2023-12-09 Caminhada de Natal- Trilho Românico do Mosteiro de Bravães à Sra da Pegadinha

Caminhada de Natal- Trilho Românico do Mosteiro de Bravães à Sra da Pegadinha

Percurso escolhido para a já habitual Caminhada de Natal do Vianatrilhos foi o “Trilho do Românico de Bravães a S. Martinho de Crasto” (Rota em forma circular que liga os mosteiros românicos de Bravães e de S. Martinho de Castro, ambos fundados durante a Idade Média, no conturbado período de afirmação da Independência de Portugal e localizados, respetivamente, nas freguesias de Bravães e de S. Martinho de Crasto, no concelho de Ponte da Barca). Pelas 8h rumámos até Bravães onde nos reunimos junto ao Mosteiro de São Salvador de Bravães, datado da primeira metade do século XIII, embora utilize elementos do séc. XII. Pensa-se que este mosteiro terá sido coutado por D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal e terá acolhido monges até ao século XV, quando ficou reduzido a igreja paroquial, única construção atualmente visível. É monumento nacional desde 1910. Partimos para a nossa caminhada contornando o Mosteiro e depois de atravessarmos a estrada nacional 203, seguimos o percurso pelo lugar da Porta, por entre os campos de cultivo e casas, a maior parte desabitadas. Pelo caminho fomos encontrando cruzeiros, alminhas e ainda a capela da Senhora das Necessidades, marcas da religiosidade das gentes do Alto Minho. Continuámos ladeando um pequeno riacho e uma levada indo ter aos quatro moinhos da aldeia, agora em ruínas, mas que foram de muita utilidade ainda em meados do séc. XX para as populações que aí iam moer o seu milho e/ou centeio para fazerem a broa e para os moleiros que recebiam como pagamento uma parte do cereal que lá lhes levavam, a que chamavam “maquia”. Mais à frente encontrámos um habitante local a limpar a antiga poça da aldeia que serviu para fazer funcionar os moinhos e para a rega, pois estava estrategicamente colocada e funcionava por ação da gravidade e que ainda agora é utilizada pelos agricultores para arrecadar água para as suas regas. Começámos a subir por um caminho empedrado até ao lugar de Bruzende, onde fizemos uma paragem para tomar o lanche da manhã. Após este momento de descanso, retomámos caminho com cuidado, pois este apresentava-se escorregadio. Subindo por calçadas e carreiros vencemos a subida e chegámos à ermida, da Nossa Senhora da Pegadinha. cuja lenda nos conta que, “em tempos idos, quando andavam três irmãos muito pobres no monte a guardar o gado, apareceu Nossa Senhora que lhes disse: “Ide para casa e abri a masseira. Tendes lá pão para comer.” Incrédulos, sabendo que não havia farinha para amassar em casa, os meninos desceram a Bruzende e, tal como dissera a Senhora, lá encontraram que comer. Terá ficado no penedo da aparição, uma Pegadinha, hoje desaparecida, mas recriada num pequeno penedo junto à capela. É um local de romaria no primeiro domingo de agosto e na Festa de Santo Amaro a 15 de janeiro, onde acorre gente das freguesias vizinhas em devoção. Ainda se podem ver as argolas de metal no muro de granito, onde se prendia o gado cavalar usado no transporte de gentes e merendas. Ainda pudemos observar um carvalho centenário que se diz que servia como lugar de encontro de caçadores em tempos idos. O céu, que começara a apresentar uma cara feia pelo caminho todo, decidiu sacudir as nuvens e lançar uma chuvada. Felizmente já estávamos abrigados junto à capela e pudemos almoçar sequinhos.

Como o estado de tempo se estava a agravar, decidimos não ir até ao Convento de São Martinho de Crasto, deixando essa parte para uma próxima vez. Começámos a descer pela Rua da Carvalha, acompanhados por uma chuvinha persistente e continuando a descida por mais algumas calçadas escorregadias chegámos ao final do percurso.

De seguida, dirigimo-nos para o restaurante, em Cardielos, onde já tínhamos refeição marcada, pois tornava-se imperativo reabastecer os nossos estômagos famintos. Alguns companheiros que não puderam participar na caminhada, apareceram para a confraternização gastronómica, pois não se pode falhar a um compromisso desses.Aqui como não poderia deixar de ser, foi altura de fazer o "Baptismo", a quem anda connosco pela primeira vez. Desta vez calhou ao Fernando Malheiro.

Uma aventura muito interessante, tanto pela beleza do percurso como pelos legados históricos e religiosos que pudemos apreciar.

 

Rita Bettencourt
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2023-12-09
Hora de início09:15
Hora do fim13:24
Tempo total do percurso4h 9m
Velocidade média deslocação3,9 km/h
Distância total9,19 km
Nº de participantes27