Marcha ao Alto de Stª Eufémia

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 16-02-2008
Localização Lóbios
Distância total 21.3 km
Participantes 52

Desta vez fomos até à Galicia - Parque Natural de Xurés, subir até ao cimo de Stª Eufémia - Lobios.

Compareceram a esta actividade um número recorde de 52 companheiros, tendo o ponto de encontro a fronteira da Portela do Homem, no Gerês. Muitas caras novas e bem dispostas, o que é sempre gratificante para quem organiza estes eventos.

Depois de alguma agitação motivada pela presença de um praça da guarda Nacional Republicana em patrulha, sobre o nosso destino, acabou tudo em bem, pois não colocou qualquer obstáculo à marcha prevista, mas nos avisou que se a mesma tivesse lugar no lado português, teríamos que pedir uma autorização prévia aos responsáveis do Parque, para que tal fosse possível.

Não entendemos bem porque com autorização se pode ir e sem ela não, pois o risco é o mesmo, e não depende de qualquer autorização, mas sim da experiência e do bom senso dos caminheiros e seus guias.

Ultrapassada a questão, começamos já perto das 10.00 iniciando a descida pela Geira que bordeja o Rio Caldo, até ao início do estradão florestal da subida para Stª Eufémia, que fomos subindo, aqui e ali com curtas paragens, tendo atingido as antenas pelas 12.30, após cerca de 10 Km de uma subida moderada, que nos foi dando a conhecer as belas paisagens circundantes.

Nas antenas foi o deslumbramento da vista para a Serra Amarela, para o vale do Lima, até perder de vista e para Lobios e Torneiros, a nossos pés.

Que melhor local para a merecida refeição e a costumada foto de grupo, com a albufeira da barragem do Lindoso a servir de pano de fundo ao numeroso grupo, após a merecida refeição e retemperador descanso.

Iniciamos o regresso pelo mesmo estradão principal, até atingir a Chan de Onás, onde tomamos um caminho que nos levou à Laje das Eiras e depois Canda, até cruzarmos a fronteira Portuguesa, junto ao marco fronteiriço Nº 63.

Aí tomamos o estradão que nos levou pela Cortada do Calvo, Calvos, Costa e cabeça de Palheiros, com vistas soberbas para a barragem de Vilarinho da Furnas, Mata da Albergaria e para o desfiladeiro do Rio Homem, onde se distingue perfeitamente a quase totalidade do trilho para a mina dos Carris, nossa conhecida de outras actividades.

Mais ao longe todo o maciço do Gerez. dominado pelo pico do Borrageiro e Cabril, enormes e sombrias torres, que dominam a paisagem deste belo fim de tarde.

Continuamos a descida até à Portela do Homem, onde terminamos em amena cavaqueira.

Parque Natural Baixa Limia

O Parque Natural da Baixa Limia-Serra do Xurés está situado nas serras ocidentais do sul da província de Orense, na zona de transição de duas grandes regiões bio-geográficas do Reino Holártico:

  • A região Euro-Siberiana ocidental (sector Galego-Português);

  • A região Mediterrânea (sector Lusitano-Duriense);

Faz parte integrante da chamada Iberia sempre húmida, na sua separação com a Ibéria de clima mediterrâneo (Guia das árvores de Galiza, Silva Pando), o que origina uma diversidade vegetal alta, formada pela alternância de Bosques de folha caduca e bosques mediterrâneos, os quais têm-se vindo a degradar pelos repetidos incêndios que acabaram por arrasar parte do arvoredo nativo, ficando conformado uma paisagem de blocos graníticos fracturados que mantêm as urzes (Erica spp.,Erica australis subsp. Aragonensis) e carquejas (C. tridentatum)

Nas montanhas do “Xurés” há uma alternância de árvores de folha caduca e árvores de folha perene: carvalhos (Quercus robur), (Quercus pyrenaica) e castanheiros (Castanea sativa) entre os quais aparecem azevinhos (Ilex aquifolium), sobreiros (Quercus suber ), medronheiros (Arbustus unedo), loureiros (Lauros nobilis) e alguns pinheiros que vêm de fora ( Pinus pinaster). Há algumas espécies de grande valor como o (Prunus lusitanicos) um falso loureiro de épocas nas quais as condições do clima eram mais quentes; o teixo (Taxus baccata), o arbusto Amelanchier ovalis ou o lírio do Xurés (Iris boissierii).

O valor da fauna das serras do Parque do Xurés tem como representantes os grandes mamíferos, como o lobo (Canis lupos) que tem como presas habituais o corço ( Capreolus capreolus) e o javali ( Sus scrofa ).

Em virtude de novo, da recente introdução da extinguida cabra montês, é possível observá-la, depois de 100 anos, em liberdade pelos penhascos graníticos e em certas ocasiões consegue-se ver sobrevoar a águia real ( Aquila chrysaetos).

Entre os répteis merece destaque o lagarto verde-negro (Lacerta schreiberii ) como endemismo norte-ibérico e a víbora focinhuda ( Vipera latastei ) espécie de âmbito mediterrâneo, nada frequente na Galiza ( Atlas de Galiza, SDCG)

O Parque Natural Baixa Limia – Serra do Xurés, declarado pelo Decreto da Xunta da Galiza em 1993, abrange as zonas mais elevadas dos municípios de Lobios, Muiños e Entrimo, 20.920 ha que fazem fronteira na sua zona meridional com as 75.000 ha. Do Parque Nacional Peneda Gerês, em Portugal.

A partir destes dois espaços naturais protegidos, ficou constituído em 1997 o Parque Transfronteiriço Gerês-Xurés com a assinatura do Acordo de Colaboração da Federação de Parques Naturais e Nacionais da Europa, ficando assim criada uma das maiores áreas protegidas da União Europeia, superfície que ficará aumentada com a ampliação do Parque Natural, ultrapassando as 100.000 ha. de superfície protegida na Europa.

Actualmente o Parque Natural encontra-se numa fase óptima de desenvolvimento, depois de 10 anos de gestão, nos que foram aplicados prioritariamente os planos sectoriais de desenvolvimento de infra-estruturas como medidas para melhorar a qualidade de vida da população local, é possível neste momento trabalhar no planeamento de medidas necessárias para manter ou restabelecer os habitats naturais, bem como em manter num estado favorável as populações de espécies de flora e fauna silvestre, ao mesmo tempo que se planeiam medidas de desenvolvimento da economia local.

Parque de Xurez

Por aqui passaram as legiões romanas à conquista da tribo dos callaici, isto é, dos galaicos.

Não existia, então, qualquer fronteira e tempos passaram até lá. Um mesmo rio com duas variantes. Limia para os galegos que o vêem nascer nas fontes de Antela e Lima para os portugueses que o vêem morrer em Viana do Castelo. Toda a área é dominada pelos cursos dos rios. Numerosos afluentes acompanham o Limia que acolhe duas grandes barragens: a das Conchas e a de Lindoso. Esta última com represa no território português mas com águas galegas.

No entanto, esta é uma raia seca pois não são os rios mas os montes os que, segundo vamo-nos aproximando, delimitam o horizonte com o seu perfil de serra. São inconfundíveis com os seus característicos picos como castelos. Por altitude, conservam os circos glaciais mais baixos da Península Ibérica. Do norte para o sul, a serra do Laboreiro e a de Queguas; os montes do Quinxo; o alto de Santa Eufémia, vizinho da Serra do Xurés que se ergue no ponto mais alto de todas estas serranias no pico da Nevosa (1.539m); mais para o oeste a Serra do Pisco e bem mais longe a serra da Pena e as terras do Couto Mixto, que, há tempos, não pertenciam nem a Espanha nem a Portugal.

As íngremes penedias assistiram à caça do último urso destas latitudes e hoje são testemunhas do retorno da cabra do Xurés através de um plano de reintrodução em liberdade da cabra montesa. Para preservar toda a diversidade entrouem funcionamento uma das primeiras experiências comunitárias de colaboração trans-fronteiriça. Por categoria, o Parque Natural Baixa Limia-Serra do Xurés forma apenas uma única jóia natural desta velha e nova Gallaecia.

A parte lusa conserva áreas muito frondosas com árvores de grande porte que antigamente eram utilizadas para navegar como travessas, cadernais e mastros famosos nos sete mares.

FLORA: Vastos matos com alguns endemismos como o iris boissieri. Carvalhais e elementos mediterrâneos de sobreiros (Quercus suber) e medronheiros (Arbutus unedo). Nas áreas mais altas acompanham-se de pinheiros (Pinus sylvestris) e de teixos (Taxus baccata).

Lenda de Stª Eufémia

Na parroquia de Manín, concello de Lobios (Ourense) hai unha Serra chamada de Santa Eufemia porque alí apareceu segundo algúns cronistas o corpo desta santa arredor do ano 1090.

A lenda conta que unha pastora que andaba coas ovellas por aquela serra viu saír de entre as penas unha man cun anel de ouro pero cando a pastora colleu o anel quedou muda. Con acenos fíxolle saber a seu pai o que pasara e, por consello deste, volveron ó monte, ó mesmo lugar onde o atopara, e devolveron o anel, poñéndoo na man que viron saír de entre os penedos.

Naquel mesmo intre unha voz díxolles que alí estaba enterrado o corpo de Santa Eufemia así que deron coñecemento do asunto e o corpo da santa foi desenterrado e trasladado á ermida de Santa Mariña, nos lindeiros entre a diocese de Braga e a de Ourense. Sendo bispo de Ourense Pedro Seguín, ano 1159, e coa axuda dunha veciña de Manín de nome Estefanía, dispúxose o traslado dos restos da santa á catedral de Ourense. O bispo de Braga e os fregueses daquela diocese enfadáronse moito e intentaron evitar o traslado ata que se tomou en consideración a intervención da providencia. Entón decidiuse que os restos da santa irían parar a onde o azar quixese.

Puxeron a furna nun carro tirado por dous touros selvaxes e agardaron. Os touros tomaron o camiño de Ourense e non pararon ata pasar a Cruz do Cumial, preto da cidade. Desde alí as reliquias foron conducidas ata a catedral de Ourense onde descansan desde entón. Parece que no lugar onde se detiveron os touros houbo unha capela dedicada á santa ata non hai moitos anos.

Elementos retirados de:

galiciaencantada.com turgalicia.es xunta.es portugalecoaventura.pt

José Almeida Vianatrilhos