Depontemponte

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 01-05-2010
Localização Porto
Distância total 21.9 km
Participantes 46

PRÉ-TEXTO OU PRETEXTO

No próximo sábado, 1º de Maio, terá lugar a caminhada em referência. Trata-se de mais uma atividade de vianatrilhos.com, que desta feita será guiada por este vosso escrevinhador.

Se quiserem andar a pé, e parece que o dia promete, venham daí! Se acreditam que há sempre casas, igrejas, jardins, becos ou gente com interesse, venham também! Sabem a razão? É que da Boavista e na direção do rio, qualquer itinerário é aconselhado — desde que seja a pé.

Iremos um pouco mais longe, por ruas em terra batida em S. Pedro de Campanhã, ali onde o Douro se alaga na curva graciosa do Freixo e arredonda o esteiro do Areínho.

Regressaremos pela antiga linha de caminho de ferro que ligava Campanhã a Miragaia — Alfândega — onde ainda subsistem placas de "pare, escute, olhe"... e lixo, muito lixo: abandono, desl(e)ixo!

Mas, pela manhã, havemos de nos vingar no "bairro dos poetas", que resistiu ao cerco dos empreiteiros e banqueiros, ao contrário das Antas e da Foz; e pelo que resta das quintas do Campo Alegre, agora ocupadas por outras funções. E como é 1º de Maio, passaremos pelas colónias operárias da Arrábida: Viterbo de Campos e Sidónio Pais, imaginando com o Carlos Whintestone: "...por entre pinhais que orlam a parte ainda não edificada da Rua da Boavista até se perder melancólico na ambiência rural desses sítios..."

Iremos da parte ocidental para a oriental do Porto. Sempre a caminhar, sempre a contrastar. Sempre diferentes, sempre e tendencialmente iguais, sempre Porto.

O Lidl e o cemitério de Agramonte, ombro a ombro — viver e morrer ao melhor preço. Logo adiante, a escassos metros da igreja paroquial do Santíssimo Sacramento, a sinagoga Kadoorie. É só escolher!

Das pontes, que dão o mote à viagem, nada direi. Mas das ruínas industriais que ao longo do rio fizeram desta cidade a mais importante do país neste setor, apontarei os esqueletos.

Também o extraordinário Palácio do Freixo, volta oh Nasoni!, e as quintas de Campanhã. E a singela capela de S. Pedro, a pedir meças à de Miragaia na carta de doação da rainha D. Teresa a D. Hugo, bispo do Porto.

Antes de terminar, recordaremos algumas casas restauradas entrevistas no percurso, outras razões urgentes, comentaremos as pessoas e coisas que se colocam na paisagem: "...contemplar a paisagem da banda dalém, a vista risonha de Oliveira e do Candal, onde vagueiam as amantes trágicas de Camilo", tentando compreender o "...homem, que se estafa e sua a arrancar o oiro dos filões da serra para de novo o enterrar..."


POSFÁCIO UM

Compareceram 46 companheiros dispostos a caminhar os anunciados — e cumpridos ou compridos — 18 km.

Dos inscritos, verificaram-se 5 ausências: uma anunciada e justificada na véspera, as outras 4 apenas na ocasião. Para compensar, apareceram 3 não inscritos, um dos quais sem “cunha”.

E foi assim, sem se saber se ia chover ou não, que os 21 cristãos se meteram ao caminho arrastando os 15 anjinhos por batizar. A saber: Miguel Moreira apadrinhou 3 (Ana Maria Guimarães, Carlos Cruz e Joana Cruz), Maria da Fonte (Bia) outros 3 (Conceição, Rosa e António Fonte), o casal Nogueira da Silva 2 (Laura Encarnação e Rosa Oliveira), Maria José Nora trouxe a cunhada (Antónia Vaz), Luís Guimarães um amigo (Gualter Fonte), e sem padrinhos rumaram 2 de Viana do Castelo (Teresa Gonçalves e Rui Guedes de Carvalho) e 3 de Vila do Conde (Maria José e as filhas Madalena e Ana Raquel Araújo).

Julgo não ter cometido erro ou omissão, como não troquei a nora pela cunhada, nem 3 por três… Mas, se o fiz, queiram corrigir por favor.

Não houve batismos, apesar da chuva miudinha que caiu pelas 11h/12h enquanto acelerávamos pela marginal em direção ao Freixo. Ficará para uma próxima ocasião — quando o monte for mais a sério…


POSFÁCIO DOIS

Na madrugada de hoje, 4 de Maio, ocorreu um incêndio na Fábrica de Encerados, ali na marginal entre Massarelos e Monchique. Já deu notícia nos telejornais e deve vir nos jornais — sítio certo (?) para saber mais.

Passámos por lá, quando caminhávamos por sobre as águas do Douro — sem milagre, pois que pelo passeio pedonal da ponte rodoviária panorâmica — e eu apontei-a: por ser mais uma ruína industrial e por exibir aquele raro reclame em ferro recortado com o nome da empresa, produtos fabricados e telefone com 3 números! Dos de discar e pedir ligação à telefonista...

Terão sido, tiradas por alguns dos nossos companheiros, as últimas fotos das ruínas que já eram, e agora já não são. Parte da fachada ruiu sobre o passeio da linha do elétrico e o reclame, danificado, estava esta manhã por um triz…

Uma adivinha: Qual era o nº do telefone?

Um pedido: Mandem as fotos para publicar aqui.

Foram-se os números, vieram os dígitos; já não se disca, tecla-se. Não se evitou o desastre, não houve milagre — venham então as provas tecnológicas!

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