene e o Carlos Penedo; o Armando Branco e a Isabel Freixo; a Celina, o Jorge Lima e a sobrinha Sofia; o Jorge Mota, a Silvana, a Ruth Castro, o Nuno Gonçalves e a Natalie; o Vladimiro e a Noémia; o Carlos Vieira, a Fátima, a Sara e a Inês; e, finalmente, o núcleo duro, José António Castro Almeida, Miguel Moreira, Manuela e Manuel Rego, que apareceram sem avisar… mas sem surpresa!
Por uma ou outra razão nem todos caminharam, nem todos ficaram para o convívio, mas todos regressaram em segurança.
E os que ficaram para domingo, sofrendo embora os efeitos de um arreliador corte de energia eléctrica, que afectou a aldeia entre as 07:00 e as 10:30, foram premiados com uma paisagem coberta de neve, especialmente entre os cumes do S. João da Fraga e os cornos da Fonte Fria, logo que o nevoeiro se dissipou e a folheca começou a cair abundante, branca e leve, leve e pura…
E assim termina a “estória” desta actividade, escrita a duas mãos. Mãos que, fazendo a vontade ao Filipe Barroso, que embirra visceralmente com esta palavra, carregaram o MARCO com que se assinala a sua abolição e se implanta a definitiva “HISTÓRIA”.
Fernando AV de Mesquita Guimarães
QUEM TEM AMIGOS ASSIM, NUNCA ESTÁ SÓ.
Já tardava uma palavra, eu sei.
O caso é que uma vez arrumado na garagem o carro dos passeios, o "teu domingueiro" - como diz uma amiga minha, este não voltou a ver o dono durante uma boa semana.
Por isso não reparei naquele volume, bem dissimulado na parte de trás (e com tapetes por cima).
A embalagem indicava uma rebarbadeira. Coisas do Miguel, por certo. Mas não! Era muito pesado e não me lembrava de lhe ter cedido a chave... Oh, surpresa! UM MECO!
É certo, sem a poeira das belas-horríveis estradas de macadame dos anos cinquenta, mas LINDO, um meia-geração marcado pelas vicissitudes e pelo tempo, tal como sempre desejei.
Bem escolhido pelo conhecido sentido de oportunidade e sensibilidade do Miguel e, imagino, com a ajuda e cumplicidade do Ni e do Nogueira da Silva (quiçá, mais alguém que eu não saiba).
Obrigado, meus amigos.
Como se pode constatar pela foto anexa, o "bibelot" já está sobre a minha mesa de trabalho, novo companheiro evocador das velhas estradas que sempre me fascinaram, memória carregada de imagens e de histórias que não esquecem...
Filipe Barroso
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