Dados do percurso
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 13-12-1998 |
|---|---|
| Localização | Vila Verde |
| Distância total | 23 km |
| Participantes | 18 |
Informação sobre os aspetos mais significativos
| Data | 13-12-1998 |
|---|---|
| Localização | Vila Verde |
| Distância total | 23 km |
| Participantes | 18 |
Este percurso foi realizado numa zona pertencente ainda à Serra D’Arga. Teve o seu início junto à Ponte de Saim, no rio Âncora e caminhamos ao encontro da Capela da Sr.ª das Neves, local de belo miradouro sobre a foz do rio Minho em Caminha.
Depois de passar pelo sítio dos 7 caminhos, seguimos em direcção da capela românica de S. Pedro de Varais, que visitamos.
Depois de um desvio até à capela de Stº Antão, para apreciar a grandiosa paisagem, o regresso foi feito com passagem pelo lugar de Vila Verde, tendo-se terminado, já no fim da tarde, junto da Ponte de Saim.
Durante o percurso tivemos oportunidades para estender o olhar através de maravilhosas vistas dos vales do Minho e Coura.
A capela de S. Pedro de Varais, situada numa eminência da freguesia de Vile, do concelho de Caminha, constitui um dos casos mais surpreendentes dos monumentos românicos da ribeira Lima.
Apesar de ter sido estudada pelo Cón. Manuel Manuel d’Aguilar Barreiros os Tesouros Artísticos de Portugal não a referem e, mesmo no concelho de Caminha, pouca gente haverá que conhece concretamente o seu monumento medieval mais antigo
Para lá chegar, basta possuir bom arcaboiço que resista às rugosidades da serra, um grande poder de admiração pela paisagem que se desdobra à medida que se vai subindo, deixando a nu panoramas encantadores, e uma grande paixão pela arte medieval.
Em tempos, segundo reza a tradição, eram muitos os fieis que, anualmente, calcorreavam os caminhos ásperos e duros da serra, quer viessem das margens do Coura, quer das do Âncora, para prestar culto ao Príncipe dos Apóstolos
Hoje, não passa de uma ermidinha perdida numa dobra da serra, mal acautelada, abandonada mesmo, inspirando compaixão e apelando para a consciência cívica e cultural de todos quantos ainda alimentam no espírito uma réstia de amor pelo passado.
A Identificação de S. Pedro de Varais torna-se bastante problemática, não tanto no que respeita à Igreja em si, mas quanto nos domínios que englobava nos tempos recuados da Idade Média.
Pinho Leal, que põe em dúvida a existência da Igreja como matriz paroquial, refere a tradição segundo a qual as freguesias de Vile e de Riba de Âncora se teriam desmembrado da de Gontinhães. formando um bloco com a de S. Pedro de Varais a que já pertencia a de Azevedo.
É curioso que nas Inquirições de 1258. faz-se referência a S. Pedro de Varais e não se referem as freguesias de Vile, Azevedo e Riba de Âncora.
No Censual do Cabido da Sé de Tuy para o Arcediago da Terra da Vinha, de 1321. referem-se as freguesias de Santa Maria de Âncora que pertencia ao termo de Viana, Vilar de Âncora e S. Pedro de Varais. Quanto à freguesia de Azevedo, é considerada uma ermida, como a de S. Martinho de Couraçadas (Orbacém) e a de S. Fins (possivelmente na freguesia de Areosa).
Nas Memórias Paroquiais do P. Luís Cardoso. de 1758, faz-se menção da igreja de S. Pedro Varais nestes termos: «Tem esta freguesia (Vile) uma capela ou Igreja quase no alto do mente. que fica da parte do norte, muito antiga, que por tradição dizem que primeiramente foi Mosteiro de Eremitas, é ao depois Parochia desta dita freguesia e da Freguezia de Sam Miguel de Azevedo (... ) e muito distante das ditas duas Freguezias Mencionadas se dividio nas ditas duas Freguezias ou Parochias pelos anos mil seiscentos e corenta e hum ... »
O Inquérito Informa ainda que «vão os moradores desta Freguezia e os da de Azevedo com seus Parochos no dia vinte e nove de Junho cantar uma missa em louvor do Santo Sam Pedro».
Esta capela estava incorporada nas quinze igrejas que a Confraria de S. Isidoro de Moledo visitava anualmente com grandes clamores.
A capela com todos os seus bens e rendas foi Incorporada no Convento de Tibães, em 1834.
Actualmente, é administrada pela Comissão Fabriqueira de Vile com a colaboração da Junta de Freguesia.
A capela é formada por uma nave e uma abside, separado por um arco cruzeiro apontado, arrancando de impostas lisas sobre pés direitos curtos. No Interior da capela-mor existe ainda um arcosolio sem tampa. No pavimento, vê-se uma lápide tumular que seria, provavelmente, a tampa da arca tumular. Na parede do lado norte, existe uma inscrição ilegível.
Exteriormente, depara-se na fachada com uma porta muito simples de arco apontado, assente em pés direitos, sem arquivoltas e sem quaisquer adornos. O lintel exibe dois sinais de Salomão e no tímpano há uma cruz de malta refundida.
Na parede do Indo sul, existe uma porta com duas arquivoltas apontadas, suportadas por pés direitos, sem decoração, a não ser no tímpano que ostenta uma cruz de malta.
Na cabeceira, pode ver-se uma fresta muito simples, sem decoração. Uma porta do lado norte, Idêntica à do sul, mas tapada, e um conjunto de modilhões frustemente talhados correndo a toda a volta do templo, completam toda a beleza silvestre deste exemplar de arte românica da nossa região, bastante deteriorado e abandonado pelas autoridades.
A localização deste santuário torna-o o mais característico do ridente concelho de Caminha. Sobranceiro à Serra d'Arga, no cume do monte, olhando Dem, Argela, Venade e Azevedo, perdendo-se para além do monte de Santo Antão, esta capela da Senhora da Serra oferece um espectáculo verdadeiramente deslumbrante e é um sitio por excelência rico em paisagem que delícia o mais insensível e rude observador.
Deste local desfrutam-se as maravilhosas cores naturais que a natureza implantou ao redor das bacias dos rios Minho e Coura, com a progressiva e linda vila de Caminha, até à majestosa encosta de Santa Tecla.
A frieza do conjunto arquitectónico da ermida mostra-nos uma construção simples e tosca, de plena harmonia com a rudeza da serra, em pleno século XVIII.
A festa em honra de Nossa Senhora das Neves é realizada todos os anos, no dia 5 de Agosto e a devoção e o apego do povo à Senhora são virtudes que ostenta religiosamente, com muito fervor.
E de salientar que ainda há poucos anos se fazia o clamor de Santo Isidoro. protector dos lavradores, com sede na freguesia de Moledo. A cerca de 150 metros da capela, ainda existe o cruzeiro, erguido em meados de 1684. Ali as quinze cruzes das freguesias, tantas quantas formavam a Confraria de Santo Isidoro, juntavam-se para formar o clamor que, ao som das preces e ladainhas, se dirigiam para a capela da Senhora das Neves, onde tinha lugar a celebração da Santa Missa.
Finda a procissão, os romeiros e devotos espalhavam-se pelo monte, comendo os seus farnéis à sombra de um pinheiro e dando largas a uma alegria contagiante que se prolongava pela tarde fora. Com a noite a cair, encetava-se o regresso a casa.
Como curiosidade diremos que a mocidade, sobretudo as raparigas, procuravam arranjar um moço que, por tradição, comprava diversos foguetes, em conformidade com a estima da rapariga e, lado a lado, namorando, desciam a encosta em grande número. com os seus trajes a rigor, em fila, num colorido imponente e repleto de fé ardente num futuro feliz.
Refira-se que, em relação com o clamor de Santo Isidoro, existia uma mesa junto ao cruzeiro, chamada «mesa dos quatro abades» , e onde os tesoureiros da Confraria de Santo Isidoro se reuniam para prestar contas à Mesa da mesma, da gerência anual, em cada localidade. Só depois de conferidas e aprovadas as contas pelos abades presentes, é que o clamor se organizava e seguia a sua marcha em direcção à capela.
A devoção do povo à Senhora das Neves tem uma lenda que merece uma referência e a existência de um sobreiro secular, no recinto, onde um anacoreta, no meio das mais duras penitências, como única companhia tinha uma imagem da Virgem que trouxera de um cenóbio, algures das bandas da Serra d'Arga, reforça a veracidade dessa lenda.
E diz essa lenda que num abrasador dia 5 de Agosto, o anacoreta sentiu-se minado por uma sede terrível, que o obrigava a suspender a sua dura penitência. Abandonou o seu esconderijo e lá se foi à procura de água. a um sítio denominado (hoje) fonte da Sua-Santa.
De regresso, com a garganta fresca e saciada a sede, notou que a imagem da Virgem não estava na concavidade do sobreiro. Entristecido, ajoelhou-se, pedindo com fervor à Senhora que lhe perdoasse tamanho desmando. Quase simultaneamente ouviu um estrondo fortíssimo, que o deixou aterrorizado. Abriu os olhos e viu a Senhora rodeada de neve por todos os lados, que o fitava amorosamente, num quadro enternecedor de Mãe celestial. A partir de então, o anacoreta construiu um nicho, colocando nele a imagem da Virgem Maria. Volvidos que foram muitos anos e já expulsa a moirama das terras de Portugal, o povo mandou construir a capela da Senhora das Neves.
O vasto recinto, na sua imponência fantástica, tem essa Casa de Deus que nos lembra o passado e recorda às gerações futuras o rigor da fé espiritual, o alimento da vida. A sua construção, relativamente pequena e simples, tem uma forma de rectângulo, com um alpendre de três águas suportado por seis colunas seiscentistas, apoiadas numa repisa de granito, defronte da fachada muito singela. na qual sobressai uma porta baixa e adintelada. No interior da capela, um retábulo de pedra, barroco. bem talhado por alvenéis da região.
Deduz-se situar-se nos princípios do século XVIII. No lado sul existe um outro, da invocação de São Silvestre, patrono dos animais domésticos, também em pedra e que parece não ser tão antigo; deve situar-se nos fins do século XVIII.
Não muito distante da capela, na direcção do leste, existe um cruzeiro, de dimensões pequenas, onde dá volta a procissão em honra de Nossa senhora das Neves e de São Silvestre, cuja haste sustenta um crucifixo vulgar de arte popular e a base cúbica deixa transparecer o símbolo da fé de todos os tempos !...
Ainda do lado sul. no exterior da capela, há um conjunto de quartéis, que servem de apoio, em dias de festa, aos mordomos, devotos e comerciantes de ocasião.
Do lado norte, na capela, ampliou-se uma sacristia que, embora de dimensões pequenas. fora dos dias de festa serve para sala de arrumos. A capela, no vértice da fachada, exibe algumas cruzes muito rudimentares no seu talhe, e que lembram tempos remotos.
DEM, TERRA ATRAIÇOADA - LAURESTIM RODRIGUES FERNANDES
21 fotos