Trilho da Peneda - Altar de Fé

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 14-04-2007
Localização Peneda
Distância total 13.09 km
Participantes 39

O trilho tem o seu início junto ao parque de estacionamento do Santuário da Peneda, pelo que foi esse o local de encontro dos 42 companheiros que compareceram a esta actividade.

Do parque de estacionamento iniciamos a subida da encosta, por calçada que serviu em tempos como servidão para os carros de bois que circulavam entre a Peneda e Bouça dos Homens.

Fomos ultrapassando os lugares do Colado da Fonte, Vidoal e Portas, tendo depois dobrado a serra (1100m) e iniciado a descida que nos levou até à branda da Bouça dos Homens, que cruzamos. O acaso levou a que a companheira Bia reencontrasse uma antiga colega, que depois nos mostrou o interior do povoado e nos indicou a sua fonte, conhecida pela excelência.

Atravessamos os campos vizinhos da aldeia para atingir um pouco mais à frente a ponte do Rio Pomba , aproveitando as suas frondosas margens para fizer uma prolongada paragem para o almoço, já que a manhã foi dura e urgia recuperar as energias dispendidas.

O intervalo foi aproveitado pelo amigo Vilaça, sempre atento às questões logísticas, para promover uma pequena colecta pelos participantes, com vista a suportar a compra de equipamento para o grupo, promover melhores condições para o alojamento do site e despesas correntes de funcionamento, com vista a melhorar o serviço que este grupo tem desinteressadamente promovido.

Após o descanso, iniciamos a penosa subida de uma ladeira de acesso à Penameda, muito utilizada pelos romeiros que demandavam o santuário da Peneda. Na subida pudemos observar à nossa direita a já nossa conhecida branda de S. Bento do Cando, ponto de referência de vários outros percursos e atrás a imponente vista para o Alto do Corisco, com a branda da Bouça dos Homens em 1º plano.

Dobrada a Penameda (1215m) fizemos nova paragem para reagrupar e o Miguel aproveitou para referenciar o aparecimento da imagem da Sr.ª da Peneda, que segundo a lenda popular teria sido encontrada numa lapa por um criminoso, foragido na serra, local conhecido por dar esconderijo a criminosos, políticos e ladrões, alguns deles célebres.

A imagem foi assim descoberta por esse criminoso de Ponte de Lima, que desesperado de remorsos pelos crimes cometidos, apelou ao altíssimo, tendo-lhe aparecido a imagem de Nª Senhora para o consolar. A imagem pequena e de cor escura, foi inicialmente apelidada de Sr.ª das Neves, tendo posteriormente dado origem a culto do que é hoje a Sr.ª da Peneda.

Iniciamos de seguida a descida na direcção da represa da Chã do Monte, que outrora possibilitou o fornecimento de energia eléctrica a esta região e que hoje continua a ser um dos mais belos locais de tão inóspita serra.

É realmente difícil descrever o encanto paradisíaco deste oásis encravado na penedia, denominado pelos locais de Pântano, bem caracterizado pela formação granítica que domina uma das suas margens.

Depois das fotos de grupo e de um descanso preparatório, iniciamos a difícil e penosa descida da Meadinha, ziguezagueando à esquerda da célebre Fraga da Meadinha, muito procurada pelos temerários escaladores nacionais e estrangeiros, que tivemos a oportunidade de divisar por diversas vezes, encavalitados nas saliências da enorme fraga que domina toda a paisagem.

Lá fomos descendo com cuidados redobrados, divisando aqui e além, por entre as copas das árvores as imponentes torres do santuário bem como o casario anexo, que atingimos pouco depois, na traseira do Santuário de Nª Sr.ª da Peneda, que foi construído desde o final de século XVIII até ao séc. XIX.

O estilo neoclássico predomina, embora em certas partes ainda esteja presente o estilo Barroco. Possui uma escadaria de dois lanços de 300 metros em linha recta. No cimo existe um pórtico, que tem ao centro uma coluna, com a data de 1787, que suporta a figura do Anjo da Guarda. Ao longo do escadório, estão as capelas que descrevem a vida de Cristo.

Após apreciar o seu interior, descemos a escadaria frontal e fizemos uma pausa na esplanada do Hotel da Peneda, que hoje em dia oferece aos peregrinos e visitantes condições de excelência.

Depois foi um último esforço para atingir as viatura que ficaram um pouco mais atrás e o regresso a Viana fez-se pela estrada de Gaviera, Tibo e Mezio.

José Almeida Vianatrilhos