Marcha de S. Martinho

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 07-11-2009
Localização Ponte da Barca
Distância total 11 km
Participantes 33

Antecipando o dia festivo do dia 11 de Novembro, o grupo Viana Trilhos chegou à pontelimiana aldeia de S. João da Ribeira, na estrada velha que liga à Barca, e junto ao cemitério local abandonou as viaturas e iniciou a caminhada pela excelente ecovia, de terra batida, até Bravães.O dia era apropriado para caminhar “ junto do Lima, claro e fresco rio que Lethes se chamou antigamente”, assim cantava Diogo Bernardes.

As águas deslizavam suaves, mas o bulício e boa disposição era coisa que não faltava ao grupo, mesmo sabendo, à partida, que já não iriam comer o “cozido no pote”, no final da caminhada, a cargo de dois caminheiros históricos…Em surdina, o caminheiro Mesquita contou-nos a história de um grupo de taxistas de Famalicão que pretendiam venerar o seu santo padroeiro, S. Cristóvão, e então começaram por pedir esmolas para comprar o santo e uma vez comprado este fizeram todos os preparativos, pensando estar tudo pronto, até que chegou o dia da festa e logo deram pela falta da capela!...esqueceram - se de construir a capela!...ah!...ah!...

Assim foi, neste dia húmido qb., que ficará na memória dos caminheiros pela ausência de abrigo, mas o pote e os ingredientes do cozido parece que estavam à mão. A alternativa surgiu e o sarrabulho apareceu, mas já vamos ao assunto.

Ao logo do trajecto a cumprir, 11 quilómetros, lindas salamandras apareciam já sem vida, trespassadas pelos rodados das btt,s; pelas bermas despontam cogumelos que deleitam o nosso olhar e no rio as garças esvoaçam e, aqui e acolá, os patos bravos levantam voo para outras paragens, quem sabe, para as lagoas, que bem conhecemos. A natureza, viva e bela, está no meio de nós, ao longo de todo o percurso. Às duas por três, a Glória, mirandesa de gema, põe o grupo em alvoroço, pois detecta um cogumelo silvestre, tecnicamente designado por carpóforo, de certo porte e atraente, muito vistoso, e começa a dissertar sobre a matéria com conhecimento de causa e dizia que o ia levar e comer. Aqui as vozes se levantam, uns a favor, outros contra, ate nós fizemos votos para que não fosse a última caminhada dela, enfim, daí para a frente já não faltavam cogumelos e, nesta altura, lembrei-me das repolgas, estes são comestíveis e fazem óptimos refogados… hum!

As castanhas, embrulhadas nos ouriços molhados, tapetavam o piso da ecovia, era só curvar a espinha, porque material não falta para dar e vender e se o tempo estivesse bom, o magusto se faria, aliás, constava do projecto da caminhada, porque pote havia...faltava a capela!....

Passamos pelos moinhos da Gemieira e lá estava a varanda da casa da Srª Gracinda, onde um dia o ex-presidente da república, Jorge Sampaio, quis almoçar com a sua mulher, arredado de toda a comitiva, como se fora um paisano. O encanto é bucólico e rural, dá tranquilidade e apetece andar por ali, mas aqueles versos de rima parola bem podiam ser substituídos pelos de Feijó ou Diogo Bernardes.

Com passada bem ritmada chegamos ao Carregadouro, em S. Martinho da Gandara, margem esquerda, concelho de Ponte de Lima, e da outra margem o embarcadouro da Jolda, em território dos Arcos de Valdevez. A Isabel estava em casa, viu ao longe na outra banda seu irmão, indicando-nos a casa dos pais e recorda que o rio em grande parte do ano, na sua meninice, permitia a travessia a pé entre as duas margens. Neste local embarcavam para Viana as pipas do afamado vinho dos Arcos e da Barca. É preciso recordar que na extensão de sessenta e cinco quilómetros do rio em Portugal havia, até há bem pouco tempo, três pontes sobre o rio Lima: a de Viana, a de Ponte e a da Barca. Na Jolda (Madalena) impera o Paço da Glória, construído no sec. Xviii, onde decorrem filmagens da telenovela “deixa que te leve”. Ao que se julga, foi construído em despique com o dono da casa do Reguengo, hoje pertencente à viúva do falecido e Ilustre Professor e político Lucas Pires.

Atingimos Bravães, célebre pelo seu mosteiro, talvez o exemplar mais representativo do românico em Portugal, e dotada de bem equipado parque de merendas, a todos os títulos fantástico e bem pensado para um cozido no pote…mas faltou a varinha de condão e as palavras mágicas dos indigitados cozinheiros Luis Santos e Pimenta: faça - se sol que o cozido no pote logo aparece ! A Fonte Santa, mesmo ali ao pé, não ajudou a resolver o problema; dela brota água sulfurosa, de caudal muito reduzido, escondida por largos anos e todo o espaço de lazer envolvente, coberto de árvores frondosas, está bem cuidado e é convidativo, não faltam mesas, bancos e assadores.

Encomendado estava para o Celeiro, em Bertiandos, o dito sarrabulho, famigerado prato limiano, nada salgado e parco em condimentos, ao gosto da maioria, mas o Américo pediu cominhos. Para atestar, vieram as castanhas de S. Martinho. O convívio valeu mais que tudo, ao ponto de se ter cantado os parabéns, via telemóvel, à caminheira Isabel Freixo, pelo nascimento da sua neta.

Hoje, é dia de S. Martinho, por isso, “bóte mei cartilho ó”!

Luis Gonçalves Vianatrilhos