2021-12-04 Trilho da Ribeira de Covas

O percurso previsto para este mês de Dezembro era o Trilho da Chã da Carreira – Monção, mas o tempo que se fazia sentir nesta manhã de sábado, bastante chuvoso e com nuvens baixas, desaconselhava um percurso de montanha em altitude, pelo que optamos por alterar o nosso destino, preferindo um percurso a uma cota mais baixa e melhor protegido dos ventos das terras altas.

A escolha recaiu num percurso nas margens do rio Coura, na freguesia de Covas , concelho de Vila Nova de Cerveira, onde já tínhamos feito outras atividades. Desta vez utilizamos o PR2 “Trilho Interpretativo da Ribeira de Covas” com algumas modificações, de modo a alongar um pouco o percurso e conhecer melhor alguns dos diversos lugares da freguesia de Covas.

Começamos junto da Igreja do Divino Salvador de Covas, onde tiramos uma foto de grupo diante da Casa do Carboal ou Casa de Covas, propriedade vinícola do Séc. XVII, tendo seguido para o parque de campismo próximo e mais à frente embrenhando-nos em caminhos rurais num extenso bosque de carvalhos na direção do Açude de Pagade.

Belíssimas as cores dominantes do Outono que tingiam os densos bosques e o espesso tapete de folhas caídas, que quase escondia os semi-abandonados caminhos rurais.

Foi já na ponte defronte do açude que fizemos uma breve paragem, aproveitando o belíssimo enquadramento desta presa de água e da azenha de Pagade, para fazer nova foto de grupo.

Invertemos o sentido da marcha e cruzamos o lugar de Outeirais e Outeiro para descer até à ponte de Covas, continuando pela EN301 até ao Parque de Lazer de Covas, seguindo depois por caminho paralelo à estrada de alcatrão, quase ao mesmo nível da água da represa.

Aí as coisas complicaram-se um pouco, pois havia zonas de difícil progressão, encharcadas pelas águas da represa, pelo que houve que fazer algumas improvisações de forma a fugir às zonas mais húmidas, para pouco depois voltar à EN301 antes da ponte que cruza a represa.

Passamos então a descer a margem direita do Coura, descendo a ingreme encosta na direção da parede da barragem, que foi entretanto reconstruída e continua a reter as águas do rio Coura, já não para a produção elétrica da antiga central de Covas, mas para a regularização do caudal do rio e para alimentação da Central Hidroelétrica de France, através de uma galeria em carga, com um comprimento de mais de 4 Km de extensão.

Depois de observar a barragem, continuamos a descer o Coura junto e dentro do aqueduto que serviu para a alimentação das turbinas da extinta central de Covas. Este troço do percurso é especialmente interessante, pois tem uma vista excelente para as águas tumultuosas do Coura, que nesta zona desce vertiginosamente uma estreita garganta, por entre enormes pedregulhos, num contínuo estrondo.

Impressionante é o trabalho de engenharia do aqueduto que percorremos, escavado na rocha da montanha, que percorre quase 2 Km até à arruinada central de Covas, meio perdida no meio do matagal, que foi tomando conta das instalações.

Para quem a viu ainda em funcionamento, custa ver o estado em que se encontra a velhinha central de Covas, pois desapareceu a cobertura e o valioso espólio que se encontrava no interior foi sendo roubado.

É lamentável abandono a que foi votado este exemplar único de arqueologia industrial, já que foi Inaugurada em 1912, sendo a segunda central hidroelétrica existente em Portugal e primeira do Alto Minho, que levou a milagrosa “luz do progresso” a Caminha ainda em 1912, mesmo antes da sua chegada a Viana do Castelo. Foi desativada em 1974 com a entrada em funcionamento da Central de France e desde aí a degradação e falta de manutenção arruinaram o complexo.

Contudo, muito recentemente foi alvo de uma pequena intervenção, tendo em vista a sua “musealização”, com o intuito de preservar um dos elementos mais significativos da história das hidroelétricas em Portugal.
Fizemos aí a pausa para o almoço e também para o batizado da jovem Ana Filipa, que passou a integrar o nosso grupo, tendo sido apadrinhada pela Laura e Simplício.

Retemperadas as forças percorremos em sentido contrário o troço do aqueduto e regressamos pelo lugar da Costa, onde alongamos o percurso passando pelos lugares de Grandachão, Espinhal e S. Sebastião, tendo feito curtas paragens na minúscula capela do Sr. do Outeirinho e depois na capela de S. Sebastião, já na proximidade da Igreja do Divino Salvador de Covas, onde finalizamos o percurso.

Depois de um início condicionado pelo mau tempo, que nos obrigou a uma inesperada mudança de rumo, o resultado final foi no entanto muito positivo, pois fizemos um percurso interessante, com múltiplos pontos de interesse, desde os intactos densos bosques de carvalhos com suas belas cores outonais, às interessantes zonas rurais, ao belíssimo troço do aqueduto de carga da velhinha central, escavado na montanha e debruçado sobre o rio Coura.

O tempo também colaborou, pois a chuva acabou e o dia soalheiro ajudou a que tudo corresse pelo melhor.
Finalizamos a tarde na Adega do Lagar, junto à ponte de Covas, onde depois de uma sopa quente houve espaço para uns acepipes variados e tempo de convívio neste nosso último encontro do ano.

Boas Festas e até para o ano!

José Almeida
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2021-12-04
Hora de início09:08
Hora do fim14:41
Tempo total do percurso5h 32m
Velocidade média deslocação2,23 km/h
Distância total linear12,2 km
Distância total12,4 km
Nº de participantes16