Calçadas da Serra D’Arga - Caminhos do Gatenho

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 18-09-2010
Localização Serra d'Arga
Distância total 9,7 km
Participantes 19

“Passear e percorrer a Serra não há como fazê-lo a pé através de caminhos e calçadas antigas, por onde não passa ainda o automóvel…

Como é belo entrar pela Serra dentro e envolver-se no seu silêncio, na sua pureza, na virgem natureza, onde parece nem sequer ter andado a mão do homem, descobrir o seu coração a pulsar à nossa mente na elevação ao criador!...

Passear pela Serra é entrar dentro de si, criar um amor que jamais esquece.

Passear na Serra a pé é cultivar a mente e o espírito… é dar vida ao corpo e à alma: beleza, cor, ar puro e águas cristalinas, é conhecer um mundo diferente para que, reconhecendo-o, se possa amar com mais intensidade a obra da criação.

Vamos assim entrar pela montanha, pelo “Monte Medúlio” de Paulo Osório.”

Artur Coutinho
In Musaicos da Serra D’Arga


Passado o tempo de praia, e já com alguma impaciência por parte de alguns em recomeçar as “caminhadas”, mas com dificuldades em se avançar para o terreno devido a uma certa apatia, houve que, ao contrário de anos anteriores, se recomeçasse sem a programação definida — o que esperamos se resolva brevemente.

A primeira atividade da época foi marcada por mim para a Serra D’Arga, devastada pelos incêndios de verão, mas que nem mesmo esses lhe conseguem tirar o seu encanto, quer nas marcas deixadas por gerações passadas, quer na riqueza das suas fantásticas paisagens.

O local escolhido para início foi a capela de Arga de S. João, onde se encontra a imagem do santo que foi ladrão, Aginha de seu nome.

Responderam à chamada 19 caminheiros, que, após colocadas as mochilas às costas e contornando a pequena capela, rumaram em direção ao pequeno lugar de Felgueiras — oportunidade para ver colher o milho e “vindimar” algumas uvas de uma pequena latada.

Logo depois, através de uma antiga calçada, começámos a subir pela Encosta do Carvalho em direção ao alto. Passámos e visitámos o local do Penedo do Sino, ou da Igreja dos Mouros, com os seus ideogramas, parando de vez em quando para estender a vista sobre a foz do rio Minho, com Sta. Tecla e Caminha, Âncora, serra de Sta. Luzia com a foz do Lima em Viana, e mais para cima todo o vale do mesmo rio e as serras de Coura, Peneda, Amarela, Oural, Padela e Geraz. Enfim, todo o privilégio de poder contemplar este panorama, que descrito não traduz aquilo que a vista retém.

Em ambiente de grande camaradagem, ajudados pelas nuvens que encobriam o sol, atingimos o posto de vigia de Outeiro de Mós — oportunidade para breve diálogo com um casal de vigilantes aos incêndios e para retemperar as energias.

Daqui seguimos em direção ao geodésico da Pedra Alçada e, novamente com a vista a perder-se pela imensidão, começámos a descida para a Chão do Guindeiro, através do impressionante “reino de granito”. Daqui continuámos a descer através do caminho que nos levaria até à Fonte da Telha, mas antes virámos novamente em direção ao Alto de Valverde, onde se fez novo descanso.

Reiniciado o percurso, descendo novamente de um ponto elevado, pudemos ver toda a zona envolvente do convento de S. João D’Arga, bem mais abaixo — local onde, ainda há bem pouco tempo, se realizou uma das mais típicas romarias populares do Alto Minho.

Atingimos assim o adro da capela e, como as viaturas já cá tinham sido colocadas antes de se iniciar a atividade, e porque a fome já apertava um pouco, rapidamente se transportaram as geleiras e respetivos farnéis, estenderam-se as toalhas e sobre as mesmas foram colocados os vários tipos de iguarias por todos partilhados (nem queiram saber).

Agora era a altura de, em ambiente de convívio, confraternizar e pôr em dia as conversas e histórias de verão. A meio do mesmo, recebemos a visita do João Vieira, que não nos acompanhando no percurso, não quis deixar de marcar a sua presença no convívio.

Durante o convívio, que decorreu de forma muito animada e conversada, várias ideias foram apresentadas como propostas para a realização de futuras atividades, a juntar a outras já formuladas, e que agora terão de ser confirmadas com a definição das suas datas.

Lamenta-se ainda o vandalismo em que encontrámos a capela de S. João, pois teria sido assaltada e vandalizada pouco antes.

Como nota final, fazemos votos para que se consiga ultrapassar uma certa letargia e que, com o contributo de mais gente, se consiga levar a efeito uma nova época de “Percursos” — pois assim será com certeza a melhor maneira de continuar a fortalecer os laços de amizade entre o grupo e novos participantes, sendo essa também a vontade de todos.

Miguel Moreira Vianatrilhos