Dados do percurso
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 26-09-2009 |
|---|---|
| Localização | Vizela |
| Distância total | 15.8 km |
| Participantes | 38 |
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 26-09-2009 |
|---|---|
| Localização | Vizela |
| Distância total | 15.8 km |
| Participantes | 38 |
Começamos esta jornada junto à igreja da Nª Sr.ª das Neves, na freguesia da Lagoa.
Este interessante templo medieval é o local onde anualmente se realiza uma das mais curiosas romarias do concelho de Fafe e de todo o Minho, no quadro do culto mariano.
Como manda a tradição, todos os anos, na última sexta-feira de Agosto, milhares de devotos sobem à Lagoa, com o objectivo de, para além das rezas e promessas, colocar a imagem de Nª Sr.ª das Neves na cabeça, para "tirar o Diabo" do corpo.
Depois de visitar o interior do templo e curta espera por alguns atrasados, arrancamos para a estrada alcatroada, na direcção de Calvário, para inflectir pouco depois por caminho rural na direcção de Cortelhas.
Apreciamos especialmente este troço do percurso, em que se desenvolvia uma abundante moldura florestal, onde abunda profusamente o carvalho-alvarinho (Quercus robur). O carvalho assume aqui um grande relevo para a economia local, quer pela madeira que desde sempre forneceu, quer pela possibilidade de surgimento de duas indústrias artesanais: a do carvão e a da casca.
Pouco depois ocorreu um pequeno desaguisado com o grupo responsável do fecho do pelotão, que perdeu o contacto visual e acabou por não seguir o trilho marcado, seguindo em frente para a ribeira de Costas, um dos afluentes do Vizela. Nada de grave, mas que originou mais uma espera, pelo que se recomenda o uso dos equipamentos de intercomunicação, que o grupo dispõe, evitando-se situações desta natureza.
Reagrupados descemos para a ponte da Pereirola, que cruza o tímido ribeiro da Palas, também afluente do Vizela, praticamente seco neste Verão quente e seco. Apreciamos ainda a sua construção com os seus arcos muito escondidos, no meio da densa vegetação.
Continuamos para o lugar de Barras, da freguesia de Pedraído, onde o Branco tinha marcado uma visita no Museu do Artesanato.
A Associação Cultural e Desportiva de Pedraído tem aqui um papel meritório na recolha, recriação e relançamento das tradições, usos e costumes da freguesia, nomeadamente nos processos do linho e da lã e de vários tipos de artes tradicionais, como por exemplo, o entraçado de palha e a cozedura do pão.
Apreciamos a confecção dos diversos artigos, nomeadamente meias, camisolas, mantas, tapetes, colchas, lençóis, toalhas, vendidos em feiras e certames artesanais pelo país.
Pudemos ainda observar todo o processo do linho, desde o campo, até às diversas fases por que passa, até à transformação nos belíssimos artefactos que conhecemos.
No seu exterior um destaque para o Moinho de Linho movido por Gado, com o seu característico telhado de colmo e pesadas engrenagens de madeira.
Pena é o estado de um certo abandono que este conjunto apresenta, pois bem merece um esforço de conservação, valorize o seu papel de polarizador da actividade cultural.
Depois de obtidas todas as explicações sobre os artigos expostos e métodos de fabrico, foi a custo que abalamos para o centro da freguesia.
Uma nota para o seu nome, que no seu passado de glória foi Cabeça de Couto. Reza a lenda que este nome tenha sido atribuído pelo facto de um Ídolo de pedra ser objecto de adoração dos povos seus fundadores: Daí Pedra – de - Ídolo – Pedraído.
Passamos pela pequena igreja de S. Bentinho e descemos na direcção do Vizela, passando entretanto por um interessante espigueiro muito bem reconstruído nos seus pormenores.
Chegados ao Vizela, subimos pela sua margem esquerda até uma pequena ponte, na proximidade de um curioso moinho, local onde fizemos a refeição.
Neste moinho de água para a fabricação de farinha pudemos observar no seu interior, em razoável estado de conservação, a pedra de mó, caixa de milho e balança de moleiro.
Depois de pôr o estômago em dia e feitos os baptismos dos caloiros, iniciamos a subida para Felgueiras, onde tiramos a foto de grupo junto à igreja de S. Vicente das Águas.
Seguimos a meia encosta até Gontim, onde pudemos observar mais um testemunho da indústria artesanal – um Moinho de Casca.
A extracção da casca de carvalho foi uma das mais significativas actividades praticadas pelos moradores das freguesias situadas no planalto de Montelongo, em Fafe. Das particularidades dessa indústria artesanal pouco se sabe. A casca era extraída do carvalho de quatro em quatro anos, e depois de seca era moída. Após a extracção do tanino da casca, era vendido para o Porto e Guimarães onde era utilizado na indústria dos curtumes. Os resíduos da casca eram queimados nas lareiras.
O sol ia alto e o calor marcava os caminheiros. Cruzada a ribeira de Costas, iniciamos a subida de acidentado trilho até à estrada alcatroada, onde o grupo se recompôs da atribulada ascensão, que provocou mesmo mossa em alguns dos presentes.
Recompostos continuamos para Lagoa, onde terminamos a marcha.
Acabamos a tarde no café Pôr-do-sol, com um arroz de feijão e belo costeletão, que fez esquecer as penas e agruras da caminhada e proporcionou um agradável convívio, desta vez internacionalizado pela simpática presença de um grupo de caminheiros galegos da vizinha Pontevedra.
Uma última palavra para o empenho que os companheiros organizadores da jornada – Branco e Rego, demonstraram. Tendo por base o PR 2 - Aldeias da Margem do Rio Vizela, da responsabilidade dos Restauradores da Granja, esmeraram-se no planeamento, preparação, acompanhamento e logística associada a esta iniciativa.
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