Marcha de Natal - Presépios de Garfe

Foto do grupo Vianatrilhos
2010-12-18 Marcha de Natal - Presépios de Garfe

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 18-12-2010
Localização A definir
Hora de início 08H00
Distância total 8.8 km
Participantes 46

08h00, manhã fria, o gelo acumulado nas viaturas, na relva dos canteiros e na erva dos campos dava-nos a imagem real do estado do tempo, o que não impediu que fossem chegando todos aqueles que quiseram marcar presença na última atividade do ano. Faltavam o Jorge e a Celina, que, devido a um acidente na ponte metálica de Viana, tiveram de retroceder e seguir pela ponte nova.

Arrumadas as mochilas e instalados no autocarro, rumámos até à Póvoa de Lanhoso, onde, junto da rotunda que evoca a ourivesaria da região, nos esperavam os companheiros vindos da região do Porto, nas suas viaturas. Ao longo do trajeto, como é natural, as conversas foram-se pondo em dia.

Já na freguesia de Sobradelo da Goma, após passarmos uma pequena ponte sobre o rio Ave, junto à pequena barragem das Andorinhas, subimos para a Aldeia Turística de Carreira. Com gelo aqui e ali presente na estreita estrada, numa subida em curva mais apertada o autocarro não avançou. A prudência aconselhou cuidado e, face ao desconhecimento do resto do trajeto, levantou-se a dúvida sobre a continuidade. Mas ainda existe gente boa: um popular residente, apercebendo-se da nossa dificuldade, convidou-nos a ir na sua carrinha mostrar como era o resto da estrada. Assim, eu e o Pimenta fizemos os cerca de 2,5 km que nos separavam da aldeia de Carreira. Pelo caminho, o nosso bom samaritano, emigrante na Suíça, foi-nos dando um pouco da sua vida e mostrando as dificuldades do trajeto, com a impossibilidade do autocarro chegar à aldeia, pelo que o único local possível seria, muito perto da aldeia, um pequeno largo na borda da estrada, utilizado pelos camiões de madeireiros.

Regressados ao autocarro e após conversa com o condutor (Sr. Machado), este resolveu arriscar e, com todos os cuidados devido ao gelo, conseguiu levar-nos até ao local, onde, após várias manobras, colocou-o em posição de regresso.

Sobradelo da Goma é uma freguesia que dista cerca de 10 km da Póvoa de Lanhoso, sede do concelho. Possui um relevo muito acidentado, descansando no sopé da serra do Merouço, onde já chegaram também as eólicas. A paisagem é granítica, de meia encosta para cima, e verde no fundo do vale, com as águas frescas e cristalinas dos ribeiros. Assim é esta zona rural. O ribeiro Queimado, que tem nascente e foz na freguesia, desaguando no rio Ave, constitui desde sempre motivo de fixação da população junto das suas férteis margens, propícias à agricultura.

Hoje em dia, tal como em outras terras deste país, um terço dos seus naturais está espalhado pelos quatro cantos da emigração, e os residentes, na sua maioria, dedicam-se à arte do fabrico da famosa filigrana povoense.

O turismo tem também aqui fortes motivos de interesse e razões de desenvolvimento, com destaque especial para a Aldeia Turística de Carreira.

Colocadas as mochilas às costas, rumámos então finalmente à aldeia de Carreira, onde, no seu centro cívico, se encontrava o início dos percursos a efetuar, e onde já nos esperavam os que vieram em automóveis. Já reagrupados, iniciámos o primeiro percurso, caminhando por um caminho ladeado por eucaliptos até ao início da subida, algo íngreme e em ziguezague, que nos levou até ao alto, a uma plataforma a cerca de 500 m de altitude. Daqui, a vista estendia-se, podendo-se desfrutar de uma bela paisagem sobre a freguesia, o Castelo da Póvoa de Lanhoso, o Santuário do Sameiro de Braga, e tendo como pano de fundo a norte as cumeadas das serras da Cabreira e do Gerês.

Mais para cima estava já a Louise, que só quer “trepar”, mas que desta vez teve de regressar até nós para iniciar agora a íngreme descida, aqui e ali com redobrados cuidados devido ao gelo existente, cruzando a povoação e chegando novamente ao ponto de partida, onde nos esperavam a Aurora e a Judite, “gasipas” deste percurso.

Breve repouso com tempo para um café e, cerca das 12h00, demos início ao segundo percurso, agora descendo através de uma antiga calçada ladeada por verdejantes campos de cultivo, transpondo o ribeiro Queimado para chegar ao lugar de Várzeas, até junto da pequena capela evocativa de Santo António. Junto da mesma, e enquanto alguns se abasteciam e degustavam deliciosos dióspiros, outros, aquecidos pelo astro-rei, não perderam tempo para fazer o reabastecimento. No café local podia ainda tomar-se o “mata-bicho”.

Retomámos o percurso, continuámos sempre por caminhos rurais até, pouco depois, transpor novamente o ribeiro Queimado por um pequeno pontão. Passámos pelo lugar de Outeiro, onde houve oportunidade para conversar com naturais que atavam as vinhas tipo “enforcado”. Continuámos agora a subir junto a um pequeno ribeiro com alguns antigos moinhos e azenhas, passando depois por entre campos de cultivo em direção à aldeia de Carreira, onde, à entrada e na “Casa da Capela” de Turismo Rural, houve oportunidade de ver o desmanchar de um porco acabado de matar.

A tarde já arrefecia, pelo que, regressados ao autocarro e às viaturas, rumámos até à Póvoa de Lanhoso, onde nos esperava agora uma pequena subida a pé até ao cimo do Monte do Pilar, local onde está colocado o conhecido castelo que foi por nós visitado e onde, do alto do mesmo, houve assim oportunidade para se ver a cidade.

Cerca das 17h00 era chegada a hora de rumar a Garfe, a Aldeia dos Presépios, onde chegámos após breve viagem (6 km) e com a noite a aparecer.

Pelo nono ano consecutivo, as gentes de Garfe oferecem aos visitantes o resultado da sua criatividade na execução de autênticas manifestações artísticas, expressas em cada um dos presépios, pela diversidade da história da região e da vida campestre, em comunhão com a época festiva do Natal.

São 15 os presépios em exposição, distribuídos pelo espaço físico da freguesia, representados por miniaturas ou figuras de dimensão quase real, dinâmicos ou estáticos. Mantendo uma tradição nascida com o evento, é celebrada diariamente uma missa em cada um dos presépios.

Paralelamente à exposição dos presépios, estava patente uma mostra de artesanato e outros produtos locais. Aqui recolhemos as informações necessárias para efetuar a visita dos mesmos, e parecia que já nos estavam à espera, pois logo nos perguntaram se éramos os de Viana que vinham para a visita (deve ter sido informação da junta, após o nosso contacto para recolha de informações). Sobre este pormenor, e relacionado com a nossa visita, saiu uma referência no JN no domingo seguinte.

Foram 9 os presépios visitados ao pormenor, cada um com as suas características, percorridos através dos caminhos pouco iluminados em noite fria. Os populares, para se aquecerem, tinham fogueiras ou utilizavam os próprios fornos dos presépios para cozer pão ou bolas de sardinha ou de carne, que ofereciam aos visitantes.

O dia (noite) já ia longo para quem, como nós, cedo o tinha começado, e alguma fome já dava sinais.

Com alguma alegria, chegámos finalmente à “Tasca da Costa”, onde se visitou o último presépio (da Roda) e, em ambiente bem rural, pudemos finalmente realizar o convívio natalício, composto por “Bacalhau Recheado à Costa”, bem regado, e com rabanadas por sobremesa. O convívio decorreu de forma excelente, em ambiente de pura confraternização, julgo que com agrado de todos.

Infelizmente, a hora (22h00) aconselhava ao regresso. Assim, após as despedidas aos companheiros oriundos do Porto, com votos de Festas Felizes, todos regressámos a casa.

Em meu nome e em nome do VIANATRILHOS ficam aqui os votos de BOAS FESTAS e um 2011 cheio de atividades.

Miguel Moreira Vianatrilhos