2022-10-15 Rota dos Túneis e Pontes La Fregeneda

La Fregeneda - Barca dÁlva

Partimos pelas 07:30 rumo a Freixo de Espada à Cinta, com o objetivo de fazer a "Rota dos Túneis e Pontes La Fregeneda", que ligava essa estação ferroviária espanhola a de Barca d'Alva.

Passamos por Vila do Conde para apanhar o decano do grupo Vilaça e depois em Perafita, para juntar o alargado contingente do Porto. A primeira paragem foi em Amarante, para meter qualquer coisa à boca e desentorpecer um pouco as pernas.

Era dia de feira semanal e cruzamos a imponente Ponte de S. Gonçalo sobre o Tâmega para tomar um café ao lado da Casa da Calçada, hoje convertida em hotel de luxo, tendo no regresso visitado o conjunto monumental da igreja de S. Gonçalo de Amarante e igreja de S. Domingos.

Depois foi um tiro até Vila Flor, onde chegamos perto das 12:00, pelo que houve tempo para ir até ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção em Vilas Boas, um dos maiores santuários marianos de Trás os Montes, com miradouro para a vizinha Sanábria, Montesinho, Bornes, Mirandela e vilas e aldeias vizinhas.

O almoço foi servido no restaurante D. Castro em Vila Flor, sendo a ementa uma muito demorada mas farta vitela assada. Tempo ainda para a visita ao centro cívico de Vila Flor, com destaque para o Pelourinho e a interessante Igreja Matriz, dedicada a S. Bartolomeu.

Eram 16:00 quando rumamos a Freixo de Espada à Cinta, tendo feito entretanto uma última paragem no Miradouro do Colado, de onde se desfruta uma vista privilegiada para as terras do Mazouco, com as profundas escarpas escavadas pelo rio Douro em pano de fundo.

Chegados a Freixo a prioridade foi fazer o check-in no Hotel Freixo Douro Superior, excelente unidade hoteleira, que muito veio enriquecer a oferta turística desta região raiana.

Depois de pôr as malas no quarto houve quem ficasse para banhos na piscina do hotel, mas a maioria preferiu descer até à praia fluvial da Congida, situada na grande albufeira formada pela Barragem de Saucelle, onde se destaca a bem cuidada zona do embarcadouro, parque de merendas e as curiosas residências escavadas na encosta.

Regressados a Freixo houve ainda tempo para uma visita ao centro histórico para ver o que resta do Castelo, a Igreja Matriz manuelina dedicada a S. Miguel, e o imponente freixo, que com a sua descomunal envergadura dá também nome à povoação.

Reza a lenda que "Um cavaleiro cristão, perseguido por um grupo de aventureiros, viu-se em perigo de morte. Então, conseguiu esconder-se entre os ramos de um freixo, aos ramos do qual pendurou a própria espada. Assim se salvou, porque os inimigos vendo um freixo com uma espada, encheram-se de pavor e fugiram. E aí mesmo se lançaram os fundamentos da povoação, a que o seu fundador deu o nome de Espada de Freixo à Cinta".

Depois de mais umas fotos rumamos ao hotel para um agradável jantar de bacalhau, que serviu de prelúdio ao necessário sono, já que a saída para Fregeneda estava prevista para as 07:30 pois só são aceites entradas no percurso até às 09:00.

O percurso de Freixo a Fregeneda merece um destaque especial, pelas magníficas paisagens que se vislumbram ao longo da sinuosa estrada que ladeia o rio Douro, em pleno Parque Natural do Douro Internacional.

Passamos mesmo abaixo do miradouro do Penedo Durão, enorme rochedo sobranceiro à barragem espanhola de Saucelle, onde se faz o encontro do Douro com o seu afluente Huebra e que oferece um panorama ímpar.

Chegados à estação ferroviária de Fregeneda, fomos prontamente atendidos por um membro da Deputación de Salamanca, que procedeu à validação dos bilhetes pré comprados, entrega de coletes refletores e lanternas, defronte das ruínas da gare da antiga estação, que também serviu de fundo para a costumeira foto de grupo.

A Rota dos Túneis é um trilho que segue a antiga linha de comboio que ligava La Fregeneda a Barca d’Alva, na linha que fazia a ligação entre o Porto e Salamanca. A antiga Linha do Douro terminava em Barca d’Alva mas a linha férrea continuava por Espanha e tinha ligação à restante Europa. O troço em questão, a Rota dos Túneis, construído em 1887, foi uma das grandes obras de engenharia ferroviária da Península Ibérica e funcionou quase um século, tendo encerrado em 1985.

Iniciamos a marcha às 09:00 e passados os primeiros quilómetros, logo após o túnel dos morcegos, houve um conjunto de companheiros, que talvez assustados com o barulho dos bichos, abalou, para nunca mais lhes pormos a vista em cima, não parando sequer para reagrupar.

Isto de andar em grupo tem as suas regras, que são até muito simples, mas que alguns teimam em não acatar. O resultado foi o esfrangalhamento completo do grupo, sem os responsáveis pela atividade saber ao certo quem seguiu no grupo dos fugitivos, quem ficou no pelotão principal e com dúvidas se havia mais alguém para trás atrasado e tudo isto sem comunicações móveis disponíveis. Muito tempo perdido e stress sem justificação nenhuma!

Enfim! Uma situação muito constrangedora a corrigir no futuro.

Quanto ao que diz respeito ao pelotão principal, o percurso foi feito a bom ritmo e lá fomos seguindo os carris, alternando os túneis, com as vistas para o vale do rio Águeda e a cruzando as pontes sobre os precipícios, com tudo muito muito bem protegido e seguro.

Muito haveria a dizer sobre o que fomos apreciando ao longo dos 17 km deste belo traçado, mas fica para cada um de nós a visão fugidia das aves de rapina, da interessante flora que ponteia as abruptas encostas xistosas, das coloridas figueiras do inferno e especialmente das abrangentes paisagens que calmamente desfrutamos.

Pena foi que, já muito perto do fim, a companheira Júlia tivesse sido vítima de uma queda, tendo sofrido diversas escoriações na face e forte impacto no pulso e braço, apresentando forte suspeita de fratura do pulso.
Foi prontamente assistida em local pelos diversos companheiros da área da saúde presentes, tendo recomeçado a marcha após prestados os cuidados primários.

Chegamos finalmente pelas 13:45 à ponte internacional, onde nos esperavam os "fugitivos", que passaram a integrar finalmente o pelotão e foi já em grupo compacto que finalizamos o percurso em Barca D'Alva pelas 14:15.

Grupos alargados como o que a Vianatrilhos levou a este percurso (43 participantes) requerem alguma disciplina, sendo impossível de gerir caso não haja a colaboração de todos, pelo que se recomenda de novo uma reflexão, de forma a acatar as indicações dos guias não os ultrapassando, mantendo-se todos no âmbito do grupo.

O almoço tardio foi em Torre de Moncorvo, no restaurante "Taberna do Carró", que após uma apresentação na loja anexa Arte e Sabor da confeção dos doces de amêndoa, nos serviu umas entradas diversas e uma meia-posta, uma iguaria regional que nos ajudou a recuperar as energias despendidas na manhã e alento para aguentar a longa viagem de regresso, que decorreu sem incidentes.

Uma palavra especial para o companheiro Pimenta, que mais uma vez brilhou na organização desta nossa saída ao Douro Internacional.

Finalmente os nossos votos para uma rápida recuperação da companheira Júlia, que tão maltratada saiu da queda.

José Almeida
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2022-10-15
Hora de início08:42
Hora do fim14:12
Tempo total do percurso5h 29m
Velocidade média deslocação3,3 km/h
Distância total linear18,2 km
Distância total18,2 km
Nº de participantes43