2022-03-26 Trilho das Quintas

Este percurso foi iniciativa da ACGB – Associação de Cooperação com a Guiné-Bissau, que promoveu esta caminhada solidária, com o apoio da Junta de Freguesia de Vila de Punhe e do Grupo de Montanhismo de Viana do Castelo - VIANATRILHOS.

A concentração foi no Largo das Neves, freguesia de Vila de Punhe, concelho de Viana do Castelo, onde se encontraram os que foram aparecendo, com os que preferiram o comboio para esta deslocação para as Neves.

Por opção logística, o percurso foi feito em sentido inverso ao previsto no PR26 Trilho das Quintas, da responsabilidade da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

Deixamos o largo pelas 10:30 e passamos junto da Cruzeiro do Senhor da Saúde, oferta de locais em pagamento de promessa de que as tropas napoleónicas de 1909 não espalhassem terror na população local.
Passamos defronte da Capela de Nossa Senhora das Neves e da Mesa dos 3 Abades, local de confluência das freguesias de Vila de Punhe, Mujães e Barroselas/Carvoeiro, todas do concelho de Viana do Castelo.

“A tradição da Mesa dos 3 Abades remonta ao Séc. XVII e foi construída pelos 3 abades de então, como símbolo do fim da discórdia dos limites entre as localidades. Depois de vários anos de interregno, a tradição desta união de Páscoa foi retomada pela Comissão de Festas das Neves. Depois da união das três cruzes iça-se a bandeira da romaria num sinal de partida para a promoção da Festa de Nossa Senhora das Neves.” (1)

Tomamos a Rua Matias Santos Benemérito, passando pela Quinta de Santo António e depois de cruzar o caminho de ferro, junto ao apeadeiro da Sr* das Neves, passamos na Quinta de Matias Santos, tendo prolongado o percurso até à exploração de caulino que fica no extremo da freguesia de Vila de Punhe e na confluência com as freguesias de Fragoso do concelho de Barcelos e de Alvarães do concelho de Viana do Castelo."

Esta mina a céu aberto, hoje chamada de Lagoa da Infia, é palco da "Queimada na Lagoa da Infia", uma verdadeira romaria, com caminhada noturna a esta lagoa nascida da extração de caulinos, revitalizada e requalificada para a pesca desportiva de carpas.

Deixamos para trás as águas verde-esmeralda da lagoa e seguimos para o Moinho Inácio, passando junto da Quinta do Sardão, onde tivemos a terrível imagem de um cordeiro recém-nascido, junto do cadáver da sua progenitora, possivelmente morta do parto.

Como ninguém parecia ter dado pela morte do animal e da situação da cria, uma companheira procurou ajuda mais adiante, conseguindo a custo que tentassem salvar da morte certa o pequeno cordeiro.

Entretanto visitamos o bem restaurado e pronto a funcionar Moinho do Inácio e o Lavadouro das Boucinhas, já que o Pimenta tinha conseguido a chave junto do Presidente da Junta de Freguesia de Vila de Punhe.

Continuamos por caminhos rurais e campos de lavoura para o lugar da Chasqueira, na confluência das freguesias de Vila de Punhe e Barroselas, e de seguida pela Rua da Malaposta até à EN 308, que cruzamos na direção da Quinta do Cruzeiro.

A edificação abrasileirada da Quinta do Cruzeiro, junto largo do cemitério e igreja paroquial, apresenta sinais de degradação evidente, tendo a inscrição na fachada de Remanso de Santa Eulália, casa de repouso agora ao abandono.

Após nova pausa subimos pela Quinta do Pereira até à Quinta da Portela, já nossa conhecida de outras andanças, onde em 2016/12/11 fizemos o almoço na inauguração do percurso de Castro de Roques, promovido pela Câmara Municipal de Viana do Castelo.

Fomos, mais uma vez muito bem recebidos pelo proprietário da Quinta de S. Cristóvão da Portela, que gentilmente nos concedeu uma breve visita ao belo jardim romântico, muito bem enquadrado com a casa senhorial do Séc XVI, hoje com serventia de casa de turismo de habitação.

“O solar seiscentista, a capela barroca, os jardins e o sistema hidráulico da Quinta de São Cristóvão da Portela constituem um exemplo coerente e particularmente bem conservado das quintas agrícolas da margem sul do rio Lima, território marcado por um extenso conjunto de propriedades de origem senhorial, destacando-se das restantes pela sua integridade, autenticidade, dimensão e valor arquitetónico e patrimonial. A estes fatores soma-se a sua localização, na proximidade do núcleo da Vila de Punhe, de origem romana, do Castro do Santinho ou de Roques, um dos maiores castros da Idade do Ferro, e de um acesso do Caminho Português de Santiago, denominado Estrada Real.” (2)

Era tempo de continuar, pelo que tomamos a antiga Estrada Real e passamos pela Quinta da Bouça D’Arques e Quinta do Monte de Roques, ambas reabilitadas para turismo de habitação, para um pouco abaixo fazer um desvio atá às ruínas da Casa de Espina Velasco,

“Da casa de Fernão de Espina Velasco e Piedra, oriundo da Biscaia (Espanha), governador de armas em Viana no tempo dos reis Filipe, situadas no declive do Monte Roques e a escassa distância da estrada real, só resta a parede com um imponente pórtico de acesso. Nele, para além da cornija corrida, ainda são visíveis: o brasão, apoiado em três pequenos nichos, um coração, uma flor-de-lis, a cruz gamada dos Pereiras e as conchas ou vieiras de Santiago, donde pendem cordões com nervuras estilizadas e três ordens de borlas rematadas em três nós indicativo de dignitários da Igreja.” (3)

Retomamos a Estrada Real e passamos junto da Quinta do Bonfim e infletimos à esquerda para a Quinta da Srª do Carmo, com a sua imponente entrada frontal ao Calvário de Arques, muito perto dos restos do antigo aqueduto que assegurava a irrigação destas férteis quintas.

Depois de mais uma pausa, seguimos junto ao muro da quinta do Carmo até ao Parque de Merendas do Bonfim, onde nos esperava o Pimenta, que tinha entretanto preparado a logística para a já tardia pausa de almoço.

Este Parque do Bonfim está muito bem enquadrado pela monumental entrada da Quinta do Bonfim, bem como seu cruzeiro e capela. A pausa foi no recuperado Forno Comunitário / Azenha do Bonfim, que originalmente aproveitava a força motriz do regato das Neves, que nasce no Monte de Roques para a moagem do cereal e mais tarde utilizado como forno comunitário.

Hoje está disponível para encontros, convívios e confraternização ao dispor da comunidade, de forma a alargar a área de lazer do parque do Bonfim, já que estes espaços confinam entre si e se complementam no que oferecem aos visitantes.

Aí fizemos a pausa de almoço e ouvimos atentamente as intervenções de José Luís Carvalhido, Presidente da Assembleia Geral da ACGB e de Cristina Magano, atual Presidente da ACBG, que nos expuseram os objetivos imediatos e a médio prazo, bem como uma resenha do muito que já foi entretanto concretizado.

Mas havia que regressar, tendo tomado a antiga Estrada Real na direção do Largo das Neves, onde chegamos pouco depois, junto de mais uma quinta, desta vez a Casa da Torre de Nossa Senhora das Neves, construída na segunda metade do século XVI, que mantém a sua traça original, sendo classificada com antigo Solar de Portugal, hoje também vocacionada para o turismo de habitação.

E assim acabamos mais este percurso, na esplanada do largo das Neves, uns esperando pela hora do comboio para Viana e outros refrescando a garganta antes da viagem de regresso.

Agradecemos à ACGB – Associação de Cooperação com a Guiné-Bissau e à Junta de Freguesia de Vila de Punhe e ao sempre prestável companheiro Pimenta toda a colaboração prestada.

José Almeida
Vianatrilhos
(1) minhodigital.com
(2) patrimoniocultural.gov.pt
(3) geoparquelitoralviana.pt

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2022-03-26
Hora de início10:26
Hora do fim16:04
Tempo total do percurso5h 38m
Velocidade média deslocação3,3 km/h
Distância total linear10,9 km
Distância total11,0 km
Nº de participantes48