Dados do percurso
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 19-06-2010 |
|---|---|
| Localização | Monção |
| Hora de início | 09H00 |
| Distância total | 17 km |
| Participantes | 33 |
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 19-06-2010 |
|---|---|
| Localização | Monção |
| Hora de início | 09H00 |
| Distância total | 17 km |
| Participantes | 33 |
Pois é, mais uma época chega ao fim.
Com o aproximar da época de férias, e com a tendência para a beira-mar, precavendo problemas com os fogos tão característicos desta altura do ano, há que parar por algum tempo e rumar assim para outras paragens, aproveitando as desejadas e merecidas férias.
A Ecopista do Rio Minho, entre Valença e Monção, uma via verde colada ao rio, faz o aproveitamento da antiga linha de caminho de ferro entre estas duas vilas do Alto Minho, num traçado de aproximadamente 17 km.
Foi este o percurso escolhido para o fecho de época do grupo VianaTrilhos.
Com concentração em Valença por volta das 09h00, houve primeiro que deixar as pessoas no início do percurso. Os condutores foram a Monção deixar os carros e regressaram em táxis.
Eram 10h07 quando demos início ao percurso, que contou com a participação de 33 caminheiros.
Como nota, registe-se a sempre alegre presença dos companheiros Teresa e F. Vilaça, que, apesar de nunca terem estado ausentes, marcaram novamente presença de forma alegre e bem-disposta.
Também a acompanhar-nos pela primeira vez, a simpática companhia de um novo companheiro e três companheiras oriundos de terras limianas.
Logo no início, lamentamos o facto de a antiga Casa de Vigia da Linha, na Ponte Seca, agora transformada em Centro de Interpretação da Ecopista, local onde se deveriam obter todas as informações através da exposição aí existente, se encontrar fechada. Nada abona essa situação, negando uma melhor informação sobre o espaço a percorrer.
Iniciadas as primeiras passadas, talvez devido à ligeira brisa da manhã e ao bom piso do traçado, o ritmo foi um pouco acelerado, parecendo querer-se que a ligação a Monção fosse rápida.
Ganfei foi a primeira freguesia a percorrer, com os seus campos de vinhedos bem tratados, abrangendo toda a área entre a ecopista e o rio Minho. Mais acima, para o lado do monte, avistava-se o antigo mosteiro beneditino e a igreja românica de três naves que remonta ao séc. VII. Em Ganfei nasceu o primeiro santo português, S. Teotónio. Passámos junto ao antigo apeadeiro, imagem secular das antigas estações da Linha do Minho.
Verdoejo veio a seguir, e foi local para breve descanso. Conforme se ia caminhando, também as conversas se iam realizando, ajudando a percorrer a distância.
Ao longo do percurso, notava-se já a presença de bicicletas, que por nós iam passando com grupos de pais e filhos.
Ao passar sobre o rio Manco, já próximo de Friestas, a indicação do Trilho Interpretativo do Rio Manco foi pretexto para abandonarmos a ecopista e realizá-lo, o que nos levou até à sua foz no rio Minho, ou Pai Minho, como gentilmente os galegos o tratam, perpetuado nas histórias tempestuosas de dois povos que a política dividiu e a amizade uniu.
Subindo um pouco o rio Manco, cruzámos uma pequena ponte de madeira e acompanhámos um pequeno troço de braço de rio (zona lagunar), onde se faz sentir a vida numa zona mais propícia a espécies da avifauna. Continuando, voltámos novamente à ecopista, precisamente num local onde podemos ver o Portal dos Crastos (Friestas), imponente, em estilo barroco, com influências do barroco da América Latina. Este portão tem uma curiosa lenda.
Continuámos e passámos junto da Ínsua do Crasto, língua de terra com muitas histórias para contar sobre o contrabando no rio Minho. Logo depois, já em Lapela (concelho de Monção), o parque de merendas foi aproveitado para breve repouso, e para estender o olhar sobre a panorâmica do rio Minho e a margem galega.
Em Lapela abandonámos a ecopista e passámos pelo pequeno núcleo da freguesia para visitar a sua Torre de Menagem, monumento nacional também conhecido como "Torre de Belém do Minho". É um símbolo do passado glorioso, pois pertenceu a um castelo medieval que o Rei D. João V, no início do século XVIII, mandou destruir para aproveitamento da sua cantaria na construção das muralhas defensivas de Monção.
Podemos ver ainda o seu cruzeiro e a antiga estação, cuja inauguração foi em 1913, dois anos antes da chegada do comboio, agora aproveitada para atividades culturais da freguesia.
Junto da estação, à sombra de pequenas árvores, sentados na relva, fez-se o reabastecimento com os farnéis que transportávamos nas mochilas, e retemperaram-se as energias.
Cerca das 14h00 empreendemos novamente o percurso, aproveitando todas as sombras para nos protegermos do calor. Caminhávamos agora bem junto ao rio Minho, com vista para as suas perqueiras, passando pela ponte metálica sobre a foz do rio Gadanha (já em Troporiz) que, logo abaixo, despeja as suas águas no Minho, criando nesta zona uma apelativa praia fluvial.
A ecopista segue logo encaixada entre duas encostas, onde predomina bastante humidade, dando origem a tufos de fetos. Mais à frente chegámos ao antigo apeadeiro de Nossa Senhora da Cabeça, na freguesia de Cortes, agora remodelado e onde se encontra um centro de interpretação da ecopista.
Bem perto fica o santuário de N. S. da Cabeça, local onde outrora chegavam de comboio, carregando os seus farnéis, banhos de gente para participar na grande romaria de fé cristã. Após breve visita ao local, continuámos, e cerca das 15h00 chegámos a Monção, ao local da antiga estação, e logo depois ao centro da vila, onde foi a todos indicado o local do almoço.
O resto do tempo foi aproveitado para visitar a Casa do Curro, onde se encontra instalado o Posto de Turismo e o Paço do Alvarinho. Durante a visita, foi-nos oferecida uma prova do delicioso néctar, gentilmente oferecida pela casa.
Monção é terra do Alvarinho, que ganhou fama desde o séc. XVI, altura em que os Ingleses, pelo porto de Viana, importavam vinho de Monção, a que chamavam Eager Wine, juntamente com panos de linho, mel, cera e cordagens.
No centro cívico de Monção, destaque para a Praça Deu-la-Deu Martins, com o brasão de armas da vila, que perpetua esta figura portuguesa do tempo das guerras de D. Fernando, Rei de Portugal, com D. Henrique de Castela, no longínquo séc. XIV:
Em campo branco, uma torre, no alto da qual emerge um vulto de mulher, em meio corpo, segurando um pão em cada uma das mãos; em volta a legenda: "Deus a deu – Deus o há dado".
É também nesta praça que o povo de Monção realiza, no feriado de Corpo de Deus, a sua maior festa — a Coca — a vitória de S. Jorge e o triunfo do bem sobre a Coca (o dragão simbolizando o mal).
À hora combinada (15h30) todos nos dirigimos para o Restaurante Central, onde foi servido o repasto que constou de "Arroz de feijão com bacalhau frito", deliciosamente confecionado, acompanhado de um verde branco da região.
O convívio decorreu de forma salutar, num ambiente agradável, devidamente aproveitado por todos, e onde reinou a boa disposição.
Surpreendido ficou o companheiro Pimenta quando viu que a data do seu aniversário não tinha passado despercebida, tendo o grupo aproveitado para lhe cantar os parabéns e apagar as velas do bolo de aniversário.
No final, ainda houve tempo para um pequeno passeio através das muralhas com vista para Espanha, onde ainda se ouvem os comboios. Um pequeno monumento, sobre um miradouro para o rio Minho, ilustra o poeta regionalista José Rodrigues do Vale, cujo pseudónimo é João Verde, com um dos seus versos inscritos:
Vendo-os assim tão pertinho A Galiza, mais o Minho, São como dois namorados Que o rio traz separados Quasi desde o nascimento Deixai-os, pois, namorar, Já que os pais para casar Lhes não dão consentimento.
João Verde, Ares da Raya
Daqui fomos até ao Centro Termal e ao parque à beira-rio, e regressámos ao local onde se encontravam as viaturas. Fizeram-se as últimas conversas e as despedidas, e cerca das 19h00 regressámos todos a casa.
Deu-se assim por concluída mais uma época, em que alguns percalços, derivados das condições do tempo, não permitiram que tudo se tivesse desenvolvido normalmente.
A todos, em nome de VIANATRILHOS, boas férias e até Setembro.
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