2021-09-11 Pela Chã da Franqueira a Arga de Cima

Começamos junto da igreja paroquial de Arga de Baixo, outrora chamada de "Santa Maria da Ladeira", bem nossa conhecida em outras atividades que levamos a cabo por estas paragens.

Este percurso foi um misto dos percursos pedestres da Câmara Municipal de Caminha, o Trilho da Chã da Franqueira e o Trilho do Cabeço do Meio Dia, tendo no regresso utilizado um troço do nosso percurso de 2011-12-03 Trilho na Serra D'Arga.

Depois da concentração descemos por caminhos rurais já meio abandonados até ao lugar do Sobral, local isolado a meia encosta, onde ainda podemos ver algumas casas habitadas, no meio de muitas outras já há muito abandonadas, sinal evidente da desertificação que está a tomar conta destas paragens.

Um pouco mais à frente descemos à Fraga da Pena, local onde o ribeiro de Arga se precipita nas alturas, numa queda vertiginosa no abismo, que mal se vislumbra, pois o risco de queda na borda do penhasco desaconselha uma aproximação para melhor vista.

Aí fizemos uma curta paragem para “levar qualquer coisa à boca”, mas havia que continuar, pelo que retrocedemos até ao trilho que retomamos até ao lugar do Castelo, que cruzamos para fazer nova paragem na pequena capela de Nª Senhora da Rocha, no lugar da Castanheira.

Deixamos os arborizados caminhos rurais para subir em fila indiana um estreito trilho, mal visível na agreste vegetação rasteira que desponta por entre os xistosos terrenos da Chã da Franqueira, que dá o nome a este percurso.

Já no planalto da chã abandonamos o Trilho da Chã da Franqueira e tomamos o Trilho do Cabeço do Meio Dia, que nos levou de novo às margens do ribeiro de Arga, junto de mais uma cascata, em que as águas do ribeiro vencem outro abrupto desnível, no meio de uma vegetação muito fechada, que inviabiliza o acesso pela sua arriba superior.

Atalhamos depois em corta mato o percurso para pouco depois visitar o Moinho de Baixo, construção com uma interessante cobertura de enormes blocos de xisto, que desafiam os rigores deste ventoso planalto virado a norte.

Um pouco mais à frente cruzamos o ribeiro de Arga para a sua margem direita na Ponte de Porto Carro, onde tiramos mais uma foto do grupo, e desta vez optamos por não ir ao alto do Cabeço do Meio Dia, pelo que seguimos à direita, cruzando o ribeiro das Pombas, para continuar junto da margem do ribeiro de Arga, onde fizemos a pausa de almoço, antes de seguir para um dos pontos mais interessantes deste percurso, os Moinho e Ponte de Traves.

O moinho muito encaixado na penedia da margem oposta e a estreita ponte que atravessa o profundo desfiladeiro, cuja construção remonta a tempos imemoriais, testemunha da ocupação humana do planalto e da importância que esta região outrora teve.

Continuamos a subir o ribeiro de Arga, passamos pelo Moinho da Fichua e chegamos ao lugar de Gândara, pertencente a Arga de Cima, onde visitamos a Capelinha de Stº Antão e invertemos a progressão, cruzamos o ribeiro da Fraga pelo reconstruído Pontão do Lobo e descemos o ribeiro para visitar os bem conservados Moinhos da Gândara, onde fizemos mais uma curta pausa, para apreciar a sua implantação na penedia e a sua sólida construção, que os preservou até aos dias de hoje.

Depois foi cruzar Arga de Cima, seguimos junto aos contrafortes da imponente Serra de Arga, também chamada de “Montanha Santa” e à direita as dispersas casas de lavoura e campos agrícolas.

Aquí o abando não é tão visível, pois muitas das casas rústica foram completamente restauradas e mesmo ampliadas, de forma a acomodar os seus novos proprietários, maioritariamente gente de fora, que troca o bulício das grandes cidades por uma pausa, mais ou menos duradoura, por estas calmas paragens.

Algumas foram mesmo remodeladas por artistas que aquí buscam inspiração e porto de ancoragem para eventos que trazem alguma animação cultural e divulgação a estes recônditos lugares serranos.

Quase a concluir o nosso percurso, paramos para uma sombrinha e matar a sede na Fonte da Salgueirinha, que deixamos para trás para finalmente regressar à igreja de Arga de Baixo, onde finalizamos mais uma bela jornada na Serra de Arga, ajudados por um dia de sol e sem vento e temperatura amena.

O costumeiro lanche foi no café Beira Rio em Estorãos, onde fechamos o dia com um champarrião, excelentes caracóis e outros acepipes variados, pondo em dia as conversas há muito adiadas por uma pandemia que nos tolheu os movimentos por bem mais que um ano, e que nos deixa ainda apreensivos pelo futuro.

José Almeida
Vianatrilhos

Dados do percurso

Informação sobre os aspetos mais significativos:

Data2021-09-11
Hora de início09:23
Hora do fim15:15
Tempo total do percurso5h 51m
Velocidade média deslocação3,9 km/h
Distância total linear12,3 km
Distância total12,5 km
Nº de participantes13