Ecovia do Rio Lima - Marcha da Solidariedade

Foto do grupo Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos

Data 17-04-2010
Localização Ponte de Lima
Distância total 10 km
Participantes 45

Depois de duas anteriores marcações, goradas pelo mau tempo que então se fazia sentir, desta vez foi de vez!

Pelas 10h30, depois da recolha da propina destinada à nobre causa que serviu de lema a esta atividade — luta contra o cancro — e após breve mas inspirada intervenção do organizador do evento, Fernando Parente, lá saímos da capela de S. João em Ponte de Lima, bordejando o rio Lima, seguindo a Ecovia do Lima.

O tempo não estava seguro, apresentando-se um pouco encoberto, mas com o sol a sorrir por entre as nuvens, o que nos foi permitindo a progressão sem grandes sobressaltos.

Esta ecovia tem a particularidade de interligar vários antigos caminhos rurais, muito usados quer na agricultura de minifúndio que ladeia as margens do Lima, quer no acesso aos vários açudes utilizados nas artes da pesca fluvial.

O rio Lima tem uma especial importância na conservação de espécies de peixes migratórios, assim como quanto à sua flora, com margens ladeadas de salgueiros, amieiros e choupos, que são por si só um motivo para um passeio ao longo das suas margens.

Fomos progredindo calmamente, com um grupo mais apressado à frente, liderado pelo Miguel, que rapidamente ganhou assinalável vantagem, seguido do grupo dos mais retardatários, que aproveitavam para desfrutar os muitos recantos ribeirinhos que se nos iam deparando, tirando fotos e observando o rio e a vegetação circundante.

Pouco depois, chegámos talvez ao ponto alto do percurso — os Moinhos de Água da Gemieira.

Trata-se de um conjunto de velhos moinhos encavalitados num ribeiro, que cai em cascata íngreme para o Lima, que, pelo seu enquadramento, se torna num dos exemplos mais bem conseguidos do aproveitamento da força da água para a produção de farinha.

O moinho em melhor estado, que ainda está em perfeito funcionamento e também serve de casa de pasto — já nosso conhecido de anteriores patuscadas e pertença do Sr. Amorim — estava em trabalhos de conservação, que se saúdam, esperando que não deturpem este património até aqui intacto, que interessa fazer perdurar.

Depois de uma pequena pausa para as costumeiras fotos e retemperar as forças, deixámo-los para trás, pensando nos dias duros em que todo o trabalho de cultivo e transporte dos produtos e seus derivados era feito “a penantes”.

Como as passadas semanas estiveram muito chuvosas, o rio Lima apresentava um caudal turbulento, que quase o fazia saltar das margens, chegando a impedir a progressão dos caminheiros defronte do lugar de Carregadouro, obrigando-nos à utilização de percurso alternativo.

Caiu entretanto mais uma bátega, que nos fez vestir os impermeáveis e apressar o passo, parando um pouco mais à frente, defronte de S. Paio de Jolda, no lugar de Luou, para fazer uma breve pausa para o almoço.

Foi uma pena não haver melhores condições para o repasto, mas o tempo não aconselhava a paragem no local inicialmente previsto — Parque do Carvalhal.

Foi aí que o Morais da Fonte apanhou um valente susto, já que deu pela falta das chaves do carro e casa. Ao princípio julgou que fosse partida de algum dos brincalhões do grupo, mas quando se apercebeu que era mesmo a sério, temeu o pior, só ficando verdadeiramente descansado quando a voltou a encontrar caída, já no regresso a Ponte de Lima. Ainda bem que não houve mais complicações, e louva-se o companheiro pela calma e sangue-frio com que aceitou tão delicada situação.

Depois do almoço o tempo melhorou bastante e, com a barriga recomposta, lá fomos observando os pouco visíveis açudes, quase escondidos na torrente, seguindo envoltos na densa vegetação ribeirinha até Bravães, onde tirámos a habitual foto de grupo, tendo feito depois uma fugida até à Fonte Santa.

É uma fonte monumental em cantaria, obra de meados do séc. XVIII, de frontão retangular, onde se abre um nicho sem imagem. Por baixo, a água jorra de uma carranca, de forma humana, para uma bacia larga, permitindo o acesso a esta água sulfúrea, que se pensa adequada às doenças de pele e úlceras de estômago.

Era o fim do percurso, tendo o dia sido rematado em beleza no nosso bem conhecido Gaio, que mais uma vez se esmerou num delicioso sarrabulho, que nos serviu de lanche ajantarado e refez as energias dispendidas neste belo dia de convívio, dedicado a uma nobre causa, que queremos também nossa.

Vianatrilhos Vianatrilhos