Dados do percurso
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 14-12-2011 |
|---|---|
| Localização | Santa Luzia |
| Distância total | 11 km |
| Participantes | 35 |
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 14-12-2011 |
|---|---|
| Localização | Santa Luzia |
| Distância total | 11 km |
| Participantes | 35 |
Era a derradeira caminhada prevista para o ano quase moribundo de 2011, numa manhã encoberta e temperatura “caliente” para a época, onde reinava a boa disposição para andar por cima dos canos de água, lá para os lados do Fincão, no monte de Santa Luzia. É o Pr9, homologado pela FPC e inaugurado em Julho de 2003 pelos Amigos da Chão. A sinalética foi escrupulosamente cumprida e, após uma descida bem acentuada em piso térreo esventrado pelas impiedosas chuvadas, iniciou-se a caminhada pelos canos de água, deixando para trás o templo denominado de Sagrado Coração de Jesus, mas que todos conhecem por S.ta Luzia. Curiosamente, no cimo do monte, há mais de 300 anos, existiu uma capelinha em honra da santa protectora dos olhos.
Em bicha de pirilau, pelos canos construídos em granito, caminhamos para norte até ao local da mina de água cuja entrada foi escavada na rocha e ao lado um antigo moinho, abafado por denso silvado, por onde passa um riacho que só leva água no inverno. Ao longo do percurso eram visíveis os raposos que entopem os canos, fazendo lembrar o colesterol que estreita as veias e obstaculiza a circulação do sangue. Voltamos a calcorrear os canos de água e depois de passar pela casinha da água, acentua-se a subida até chegar ao local que nos leva à azenha velha e queda de água, no inverno. Daqui à capelinha de S.Mamede é só ultrapassar um pedaço de piso em alcatrão de forte inclinação e pronto, o mel espera por nós, todos os anos, pelo menos, no mês de Agosto; desta vez, bem podíamos esperar sentados…de mel nem o cheiro, mas em outras caminhadas o provamos com broa de milho quentinha, com a ajuda de água para uns e um rosé bem fresquinho para outros. Dobramos a casa do saudoso Ilídio Cunha e dirigimo-nos para a aldeia velha, outrora em ruínas, mas hoje reconstruída em grande parte, com vivendas de granito de encher o olho.
Já de regresso ao estradão florestal de santa Luzia, no cruzamento decidiu-se não cumprir a totalidade do percurso, dada a exiguidade de tempo, não passar pela “casinha dos aviões”, posto de observação aérea dos alemães, na 2ª grande guerra mundial, mas que nunca foi utilizado para esse fim. Acabamos por chegar à carreira de tiro e, depois, ao depósito de água, onde, se não fosse a opacidade do arvoredo, teríamos um dos miradouros mais espectaculares sobre a veiga verdejante de Areosa e a imensidão azul do oceano atlântico.
Na parte final, em deslado ficou a cidade velha, a citânia de Viana e, mais à frente, dois placards graníticos tecem loas à beleza natural do monte que dá nome à serra. Num deles, M. Emília Vasconcelos diz: quem abala de Viana, leva no peito Agonia, o Lima a correr no sangue, nos olhos Santa Luzia. No outro, a National Geographic Magazine regista “Santa Luzia tem um dos mais belos panoramas do mundo”.
Chegados ao templo, deu-se a debandada, com o compromisso do almoço a horas no restaurante Anabela, vulgo caguinha; neste intervalo houve quem subisse ao zimbório, porém, a nebulosidade não permitiria longo alcance de vista. Bem ao lado, o funicular cumpre a sua missão desde 1923, e por ali não andavam os vendedores do Manel e Maria, era sábado, apenas o fotógrafo à la minute marcava a sua tradicional presença.
Sentados à mesa, os acepipes surgem em catadupa, ele era bolinhos de bacalhau e alheira, o chouriço e broa de milho, ele era as chamuças e a banana frita, e outros mais que lhe perdi a conta.
Surge o bacalhau acamado por cebola, uma fatia de fiambre e maionese, acompanhado de puré de batata, com a alternativa de batata frita. O vinho verde branco ou tinto primava pela boa pinga, não faltando o bolo-rei da crise, trazido pelo Ernesto, o leite-creme, o café e ponto final. Excelente serviço, como poucos, parabéns, restaurante Anabela!O convívio redundou num vira geral, com elementos do grupo de cavaquinhos da paróquia de Sª de Fátima. Ao ritmo do folclore minhoto, a caminheira inglesa Louise nem acertava o passo, nem o compasso.
Em tempo de quadra natalícia, deixa-se a mensagem de Natal com o poema de Ary dos Santos, por sugestão da caminheira Marina.
Em nome dos que choram, Dos que sofrem, Dos que acendem na noite o facho da revolta E que de noite morrem, Com a esperança nos olhos e arames em volta. Em nome dos que sonham com palavras De amor e de paz que nunca foram ditas, Em nome dos que rezam em silêncio E falam em silêncio E estendem em silêncio as duas mãos aflitas. Em nome dos que pedem em segredo A esmola que os humilha e os destrói E devoram as lágrimas e o medo Quando a fome lhes dói. Em nome dos que dormem ao relento Numa cama de chuva com lençóis de vento O sono da miséria, terrível e profundo. Em nome dos teus filhos que esqueceste, Filho de Deus que nunca mais nasceste, Volta outra vez ao mundo!
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