Trilho na Serra D'Arga

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 03-12-2011
Localização Serra d'Arga
Distância total 13.9 km
Participantes 28

... e a esta terra imóvel onde já a minha sombra é um traço de alarme

Luíza Neto Jorge

Vou... não vou... chove... não chove... muitas nuvens, poucas, algumas: vamos a ver. E fui. E fomos.

À hora marcada e à porta do Vitral só a Louise e o Miguel Moreira, certamente pela sua condição de britânica e de organizador. Depois, foram chegando, ritmadamente os outros até perfazerem todos e, quinze minutos depois, ala-que-se-faz-tarde a caminho da serra d'Arga.

Arga - corrupção de "Agra", como antigamente se chamava, é serra muito alta do Minho, despida de vegetação de porte onde a penedia abunda farta e, em cujos cumes, há amplas planícies onde nascem fontes que, formando pequenos regatos, vão desaguar nos rios Coura e Âncora. Em tempos aqui se criou muito gado grosso e miúdo, que atraía os lobos. Teria havido muita caça, ninhos de águias nos penhascos e seria em muitas partes cultivada e povoada. Correndo em parte paralela ao mar, de Viana até Caminha, existem fortes razões para acreditar que Arga é o Medullio dos antigos, onde existiu a cidade de Benis. Nesta serra e em todas as suas vizinhanças vêem-se ruínas de povoações e fortalezas antigas, de que resta a digna ermida de S. João de Arga, muito frequentada.

O Pe. Cardoso escreveu que os homens d'aqui são muito espertos e as mulheres muito formosas. Confesso que não sei, nem vi.

Estas Argas são povoações chamadas de Cima, ou de Santo Antão, de Baixo ou de Santa Maria ou Nossa Senhora da Assumpção e , a do meio, simplesmente Arga de S. João. De todas se diz serem terras frigidíssimas, desabridas e pobres.

Mas, andando cá por cima, digo-vos de lindas vistas.

E foi precisamente para olhar-e-ver tudo isto que o grupo se arrastou vagarosamente pelo trilho inventado para esta jornada, em parte coincidente com trilho conhecido e marcado no terreno. Cá atrás, fazendo de Luís Santos (Luís! por onde anda?...tem muitas faltas!), iam-se revezando o Nogueira da Silva e o Fernando Vilaça, o Manuel Rego a ver se os apressava, o Filipe Barroso a fotografar; também a Augusta que, por altura das minas, foi intimada a escrever esta crónica, os meus primos M. G., pai e filho, respectivamente Luís e Tiago, a fazerem de "Joca" (que é feito de si?...) e a controlarem a Louise, a Carla em incontáveis receitas de bacalhau que - o mais certo - jamais provaremos... Não falo dos da frente, pois que só nas paragens para reagrupar os conseguia ouvir.

E foi assim, e aqui, que junto a um conjunto de velhas pedras, quem sabe se cabana ou cova de antigos anacoretas e eremitães, abancamos para comer os merecidos farnéis. Eu tive a sorte de ser contemplado com dois copinhos de verde tinto, de cinco estalos ou assobios, gentil mercê da Louise e de quem antes lho ofereceu, quinta particular, colheita selecionada, reserva do dono... Bem haja!

O tempo manteve-se sempre excelente para caminhar. Alguma chuva miudinha e nevoeiro ao longe não chegaram para prejudicar a marcha ou empobrecer a jornada.

Íamos agora, de guarda-chuva ou capuz na cabeça, quase sempre a descer - que a primeira parte havia sido a subir - deixando para trás a serra deserta, fria e abandonada, e ao encontro de algumas casas, aldeias abandonadas, muitas ruínas e ruínas de ruínas, escassas pessoas, uma igreja, uma capela.

Uma ou outra casa recuperada mas a mesma ausência de pessoas, tal como os diospiros por colher nas árvores sem folhas, quais enfeites em pinheiro de natal sem presépio...

Isto continuo eu a dizer e a escrever, pois não sei se os mais apressados "fotografaram": tal era a pressa de chegar ao café, que os da frente e o pelotão, conseguiram a proeza de fazer parte do percurso por fora do trilho mas, obviamente, sem penalização. O que não acontecerá quando forem a exame para "mestrado" e perante júri mais exigente, que não estes - bando dos quatro - em que me incluí e saboreei o atraso.

Reunidos no largo da capela, antes da ponte do lobo e das exigentes provas de travessia de linhas d'água, num pulo estávamos na "arte na leira" e noutro no ansiado café, a matar a sede e a cantarolar. Baixinho.

Para o Natal aumentaremos o volume e talvez apareça o conjunto (por falar em conjunto: por onde andas oh! acordeão, oh! viola? oh! cavaquinha?...).

Entrem agora os companheiros das muitas máquinas fotográficas e mostrem-nos o que registaram, os momentos certos e a cores que eu não consigo descrever.

E, falando em companheiros, registamos no princípio e no fim: 12 do Porto, 13 de Viana, 2 de Ponte de Lima e 1 de Valença. O que é caso, tendo começado por uma poesia (parcial), para rematar de igual modo.

Eu sou de Viana cidade. Eu sou de Viana que é vila, Sou de Viana e sou da aldeia Sou do monte e sou do mar. A minha terra é Viana! Quem diz Viana, diz Cerveira, Quem diz Cerveira, diz Arga...

  • Só dou o nome de terra Onde o da minha chegar!

Pedro Homem de Mello

E, é por isso e isto, que...

PORTO, aos 4 de dezembro de 2011

Amigavelmente,

Fernando AV de Mesquita Guimarães Vianatrilhos