Da Vacariça à Mesa dos 4 Abades

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 11-12-2004
Localização Vacariça
Distância total 14.5 km
Participantes 44

Iniciamos este percurso na típica aldeia da Vacariça, pelas 09.00 de um radioso dia Outonal. Subindo a encosta, lá fomos 45 caminheiros, por estreitos trilhos na direcção do Castelo de Miranda - imponente formação granítica, de onde se pode apreciar o Vale de Miranda.

Depois de uma curta pausa, em que esperamos pelo Parente e o Moreira, que foram orientar o regresso de um companheiro indisposto, iniciamos a descida para Vilar do Monte, onde fizemos uma pausa no adro da igreja, apreciando a bucólica paisagem, no muro do pequeno cemitério local.

Daí seguimos para a Mesa dos 4 Abades.

Consta a sua existência já do século dezassete. Das freguesias de Calheiros, Cepões, Bárrio e Vilar do Monte, no mesmo dia combinado, saíam de cada uma das suas igrejas paroquiais em procissão penitencial em honra de S. Sebastião, pedindo protecção contra as três grandes calamidades da Humanidade: peste, fome e guerra.

A imagem do mártir era levada em cortejo religioso, percorrendo os marcos que limitam as respectivas freguesias. Juntavam-se todas no marco comum, que assinala o ponto de convergência das quatro (existe aqui uma mesa e quatro cadeiras de granito). Aqui os quatro abades, sentavam-se à mesma mesa, cada um no limite da sua própria paróquia. As pessoas ficavam um pouco retiradas nos terrenos à volta. Ali, os abades abordavam problemas locais de ordem vária, para os quais estudavam soluções. Por vezes, levantavam-se e iam junto dos paroquianos ouvir a sua opinião.

À procissão, dava-se o nome de "procissão do Cerco" e existem ainda hoje, trechos do caminho que percorriam, chamado o "caminho do Cerco".

Interrompeu-se a tradição da "mesa", em que todos retemperavam as forças da caminhada com uma refeição em comum, não se sabe ao certo há quantos anos. Em 1988 foi retomada a tradição, agora com as juntas de freguesia e já sem a presença dos párocos, por a administração local ter passado para o poder civil.

Foi neste local, que dá o nome a este percurso, que os mais cansados reclamaram a pausa de almoço, mas os organizadores lá conseguiram demover os mais teimosos, pois ainda era cedo, continuando a descer por interessante trecho, na direcção do Lastral, iniciando depois a penosa subida, até ao cruzamento dos estradões florestais da Arcela.

Depois da desejada pausa do almoço, tiveram lugar os típicos baptismos dos novos companheiros que se nos juntaram, com destaque para o Bernardo da Aurora do Lima e um grupo de Galegos, que internacionalizou esta actividade.

Tivemos ainda um grupo alargado de jovens do Porto que muito animaram a cerimónia, já de si festiva, com as duas madrinhas de baptismo profundamente empenhadas no seu sacro papel e o Ernesto, brilhante como sempre, na evocação das palavras secretas do baptismo.

Pior foi depois a subida até ao miradouro do Alto de S. Ferreiro , onde o amigo Bernardo fez uma breve, mas proveitosa intervenção, enquadrando cientificamente a paisagem morfológica dos vales que fomos apreciando. Foi um ponto alto, que deu um brilho especial ao momento, muito apreciado por todos.

Seguiu-se mais um esforço na subida, que culminou com a chegada até ao ponto mais elevado - Marco do Penedo Branco, onde fizemos a foto de grupo e apreciamos demoradamente a paisagem, dominando o vale do Lima desde os Arcos de Valdevez até à sua foz.

Descemos depois calmamente até Vacariça, onde terminada a parte "andante", seguimos depois para Ponte de Lima, onde fizemos tempo para o lanche ajantarado, que estava já programado para a Labruja.

Aí terminou em beleza um dia magnífico, entre paisagens inebriantes e um cozido à portuguesa de se lhe tirar o chapéu.


Qual mais sonante... qual mais tronante?! Sem dúvida a mesa do cozido à portuguesa de Labruja, que, ao anoitecer, nos afagou, como de abades todos fossemos, abençoados pela proximidade da deslumbrante "catedral" de Labruja. E a "Mesa dos Quatro Abades" ficara para trás, marco de tradições centenárias, naquelas elevações graníticas que coroam o limite norte do concelho de Ponte de Lima, entre as freguesias de Calheiros, Cepões, Bárrio e Vilar do Monte.

E tudo isto aconteceu no solarengo sábado, onze de Dezembro, ao longo dos cerca de quinze quilómetros iniciados entre bosques atapetados por espesso manto de folhas caducas; mostrando distantes vales suspensos na neblina da manhã; surpreendendo pelo relinchar de cavalos selvagens que nos saudavam por entre os blocos graníticos; contornando pequenos vales e lameiros ornados por vinhedos já decadentes; descobrindo na paisagem parcas manchas de tons amarelo-acastanhados, de velhos castanheiros e carvalhos, relíquias de um coberto florestal autóctone, já inexoravelmente cercados por pinhais e eucaliptais; subindo e descendo no meio desta paleta de cores e amenas paisagens, no contínuo desfrute da natureza, que nos fazia esquecer do cansaço de esforço saudável durante as cerca de sete horas de caminhada, descontada uma hora para o lanche de campo e a cerimónia de baptismo dos iniciados.

E, então, na Labruja, à volta da mesa do cozido se juntaram, em lanche complementar de fim de tarde, metade dos cerca de meia centena de caminheiros que participaram nesta jor nada de fim d'ano proporcionada pel' "Os Amigos da Chão" da SIR Carreço.

Ernesto do Paço, que tem presidido a estas iniciativas, em discurso de circunstância e de agradecimento aos presentes, soube "passar a bola" a Ernesto Videira que, de imediato, foi aclamado por todos os "abades" presentes, já completamente refeitos pelo cozido de Labruja.

A próxima etapa é para o ano que vem. Está agendada para 15 de Janeiro, em Fafe "Rota do Maroiço", e outras haverá.

Trepador amigo

in: Aurora do Lima 29/12/2004

José Almeida Vianatrilhos