Em Terras de Coura

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 01-03-2008
Localização Coura
Distância total 16.8 km
Participantes 40

Iniciamos o percurso na Colónia Agrícola de Chã de Lamas, da freguesia de Vascões, junto ao Centro de Educação e Interpretação Ambiental de Corno de Bico (CEIA).

Este novo Centro da Área de Paisagem Protegida de Corno do Bico, abriu portas em Janeiro de 2007, tendo a investigação e divulgação dos recursos naturais como o objectivo prioritário. É composto por um albergue que pode acolher até 70 alunos e professores, de todos os níveis de ensino.

O projecto de arquitectura contemplou a recuperação e adaptação dos antigos imóveis da Casa do Professor e da Escola Primária de Chã de Lamas a dormitório e cantina.

Construído de raiz, o CEIA inclui áreas destinadas à investigação e divulgação dos recursos naturais daquela área protegida, designadamente atelier, sala de exposições, auditório e laboratório.

Pena foi que no dia desta nossa iniciativa estivesse fechado, pois só para Abril reabre aos fins de semana.

Depois de passar pelo nicho de Nª Senhora dos Caminhos, começamos as nossa caminhada, seguindo o estradão florestal que segue junto à ribeira de Reiriz, passando por vestígios de várias minas e das casas de suporte à mineração de volfrâmio - base do tungsténio, metal que possui propriedades extraordinárias. Muito usado no fabrico de pontas perfurantes para armamento, aços usados em blindagens anti-perfurantes para tanques e nos filamento de lâmpadas.

Estas minas tiveram o auge da sua exploração durante as grandes guerras mundiais, nomeadamente a última, tendo sido abandonadas logo após o seu término.

Chegados a Porto Velho seguimos à direita por um denso bosque de carvalhos, com os seus matizados tons de Inverno e abundantes líquenes, que tudo cobrem.

Segue-se um conjunto de velhos moinhos que serviam o lugar de Várzea, da freguesia de Parada.

Pouco depois chegamos a Parada, tendo descido para a Várzea, até à Capela de S. Gonçalo, onde fizemos uma curta paragem, para meter alguma coisa à boca e retemperar forças.

Logo de seguida seguimos pelos campos de cultivo que se bordejam o Rio Coura até à ponte, continuando um pouco mais, para chegar a um novo conjunto de moinhos, ainda em condições de funcionamento e das ruínas de uma serração, outrora movida pela força da torrente do Coura.

Como ainda era cedo regressamos a Parada para subir até à igreja da freguesia, cuja paisagem domina todo o vale do Coura com destaque para o Corno do Bico e a Vila de Paredes de Coura.

Carregadas as baterias descemos de novo até à capela de S. Gonçalo inflectindo depois à esquerda, acompanhando uma levada. Depois de algumas dificuldades e mesmo de quedas provocadas pelo encharcado terreno, lá chegamos às Alminhas da Chã de Ferros, tendo aí saído do Trilho dos Moinhos (Percurso 5), que vínhamos seguindo, tomando então o Trilho Megalítico de Vascões (Percurso 6).

Passamos depois pelos lugares da Aldeia e Rouças, até atingir a Igreja de Vascões, onde tiramos a costumada foto de grupo, dos 40 participantes nesta jornada.

Continuamos a travessia de S. Martinho de Vascões, apreciando a interessante Igreja de Stº António, no lugar de Belide e logo depois a capela de S. Sebastião, no lugar de Senra.

Entramos em novo estradão florestal, que alguns subiram para ver o miradouro, que domina a paisagem de Vascões, continuando depois a meia encosta até atingir a estrada alcatroada, que seguimos por escassos metros, para após cruzar a ribeira de Reiriz voltar à direita, acompanhando a suas margem, divisando à nossa esquerda vastas pastagens, que os diversos tipo de gado compartem.

Um pouca adiante voltamos à esquerda seguindo o estradão que nos conduziu à Colónia Agrícola da Chã de Lamas, observando quer os campos de cultivo e amplas pastagens, quer as mamoas - montículos, que constituem lugares de enterramento fúnebre.

Estamos assim neste conhecido por Núcleo Megalítico, designado de Chã de Lamas, prova que este território foi povoado desde os tempos pré-históricos, conforme atesta a existência de oitos dólmenes, exploradas em 1881 pelo Dr. Narciso Alves da Cunha, presbítero e advogado courense, e pelo Dr. José Pestana de Vasconcelos, juiz de Direito na Comarca Judicial de Paredes de Coura, as quais seriam depois estudadas e visitadas pelo eminente arqueólogo Martins Sarmento.

Regressamos depois à Colónia Agrícola de Chã de Lamas, criada no âmbito da Colonização Interna, nos duros tempos do Estado Novo, para uso agrícola, com o intuito de povoar zonas recônditas do país e dar oportunidade às famílias mais carenciadas de obter a sua parcela de terreno, como meio de sustento familiar.

Esta actividade teve por base o PR5 e PR6 da responsabilidade da Câmara Municipal de Paredes de Coura, que é uma edilidade pioneira no estabelecimento de percurso pedestres, com 16 percursos homologados demonstrando uma aposta importante nas actividades de ar livre.

Foi mais um belo dia de sol, que nos ajudou a calcorrear estas maravilhosas terras de Paredes de Coura.

José Almeida Vianatrilhos