2021-11-06 Corno do Bico - S. Martinho

O ponto de encontro para o início desta caminhada de S. Martinho foi em Túmio, pitoresco lugar da freguesia de Cunha, concelho de Paredes de Coura, bem dentro da Área de Paisagem Protegida do Corno do Bico.

Esta zona de proteção é considerada Sítio Classificado da Rede Europeia NATURA 2000 e está incluída na Rede de Áreas Protegidas de Portugal. É maioritariamente uma densa mancha de carvalhos (Quercus róbur) e diversas outras espécies arbóreas, arbustivas e herbáceas.

Iniciamos a subida para a antiga casa dos serviços florestais do Bico, junto aos abandonados terrenos do viveiro florestal, onde na década de 40 do Século XX, durante o período do Estado Novo, os serviços florestais desencadearam o processo de arborização e de valorização florestal deste espaço até então ermo pela atividade pastoril.

Embora os viveiros estejam abandonados, a casa florestal foi entretanto reabilitada, estando pensada a sua utilização como polo de um parque micológico, já que as matas e serras de Paredes de Coura registam uma grande quantidade e variedade de espécies de cogumelos, estando já catalogadas 200 espécies, dois terços dos quais comestíveis.

Esta é talvez a época ideal para apreciar a beleza da mata do Bico, já que as tonalidades outonais conferem à vegetação uma miríade de cores, que vai dos verdes claro dos fungos aos tons amarelos e vermelhos mais outonais, passando ainda por todas as tonalidades dos verdes aos castanhos.

Na subida pelo Alto do Espinheiro fugimos ao percurso original marcado e embrenhamo-nos na densa mata de carvalhos, que mal deixa penetrar os mortiços raios de sol, caminhando sobre o denso tapete de folhas, que nos amortecia os passos, apreciando o silêncio da serra, apenas quebrado pelas conversas dos caminheiros e pela correria de uma afável cadelita, que nos acolheu em Túmio e nunca nos deixou durante todo o percurso.

A parte final da subida para o Corno do Bico é muito acentuada, levou ao alongamento do grupo, mas atingido o topo da serra, foi tempo de paragem para recuperar do esforço e para apreciar as vistas em redor.

Foi com pesar que constatamos que esta subida, que há anos tinha uma vegetação especialmente bem conservada e de uma beleza extraordinária, foi entretanto varrida pelas máquinas dos madeireiros, transformando a bela mata numa nua encosta, apenas coberta dos excedentes do corte deixados para trás. É triste ver a desolação em que se transformou esse local, que merecia bem melhor sorte pela riqueza florestal que apresentava.

Lá no topo, como o dia estava claro e límpido, apreciamos os vales circundantes e conseguimos identificar uma a uma as imponentes serras circundantes, que se perdiam na distância.

Houve entretanto um percalço, pois a companheira Manuela deu pela falta do casaco, tendo retrocedido com mais uns quantos na demanda do mesmo, que afinal tinha ficado caído na casa florestal do Bico. Foi uma pena, pois esses companheiros perderam a parte final do percurso, tendo depois regressado diretos a Túmio.

Quanto a nós, continuamos até ao Miradouro do Corno do Bico, estrutura metálica localizada a poucos metros do marco geodésico / posto de observação de incêndios e do parque de merendas, que tem uma vista privilegiada, quer para o Vale do Rio Coura, quer para os Vales dos Rios Vez e Lima.

Foi com este pano de fundo que tiramos a foto do grupo, embora desfalcado dos companheiros que tinham retrocedido em busca do casaco perdido.

No regresso a Túmio utilizamos parte do percurso do PR1, mas fizemos alguns troços pelo meio da mata, de forma a apreciar melhor a vegetação envolvente. Foi numa dessas incursões que pudemos apreciar melhor enormes líquenes que mais pareciam complexas decorações dos velhos castanheiros.

O regresso fez-se pela Chã do Mouro, descendo sempre até Túmio, onde esperamos os retardatários que tinham entretanto encontrado o casaco. Como não ficaram na foto do miradouro, houve que tirar nova foto de grupo com todos os participantes, mais o burro, que fez questão de se nos juntar para o retrato.

Findo o percurso, rumamos a Cepões, onde estava já tratado o nosso almoço de S. Martinho na Casa Carneiro, e para além das inevitáveis castanhas assadas, tivemos direito a umas golas de bacalhau com arroz de feijão, secretos de porco preto com batatas a murro e ainda sobremesas à escolha.

 

José Almeida
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2021-11-06
Hora de início09:22
Hora do fim13:05
Tempo total do percurso3h 43m
Velocidade média deslocação2,7 km/h
Distância total linear8,86 km
Distância total8,95 km
Nº de participantes26