Por Terras de Pitões

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 21-05-2011
Localização Pitões de Júnias
Distância total 16.2 km
Participantes 26

Em Pitões esperavam, em prontidão de marcha, 9 companheiros bem dormidos.

Vindos de Viana do Castelo, chegamos mais 17, depois de uma viagem algo atribulada, perturbada na sua fase final por problemas de navegação, que nos obrigaram a algumas renúncias.

Depois de três travessias do embalse de Salas e algum temor sobre a segurança das suas apertadas pontes, lá acabamos por chegar a Pitões da Júnias, pelas 09:15, desejosos de um cafezinho na "Casa do Preto" - mítico local de encontro em e com Pitões - a aldeia mais alta de Portugal, que alguém descreveu como “o ponto onde o Gerês acaba e o Barroso, no planalto da Mourela, começa”.

Não podíamos ter escolhido melhor dia ou, se quiserem, ter tido mais sorte com o tempo.

Com efeito, pelo meio da tarde da véspera apareceram no céu umas "trovoadas" que se desfizeram em chuva que, por longos minutos, caiu copiosamente. Como, ao longo da nossa caminhada, pudemos constatar pisando os seus vestígios. E, no domingo, a manhã voltou a acordar bem ensolarada, porém com nuvens (nevoeiro) nos baixios dos picos graníticos, que só deveriam "levantar" lá para a tardinha...

Enfim, foi um dia desenhado para o nosso objectivo.

Saímos pelas 09:45 em direcção a Norte, pela estrada da Portela, atravessamos o centro aldeia, começamos logo a subir, paramos na "padaria" para compras / encomendas, deixamos para trás a sede da Associação Recreativa Fiadeiro de Pitões e...vamos para a terra, o monte.

Os Mesquitas lá iam definindo o caminho, ora seguindo uma degradada calçada, ora trepando pelas encostas a corta-mato, ora cruzando densos carvalhais, ora cruzando linhas de água, sempre com vista soberba para as Fraga de Borzeleite à nossa direita e com o vale de Pitões do outro, fomos inflectindo para norte, na direcção do nosso destino final – Cornos da Fonte Fria.

Aqui, um especial destaque para o afortunado achado exemplares raros de lírios-do-gerês (Iris boissieri) em plena floração - uma das mais belas e raras flores da flora portuguesa, espécie endémica do noroeste da península ibérica e exclusivo em algumas zonas remotas da serra do Gerês, sendo mesmo protegida por lei, face à sua raridade.

Pelas 12:15 avistamos de perto o nosso objectivo e, pela primeira vez, vimos as cabras bravas, bem visíveis sobre as rochas do pico da Fonte Fria, com as suas silhuetas recortadas no horizonte, tão espantadas quanto nós por este encontro, nestas terras do fim do mundo.

Mesmo os mais "habitués" - repetentes pela 4ª. e 5ª vez da jornada - jamais as haviam avistado, pelo que é mais um motivo de regozijo.

Extinta na última década do séc. XIX, devido à incessante perseguição humana, a cabra-brava ou cabra-montês do Gerês constitui uma das quatro subespécies de cabra-montês existentes na Península Ibérica, foi entretanto reintroduzida em 1997 no Parque Natural do Baixo Límia-Serra do Xurés.

Embora seja um animal de grande porte, esta cabra-montês não se revela de fácil observação pois na maioria das vezes, apenas é possível avistá-la a grandes distâncias pelo que tivemos um privilégio muito especial em as poder divisar tão perto, bem como fazer a sua observação desde um local que é um verdadeiro ícone do Gerês.

Os 5 “mais gastos“ ficaram lá em baixo, vendo os companheiros que decidiram trepar ao pico dos cornos, bem em cima deles, ficando os mais cautelosos pela base do gigantesco monólito granítico que coroa o pico.

Os mais destemidos apostaram em vencer esta última dificuldade, sempre com a Louise na vanguarda, usufruindo de uma panorâmica a 360º fantástica sobre a cordilheira do Gerês, que adiante ali morre, a barragem de Paradela a sul, a barragem de Salas em território vizinho e o início da ondulação do planalto transmontano.

Iniciamos o regresso pelas 14:00, fazendo a paragem para "almoçar" logo abaixo, com Pitões ao longe e á vista, debaixo de um frondoso carvalho.

Regista-se uma pequena "avaria" num delicado pézinho da Laura, prontamente remediada (no duplo sentido), e algumas ligeiras quedas e arranhadelas: Camaradas! É preciso não descurar nunca a preparação!

Chegamos às 16:30 a Pitões e enquanto uns iam às compras no "Pedro Pitões" para o lanche geral, outros iam pela Padaria e Casa do Preto. Depois todos para o autocarro onde, capitaneados pelo Miguel Moreira, foram de visita ao mosteiro de Santa Maria das Júnias.

Reunião geral na casa do engenheiro, de seu nome Manuel Pontes, considerado "benemérito" da aldeia e hoje propriedade duma sociedade, "QVISTA" de seu nome, representada pelo sócio maioritário e, numa palavra, grande obreiro - Miguel Mesquita Guimarães.

Os acepipes foram então servidos, e apenas houve dificuldade em escolher entre a carne grelhada deliciosa, primorosamente cozinhada pela Isabel e Elisa, o delicioso chouriço de abóbora e mais uns chouriços, queijos e o pão de centeio do forno local, abundantemente regados com vinhos maduros, que saciaram a sede aos caminheiros. Com Ernesto presente...regressaram os baptizados.

Face á ausência do bagaço usual, usou-se a ginja, alternativa mais adequada às fracas gargantas femininas, mas quiçá insuficiente para garantir um baptismo reconhecido pelos cânones do grupo. A ver vamos se não terão que ser repetidos!

Por ordem, foram distinguidos os companheiros:

  • Isabel - beatificação!!!

  • Pauline Judge

  • Louise Ready

  • Ana Pires

  • Maria Dores Fernandes - foi padrinho o Fernando Mesquita, pelo que ficou bem baptizada e, logo ali, por ele nomeada representante única e exclusiva da n/delegação em Ponte de Lima

  • Dina Monteiro

  • Elisa Filipe

  • Armando Magalhães - que apesar do seu tamanhão teve dois enormes padrinhos: Ernesto + Glória (vidé album de "glória...s")

  • Elisa Dantas

Com um atraso de meia hora, sobre a prevista hora de 19:00, saímos contentes em direcção a casa.

Um dia verdadeiramente inesquecível.

Sim repito, verdadeiramente inesquecível, onde houve um pouco de tudo, desde um tempo óptimo para este tipo de actividade, a paisagens verdadeiramente sublimes e inesquecíveis, à nossa sorte em conseguir observar uma fauna e flora únicos e por fim a um convívio maravilhoso, proporcionado pelos nossos anfitriões.

Os nossos sinceros agradecimentos aos Mesquitas.

PS:

Se gostaram desta actividade, com muito gosto organizada pela FILIAL NO PORTO (e do PORTO) não percam no próximo fim-de-semana, dias 28 e 29, o SERRALVES EM FESTA : é tudo praticamente grátis, é mesmo só vir!

E, também, não deixem de visitar a exposição A EVOLUÇÃO DE DARWIN, na Casa Andresen - Jardim Botânico do Porto, até 17 de Julho.

Notas e apontamentos de: Fernando Mesquita Guimarães

José Almeida Vianatrilhos