Por caminhos do Homem e de Lobo

Foto do grupo Vianatrilhos
Percurso de responsabilidade do clube Ar Livre

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 08-05-2010
Localização Parque Nacional da Peneda-Gerês
Hora de início 23H10
Distância total 24.1 km
Participantes 44

O encontro com o Jorge e os companheiros do grupo Ar Livre foi nas Cerdeirinhas, para mais uma jornada conjunta no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Iniciámos o percurso muito perto da Ponte do Arado (730m), local já nosso conhecido de outras atividades.

No início da caminhada chovia ligeiramente e havia algum nevoeiro, que se foi adensando com o passar do tempo. Atravessámos a Malhadoura, os seus bosques, prados e currais. Numa propriedade particular, espreitámos por cima do muro uma escultórica deusa, vigiando uma graciosa piscina.

Descemos depois à Ponte das Cervas, cruzando o rio do Conho. Passámos o Curral do Pinhô, com o seu abrigo agora transformado em "chalet", e mais à frente, admirámos o denso arvoredo da Carvalhosa, iniciando aqui a subida em direção aos Bicos Altos.

Os numerosos mariolas guiaram-nos por entre blocos de granito. A leste, a corga que nos separava dos Bicos Altos, com o seu prado e cabana. Atingimos os 1050m na Cabana de Pradolã, primitiva mas bem conservada, com recentes obras um pouco exageradas.

Dali, a vista para sul era deslumbrante — ou seria, se o nevoeiro não a tivesse ocultado quase por completo. Cruzámos o prado e continuámos por entre maciços graníticos. De um dos corredores, alcançámos uma varanda sobre o rio Laço. Ao fundo, as Sombrosas e o rio da Touça; a norte, os Ovos e a Rocalva.

O Prado da Rocalva (1250m) é um lugar magnífico, coroado pela Meda da Rocalva, com a Roca Negra a leste. Pena o tempo: frio, chuvoso e com nevoeiro cerrado. A cabana ali presente, com o seu enorme carvalho, ofereceu-nos algum abrigo.

Passámos as Mouriscas e descemos às Fechinhas, perto do Prado do Conho. A paisagem era bela, ainda que vislumbrada apenas por instantes quando o nevoeiro o permitia.

Descemos a leste até à Cabana das Fechinhas (1050m). Atingido o rio da Touça, seguimos para as Sombrosas, onde nos reabastecemos junto a um abrigo de pastores, sob chuva intensa. A água das cascatas e lagoas impressionava — mas foi aí que uma companheira caiu e fraturou um pulso.

A ajuda foi demorada e, com isso, muitos ficaram expostos à intempérie, encharcados e em risco de hipotermia. Já bastante fragilizados, seguimos para a Cabana da Touça (800m), rodeada por carvalhos majestosos.

Na difícil travessia do rio, Armando Branco perdeu o GPS, e Zé Emílio mergulhou acidentalmente nas águas geladas, ajudando ainda assim os companheiros. E então... fez-se noite.

Sem luar, com denso nevoeiro e chuva contínua, apenas meia dúzia dispunham de lanternas. O resto seguiu em fila indiana, tentando manter contacto visual.

Apesar de haver outras rotas possíveis (como subir à Lagoa do Marinho), os organizadores mantiveram o plano inicial. A progressão foi lenta e difícil. Alguns companheiros, em hipotermia ou pânico, mostravam sinais de exaustão.

A liderança calma e decidida de Jorge Mota e Zé Emílio foi crucial. Pouco antes de chegar a Fafião, novo contratempo: um grupo perdeu o contacto visual e seguiu por outro estradão, obrigando a nova paragem para reagrupar.

Chegámos finalmente a Fafião às 23h10, onde já nos esperavam em sobressalto pela longa demora.

Dentro do autocarro, os amigos do grupo Ar Livre ofereceram a cada caminhante da Vianatrilhos um passamontanhas, gesto que muito agradecemos.

Foi uma jornada dura, repleta de imprevistos, frio e chuva — um dia difícil, mas memorável.


Notas de:
José Emílio / Jorge Mota (Ar Livre)
Miguel Moreira (Vianatrilhos)

José Almeida Vianatrilhos