Dados do percurso
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 11-10-2008 |
|---|---|
| Localização | Peneda |
| Distância total | 17.8 km |
| Participantes | 35 |
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 11-10-2008 |
|---|---|
| Localização | Peneda |
| Distância total | 17.8 km |
| Participantes | 35 |
Estas saídas às 07.30 são uma violência para um Sábado de manhã, mas como a Peneda fica longe, não houve outra alternativa…
O dia estava bom, mas o boletim meteorológico augurava chuva para a tarde, pelo que foi com alguma apreensão, que nos metemos à estrada, tendo como destino a nossa bem conhecida Serra da Peneda.
O grupo do Pimenta tinha optado pela pernoita no Santuário da Peneda e o do Jorge Mota em Castro Laboreiro, estando o encontro combinado para as 09.00 em Rouças, avançando depois o grupo para S. Bento do Cando, local de início de mais esta actividade.
O grupo contou com 35 participantes, que se reuniram no adro da bela capela de S. Bento do Cando, que enquadrada com os Quartéis dos peregrinos e Cruzeiro constituiu um conjunto muito importante, pois era lugar de paragem e de repouso do caminho que ligava os conventos beneditinos de Braga a Melgaço.
Curiosa a tradição de que seria este o local, em que os namorados se refugiavam, quando os seus pais se opunham ao casamento, forçando assim a união desejada.
Distribuída a documentação e feita a contagem, seguimos desta branda para uma outra, a de Busgalinhas, ou Buzgalinhas ou ainda segundo outros de Bosgalinhas.
Estas brandas (S. Bento do Cando e Busgalinhas) foram pois espaços de uso sazonal, com uma ocupação secundária, sobretudo com os usos agrícolas e pastoris de Verão, por oposição à inverneira da Gavieira, de cariz mais permanente.
Após um curta paragem começamos a subida para o planalto, entroncando no estradão florestal que atravessa a Peneda. Torneamos o Alto do Costeiro, seguindo envoltos em largos horizontes, tendo à nossa frente as magníficas Serras da Pedrada e da Peneda, até ao local onde nasce o Vez.
Um pouco à frente tomamos o estradão de Cabreiro, que abandonamos na chã da Cruz, fazendo um desvio a corta-mato, para visitar o Fojo da Breda, ou Cabeça Alta, como nos foi informou posteriormente um pastor.
Alguns desistiram da subida íngreme, preferindo o descanso à descoberta desta obra notável de entreajuda de homens e mulheres, que desenvolveram um esforço titânico na construção dessas enormes muralhas e poços, no intuito de deter os lobos, que dizimavam os seus rebanhos.
Longe vão esses tempos, mas ficaram estes monumentos à vontade e determinação, que são um testemunho do muito que se pode fazer, quando congregadas a vontades individuais num objectivo colectivo.
Reencontrado o grupo dos “sornas” fomos para trás até ao cruzamento, para tomar o estradão que segue para o Mezio, na direcção da Branda de Seide, onde fizemos a merecida pausa para almoço e um retemperador descanso, de cavaqueira para uns e reflexão interior para outros.
Tirada a foto de família, fomos ver o Fojo do Soajo, mais conhecido como Fojo do Lobo, que se encontra ainda em razoáveis condições, mantendo os seus imensos muros ainda conservados, bem como o poço da armadilha final ainda de pé. Visitamos o local demoradamente aproveitando para as costumeiras fotos, que dificilmente poderão dar a dimensão desta obra das gentes da Peneda.
Quase podemos adivinhar as batidas aos lobos e a sua perseguição pelos montes e vales circundantes, até os obrigar a entrar nestas armadilhas de altos muros, perseguindo-os até à fatal queda no fosso.
De regresso a Seide, o Miguel levou-nos a apreciar uma lagoa glaciar, que agora seca, é testemunho de outras eras, em que os glaciares eram palco destas serras, deixando testemunhos abundantes, quer na forma dos vales, quer nas enormes pedregulhos que transportou no seu movimento, quer nestas lagoas glaciares.
Depois foi a dura descida para Gorbelas, onde aproveitamos para colher amoras, que em elevada quantidade e excelente sabor, bordejavam o estreito trilho descendente.
Agrupados continuamos a descida pelo estradão, que abandonamos mais à frente para tomar uma terrível calçada que desce vertiginosamente para Rouças. É um espanto para nós tentar abarcar como foi possível a sua utilização para as fainas da lavoura, pois é tão íngreme, que até com uma simples mochila é duríssima a sua utilização.
Com os joelhos a tremer lá fomos descendo, muito a custo, pois para além da dificuldade da descida, também uma forte humidade tornava perigosas as lajes do cominho, tendo mesmo havido algumas quedas a registar, embora sem consequências. Chegados a Rouças, umas deliciosas uvas morangueiras que o Pimenta tirou da latada, ajudaram-nos a esquecer o esforço da descida, enquanto aguardávamos os mais atrasados.
Foi no Café Central que fizemos o fecho de mais este dia na Peneda, sem mais demoras, pois a selecção jogava às 19.00 contra a Suécia e tornava-se imperativo o apelo dos mais amantes do jogo.
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