2022-05-28 Cruzando a Serra da Aguieira

O encontro foi pelas 08:30 no Vitral, seguindo os 29 participantes para o largo da igreja de S. Martinho, igreja paroquial de Outeiro, local escolhido para o início da travessia da serra da Aguieira.

O dia estava já muito quente, estando prevista uma temperatura máxima próxima dos 30 graus centígrados, o que aconselhava um ritmo calmo neste início de subida da serra.

Ao princípio a escalada foi calma, passamos junto da casa florestal de Rasa e pouco depois por uma capela, pequena construção meio escondida na berma do caminho, que julgamos ser um memorial para recordar os defuntos da família Cachadinha.

Um pouco mais à frente começaram as dificuldades a sério. Perante nós uma subida quase a pique para a crista da Aguieira. Foi muito difícil encontrar uma aberta para subir a ladeira, com o Miguel e Simplício à frente a desbravar o muito mato meio chamuscado pelos incêndios que recentemente lavraram nestas paragens.

Atrás do Miguel lá fomos a custo trepando a encosta, com o muito calor a fazer mossa entre alguns dos participantes, tirando o fôlego mesmo aos mais costumeiros a estas andanças.

Chegados ao topo, havia que descansar um pouco, mas… os da frente já tinham entretanto abalado para o alto da Aguieira, pelo que ainda meio atordoados pela subida, o remédio foi fazer das tripas coração e tentar segui-los para não atrasar a marcha.

O percurso da crista da serra até ao alto não é tão duro, mas o cansaço da subida a pique e o calor que se fazia sentir, exauriu ainda mais as já débeis forças, obrigando a algumas pausas forçadas e o cansaço a algumas quedas, felizmente sem gravidade.

Depois da foto de grupo com o vale do Lima e o estuário de Viana como pano de fundo, continuamos a seguir a crista da Aguieira, para um pouco mais à frente infletir à direita.

O que tínhamos planeado era atravessar a serra da Agueira, partindo de Nogueira, subir até ao Marco Geodésico que marca o ponto mais elevado do percurso e depois descer junto ao regato de Lanhelas, passando junto ao Penedo do Mouro, importante santuário da idade do bronze, e depois infletir a sul na direção de Samonde e finalmente seguir para oeste na direção de Perre.

Depois de iniciar a descida para o regato de Lanhelas, verificamos que o percurso estava praticamente intransponível, pois a acumulação de mato inviabilizava a utilização deste troço, que já tínhamos feito em 2017 no percurso “Pela cumeada da serra de Perre”, na altura utilizável.

Face ao problema, havia que encontrar uma alternativa, pelo que regressamos a muito custo à crista da Aguieira, iniciando a descida para oeste, na direção do vale do ribeiro de Outeiro, onde esperávamos encontrar um dos estradões florestais que servem essa vertente da serra.

A princípio a descida foi muito gradual, pelo que lá fomos progredindo pelo meio do mato calcinado, que nos ia cobrindo de carvão, mas um pouco adiante, logo depois de uma extensa plantação de freixos, na nascente de um dos cursos de água que mais abaixo forma o ribeiro do Pisco, os problemas voltaram de novo, pois o pendor da descida aumentou, forçando a uma prolongada descida a passo de caracol, com muitos equilíbrios instáveis e mesmo algum risco de queda.

Felizmente não houve contratempos de maior, mas foi com muita dificuldade e alguns sustos que descemos junto do pequeno curso de água até à calçada que cruza o Vale do Chão.

A partir daqui a dificuldade baixou de novo, pelo que foi já sem problemas que seguimos a meio abandonada calçada na direção da fonte de S. Miguel Arcanjo, onde fizemos mais uma pausa, para beber e abastecer para a parte final do percurso.

Daí para diante o percurso foi mais ameno, já que decorreu debaixo da sombra da mancha florestal que ladeia o ribeiro do Pisco, que corria à nossa direita.

Chegamos pouco depois ao lugar do Pisco, passamos junto da imagem S. João do Moinho Novo e cruzamos o lugar, para terminar finalmente na igreja de S. Miguel, igreja paroquial de Perre.

Mais parecíamos um grupo de carvoeiros, cansados, sujos, suados e torrados pelo sol. Depois foi só esperar pelos condutores que entretanto tinham aproveitado a boleia do filho do Carlos Rocha para ir buscar os carros ao início do percurso.

Foi um dia bem difícil, em que o percurso escolhido, o muito calor que se fez sentir e o estado em que se encontra a vegetação calcinada da Aguieira, marcaram negativamente esta atividade. Fica a promessa de que iremos tentar evitar outras situações desta exigência.

O fim de festa foi no Chameau, onde se tentaram esquecer as agruras do dia com o costumado champarrião e acepipes variados.

 

José Almeida
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2022-05-28
Hora de início09:04
Hora do fim17:18
Tempo total do percurso6h 36m
Velocidade média deslocação1,8 km/h
Distância total linear11,8 km
Distância total12,3 km
Nº de participantes29

Esta atividade está no

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Travessia da Aguieira