2022-11-12 De Vile a Gondar - Marcha de S. Martinho

Novembro é tempo de S. Martinho, pelo que havia que organizar um percurso que terminasse em local adequado ao já tradicional magusto.

A escolha recaiu num percurso que juntava um que fizemos no já longínquo dezembro de 1998 (Srª das Neves e S. Pedro de Varais) com um outro muito recente, realizado em 2021 (Por Terras de Gondar) de forma a terminar em Gondar, junto ao Café Felix, onde se marcou um cozido à portuguesa de celebração do S. Martinho, com castanhas e vinho.

E desta vez S. Martinho não falhou, proporcionando-nos um de dia de céu limpo e com temperatura amena, fazendo jus à lenda, em que um soldado romano, de nome Martinho, deu a um mendigo cheio de fome e frio metade da capa, repetindo o gesto com outro mendigo mais à frente. Sem capa, Martinho continuou a sua viagem ao frio e ao vento quando, por milagre, o céu se abriu, afastando a tempestade. Os raios de sol aqueceram a terra e o bom tempo prolongou-se por três dias, assim nascendo o “Verão de S. Martinho”.

Começamos junto do largo dos cruzeiros de Vile, um pouco mais acima da Quinta do Cruzeiro e iniciamos a subida da Rua de S. Pedro de Varais na direção da capela românica, ex-libris da freguesia de Vile.

Situada na vertente de dois montes nos contrafortes da Serra d' Arga, é desconhecida a data da sua construção, apontando-se como mais provável o final do séc. XII e o início do séc. XIII, sendo certo que já é referida numa Bula de 1320 do Papa João XXII, que concede a D. Dinis por três anos e para ajuda da guerra contra os mouros, a décima de todas as rendas eclesiásticas dos seus reinos, com exceção das igrejas, comendas e benefícios, que pertencessem à Ordem de Malta. A fachada principal é coroada por um campanário de sineira única, típico do período românico tardio e os painéis pintados a fresco no interior da capela, e restaurados em 1999, datam da primeira metade do século XVI.

Depois de uma curta pausa continuamos a meia encosta até ao miradouro do Cabeço da Urzeira, de onde se vislumbra uma esplendorosa vista para o vale do Âncora, com Vila Praia de Âncora mais ao fundo e a imensidão do oceano até ao horizonte.

Aí tiramos uma foto de grupo, antes de retomar o caminho florestal que bordeja o rio das Bodas e segue para a Portela dos Sete Caminhos, encruzilhada bem nossa conhecida de muitos dos percursos que temos realizado nestas paragens.

Essa zona florestal está a ser intervencionada pela comissão de baldios, com as máquinas de rastos a “pentear” o crescimento espontâneo dos pinheiros, garantindo o seu afastamento e limpeza dos excedentes, após os incêndios que devastaram anteriormente a toda esta zona. Caminhos florestais largos e bem cuidados e a floresta ordenada e desmatada. Gostamos de ver!

Depois de reagrupar iniciamos a subida para o miradouro da Senhora das Neves, já na freguesia de Dem, onde chegamos por volta das 12:15, momento de pausa para meter mais qualquer coisa à boca e tirar as fotos da praxe, tanto de grupo como das vistas deslumbrantes para a foz do Minho com Caminha e as freguesias de Vilar de Mouros, Argela, Venade, Vilarelho e o Monte de Santo Antão, bem como as terras da vizinha Galiza, com o monte de Santa Tecla (ou Tegra) a dominar a paisagem.

Senhora das Neves, também conhecida como Senhora da Serra é local de grande devoção, com romaria em 5 de Agosto, no qual se celebra de manhã a procissão e missa campal, e à tarde o multissecular Auto de Floripes - referência do teatro popular português.

Retemperados do esforço da subida rumamos a sul pela crista do monte e depois, na zona da Chã da Peneda iniciamos a descida para Gondar, passando junto da Capela da Srª da Agonia para um pouco mais abaixo cruzar os férteis campos agrícolas do vale de Gondar até chegar ao Café Félix, local marcado para a celebração deste S. Martinho.

Aí nos esperavam mais alguns companheiros, que desta vez preferiram andar à volta da mesa às agruras da montanha, mas nos cederam transporte para ir buscar as viaturas ao início do percurso, antes de subir para a “desgraça”. O cozido à portuguesa estava bom e o prato alternativo de bacalhau também satisfez os esfaimados caminheiros depois de 15 Km de marcha.

Eramos pois mais a comer do que a caminhar, com o grupo enriquecido com os amigos que nos vieram fazer companhia nesta árdua tarefa de dar destino aos comes que foram servidos a bom ritmo, com as indispensáveis castanhas assadas a rematar a refeição.

Lá para o fim houve ainda tempo para celebrar o aniversário da companheira Camila, e para o batismo de mais quatro novos companheiros, a Tânia, Cláudio, Francisco e Isabel Sequeira, que ao som do ritual de batismo “bota abaixorum” passaram a integrar a elite dos caminheiros Vianatrilhos. Uma última menção para as simpáticas palavras do companheiro e amigo Ernesto do Paço, decano caminheiro do grupo, que nos recordou alguns dos mais interessantes momentos do longo historial da Vianatrilhos, com quase 25 anos ininterruptos de atividade.

O regresso foi pelas 18:00, finalizando um dia festivo de S. Martinho, com castanhas e vinho e muito companheirismo.

José Almeida
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2022-11-12
Hora de início08:47
Hora do fim14:12
Tempo total do percurso5h 25m
Velocidade média deslocação3,56 km/h
Distância total linear15,3 km
Distância total15,4 km
Nº de participantes36

Esta atividade está no

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De Vile a Gondar